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Maria Bravo e ‘chef’ Kiko: Cúmplices no amor e no trabalho

Casados há oito anos, Maria Bravo e Kiko Martins são pais de Sebastião, de três anos, e de Gabriela, de dois.

Sandra Cáceres Monteiro
25 de dezembro de 2015, 16:00

Quem olha de fora é facilmente levado a crer que as 24 horas do dia não chegam a Francisco Martins, o mediático chef Kiko, professor do programa Chefs’ Academy, que é também o dono de dois restaurantes de renome na capital: O Talho e A Cevicheria. Mas desengane-se quem pensa que o jovem chef possa ser um workaholic, pois para Kiko Martins o mais importante na vida é o tempo que dedica à família e aos amigos. Ainda na véspera do nosso encontro, o chef e a mulher, Maria Bravo, tinham dado um romântico passeio noturno pelo Jardim da Estrela. “Tento sempre não perder a disponibilidade mental e afetiva para que continuemos apaixonados um pelo outro”, assume o chef, o mais novo de oito irmãos, que viveu no Rio de Janeiro até aos 11 anos e cuja curiosidade pelas causas sociais foi a principal impulsionadora para chegar onde chegou.
– Logo no primeiro ano de casados resolveram viver uma experiência de voluntariado em Moçambique, não foi?
Maria Bravo – A verdade é que ainda antes de sermos casados já tínhamos falado sobre esse desejo comum. Acabámos por estar um ano ao serviço dos Leigos para o Desenvolvimento.
– E foi ainda em Moçambique que surgiu o projeto Comer o Mundo, que resultou num livro...
Kiko Martins – Sim, esse foi, talvez, o segundo projeto mais importante da nossa vida enquanto casal. O primeiro foi o ano de voluntariado em Moçambique. Estivemos em 26 casas, de 26 famílias, em 26 países diferentes, durante 14 meses. Tão depressa nos sentávamos à mesa com uma família síria como já estávamos a comer com uma família no Japão. Foi uma experiência muito enriquecedora!
– Como reagiram os vossos anfitriões?
Kiko Martins – Com alguma suspeita inicial, misturada com a vontade de mostrarem os seus costumes. E muita curiosidade sobre quem nós éramos...
– Houve alguma situação mais inusitada que vos tenha marcado?
Maria Bravo – Acho que nos marcou a ambos o tempo que passámos com uma família japonesa, pela sua simplicidade. Apesar de terem uma cultura tão distinta da nossa, tínhamos muitos pontos em comum. Ríamo-nos das mesmas coisas, por exemplo! Houve uma sintonia que não esperávamos!
– De que forma essa experiência vos enriqueceu?
Maria Bravo – Viajar à volta do mundo, só por si, já é uma experiência incrível! É um privilégio enorme. No meu caso, enquanto escritora, foi muito importante o contacto direto com as pessoas, com as diferentes culturas. Abriu-me os horizontes e mostrou-me que temos uma série de ideias pré-concebidas em relação a muita coisa que, afinal, não fazem o menor sentido. Somos todos muito mais parecidos do que aquilo que possamos imaginar. Há muitas coisas que acontecem, porque têm uma razão cultural por detrás e não nos cabe a nós julgar.
Kiko Martins – Viajar à volta do mundo é carregar o nosso GPS com mapas que, muitas vezes, não sabemos quando vamos utilizar. Alguns deles vou utilizando na cozinha, porque ganhei mundo, ganhei influências, saberes e sabores diferentes... Em termos pessoais, esta experiência ajudou-me muito a descomplicar a vida! A perceber a sorte que tenho em viver em Portugal, morar em Lisboa. A sentir-me agradecido por tudo o que tenho na minha vida.

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