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Cristina Ferreira confidencia: “Este sucesso assusta-me muito”

A apresentadora conversou com a CARAS durante o ‘making of’ do vídeo de lançamento de uma edição limitada de Natal do seu perfume, Meu. “Cada embalagem tem uma mensagem que só quem recebe o perfume saberá qual é”, como explicou.

24 de dezembro de 2015, 12:00

Tínhamos encontro marcado com Cristina Ferreira, a apresentadora de sucesso que tem um blogue com milhares de seguidores, uma revista em nome próprio e um perfume, Meu, que é recordista de vendas. Mas afinal, não há apenas uma Cristina, e sim duas. Confuso? Nem por isso. Numa conversa intimista, a apresentadora revelou como se ‘divide’ entre a comunicadora que se tornou uma das maiores estrelas nacionais e a mulher de todos os dias, mãe de Tiago, de sete anos, discreta e calada, com quem poucos privam. Duas mulheres distintas que se encontram na Cristina batalhadora, que não deixa que as tristezas lhe roubem o sorriso ou a vontade de dizer todos os dias “sou feliz.”
– Está a lançar uma edição limitada do seu perfume. Foi mesmo uma aposta ganha...
Cristina Ferreira – Sim. Em­barquei nesta viagem com muitos sonhos que não pensei que pudessem ser alcançados. Estou muito feliz, porque é pelo facto de as pessoas gostarem de mim que querem este meu pedacinho. É o perfume mais vendido de sempre da LR e admito que não estava mesmo nada à espera.
– Este sucesso não a assusta?
– Sim, assusta-me muito! Dou por mim muitas vezes a pensar no que era a minha vida, no que é e no que vai ser. Gosto de fazer balanços e de pensar no que fiz bem e no que posso fazer melhor. Não esperava este sucesso. Sou apresentadora de televisão mas, ao mesmo tempo, construí tantas coisas que faz com que as pessoas pensem que tenho um império à minha volta! Tudo isto dá muito trabalho. É preciso estar de alma e coração em todos os projetos. É isso que faz a diferença.
– 2015 foi bom para si?
– Sim. Foi um ano de conso­lidação do que tenho vindo a construir. Sei que é uma fase em que tenho de trabalhar muito, mas sem descurar o lado familiar e pessoal. Toda a gente sabe que àquela hora vou para casa. Quando surgiu a revista, estava a trabalhar até muito tarde e percebi que isso não era saudável. Por isso, quando entro em casa acaba tudo o resto. Preciso de estar inteira para mim e para o meu filho.
– Com tantos projetos para gerir, deve ser difícil não quebrar essa barreira...
– Não é difícil, porque quando entro em casa, deixo à porta a profissional. Retiro a maquilhagem, dispo-me e sou de imediato a Cristina que sempre fui. A minha família por vezes quer falar da minha vida profissional e eu não quero. Há mesmo uma diferença entre a Cristina pessoal e a profissional. A Cristina fora do trabalho poucos conhecem.
– É importante para o seu equilíbrio fazer a distinção entre esses dois mundos?
– Sim, completamente! Gosto muito da Cristina profissional, que não se cala, que se ri, que é batalhadora e dura, mas que é o oposto da outra, que é muito afetuosa, melosa, que não é capaz de falar mais alto com ninguém, que não é capaz de apontar falhas aos amigos. Também sou a pessoa mais calada do mundo. Há duas Cristinas que convivem muito bem uma com a outra.
– Ainda há espaço para se envolver em mais projetos? Ou no ano que vem vai dedicar-se mais à Cristina mulher e mãe?
– Não estou à espera de fazer coisas surpreendentes para o ano. Acho eu! Tudo tem sido feito de uma forma muito natural. A minha escolha deste momento é crescer profissionalmente nas áreas às quais me dediquei. Tenho muita vontade de voltar a estudar. Apetecia-me parar durante seis meses e ir aprender coisas novas. O que me assusta, acima de tudo, é as pessoas não me deixarem errar. Queria crescer com os meus erros, mas hoje não me perdoam qualquer defeito ou erro, profissional e pessoal. E isso custa um bocadinho, porque sou igual a toda a gente. Mas é uma realidade com a qual tenho de aprender a viver.
– E como é que se vive com a pressão de não se poder errar?
– Tento menorizá-la, mas não é fácil quando temos redes sociais que permitem reações imediatas do público. Sei que tive a sorte de singrar numa profissão que me dá uma qualidade de vida rara e tudo foi conquistado a pulso com o meu trabalho.
– Já deixou de fazer alguma coisa por ser figura pública?
– Já, muitas. Há pouco tempo fui a Londres com a minha mãe e o meu filho e a sensação de poder sair e de ser apenas mais uma é tão boa! Não vou à praia nem passeio com o meu filho da mesma maneira... Agora, vou à mercearia e ao talho, não alterei essas pequenas coisas. Mas é dentro de casa que me sinto realmente protegida.
– Aos 38 anos tem muitas certezas ou ainda há muitas inseguranças por vencer?
– Sei exatamente aquilo que quero e quem sou. Felizmente que me aconteceu tudo o que vivi, porque foi isso que me permitiu tornar-me uma mulher muito mais forte, segura e com mais autoestima. Arranjei uma estratégia: não me demoro no que me deixa triste. Quando alguma coisa me está a magoar, penso que só estou a passar por isso para me tornar uma pessoa melhor. Tendo esta estratégia nada nos abala. Choro quando preciso de chorar e depois é abrir o sorriso.
– E quais são as suas certezas?
– Tenho a certeza de que sou boa pessoa, mas que cometo erros e tenho defeitos. Já tive alguma falhas graves na vida, sei que às vezes não falo com as pessoas da melhor forma, mas no fundo os que estão comigo entendem-me. Não é fácil estar lá em cima, ter o sucesso que tenho e ser ava­liada continuamente. Por vezes, quando se quer fazer muito bem, faz-se muito mal. Mas sinto que há muitas mulheres que olham para o meu percurso e têm força para mudar as suas vidas e isso deixa me feliz.
– É uma mulher solitária?
– Adoro estar sozinha. Sou filha única e nunca senti a falta de um irmão. Preciso mesmo do meu silêncio e do meu espaço.
– Brinca muito com a eventualidade de arranjar um namorado. Apaixonar-se novamente continua a ser importante para si ou nem sequer pensa nisso?
– Não me preocupo com isso. Às vezes até agradeço estar sozinha, porque não teria alcançado tantas coisas se estivesse ocupada com o amor. E acredito que até isso aconteceu para me permitir ter esta fase de grande dedicação profissional. Mas haverá, certamente, um espacinho para viver essa felicidade a dois.

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