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António Costa mostra o seu lado mais privado

O primeiro-ministro e a família em entrevista exclusiva à CARAS.

Marta Mesquita
24 de dezembro de 2015, 10:00

Depois de muita agitação política, António Costa, de 54 anos, foi indigitado primeiro-ministro de Portugal. Querendo conhecer melhor o homem que lidera o país, a CARAS marcou encontro com o chefe do Governo, que desta vez veio acompanhado por uma entourage muito especial: a mulher, Fernanda Tadeu, que deixou recentemente a docência, e os filhos, Pedro, de 25 anos, que está a estudar Direito, e Catarina, de 22, licenciada em Marketing e Publicidade.
Se na política o secretário-geral do Partido Socialista está habituado a ter o protagonismo, em casa tem partilhado a ‘liderança’ com a mulher, com quem está casado há 28 anos. Apesar de ser um apaixonado pelo que faz, quando está junto dos que mais ama, o político passa para segundo plano, dando lugar ao homem de gostos simples, ao marido atento e ao pai carinhoso.
Nesta entrevista exclusiva, António Costa e a mulher revelaram o seu lado mais priva­do, mostrando como conseguiram construir uma família unida e feliz.
– São raros os momentos como este, em que conseguem reunir a família toda?
Fernanda Tadeu – Conseguimos reunir a família várias vezes. Estamos juntos todas as semanas e procuramos fazer coisas divertidas. Os nossos momentos a quatro são de grande qualidade. Divertimo-nos muito.
António Costa – Estarmos juntos é uma das preocupações que temos. Infelizmente, este foi o primeiro ano em que não conseguimos fazer férias a quatro. Quando os miúdos eram pequenos, conseguíamos fazer um mês, mas depois, à medida que foram crescendo, esse tempo encurtou [risos]! O ano passado estivemos em Nova Iorque, mas este ano, entre as dificuldades da campanha e os trabalhos da Catarina e do Pedro, não deu.
– Como é que têm encarado esta fase da emancipação dos vossos filhos?
Fernanda – Nem falemos disso [risos]!
António – A minha mulher costuma dizer que esta vida de pais é muito curta [risos]! É uma realidade à qual temos de nos adaptar... O Pedro já vive sozinho e a Catarina, sejamos realistas, para lá caminha... Mas isso não deixa de ser interessante, até porque é uma forma de reaprendermos a viver a dois.
Fernanda – Obriga-nos a uma readaptação, o que é difícil. Largar os nossos pintainhos, deixá-los voar, não é fácil. A nossa tendência é guardá-los só para nós, mas tentamos ultrapassar isso e começar uma relação nova a dois, que já só é a quatro às vezes. Mas continuamos a mimá-los muito, porque assim vão querer ir lá a casa muitas vezes!
– A política já lhe exigiu alguns sacrifícios familiares, nomeadamente passar a semana longe da sua mulher e da sua filha [que viviam em Sintra] quando esteve na Câmara Municipal de Lisboa. Como é que geriram esses períodos mais exigentes?
António – Esse é um tema difícil...
Fernanda – É difícil, mas podemos falar! Esses momentos mais exigentes do ponto de vista familiar gerem-se procurando sempre a qualidade. Cada um tem as suas vidas e, por isso, quando estamos juntos, tentamos que sejam momentos bons e divertidos. Ganhamos em qualidade o que não temos em quantidade. Acho que os anos em que o meu marido esteve à frente da Câmara Municipal de Lisboa foram os mais duros da minha vida. Era difícil conciliarmos a vida a quatro. Recordo-me que ia a Lisboa uma vez por semana ver se o meu marido e o meu filho tinham comida decente no frigorífico, porque viviam sozinhos! Mas temos de encarar a vida sempre com uma atitude positiva e anteciparmos as coisas boas!
– Alguma vez teve de lidar com sentimentos de culpa por não estar tão presente na vida familiar?
António – Tive o apoio da minha família em tudo o que fiz. Os anos da Câmara foram os mais duros, mas a Fernanda foi das primeiras pessoas a quem perguntei se deveria ou não concorrer a Lisboa e, na altura, ela disse-me: “Vou detestar, mas tens de fazê-lo, porque caso contrário ficarás para o resto da vida com uma coisa por resolver.”
– E agora estão a viver uma aventura ainda maior...
Fernanda – Sim, uma aventura maior e que também vai ser difícil e de luta. Mas acho que é por um bem maior. Temos de ultrapassar o nosso lado mais egoísta e pensarmos que é por todo um país, por uma proposta de vida para os portugueses.
António – Além de termos uma vida com horários muito diferentes, também sempre tivemos muita autonomia na gestão das nossas próprias vidas. O mais importante é que estamos juntos nos momentos fundamen­tais. Não houve uma única eleição em que a Fernanda não estivesse presente ou eu ao seu lado nos maiores desafios da sua profissão. Sempre sentimos que o outro está lá.
– E como é que uma família se prepara pa­ra ter um marido e um pai primeiro-ministro?
Fernanda – Não sei. É uma realidade que ainda desconheço, mas estou disposta a vivê-la.
António – A preparação tem que ver com o facto de eles acreditarem que este desafio que assumi é maior do que nós, é pelo país. Vale a pena darmos tudo o que temos para ter sucesso neste projeto, que vai exigir muito de nós ao longo dos próximos anos.
– Fernanda, como define o seu marido enquanto homem e pai?
Fernanda – O António é uma pessoa que mesmo quando está longe fisicamente, se faz sentir perto. Está sempre a enviar-nos SMS, mostrando-se muito atento. O quotidiano familiar tem sido gerido por mim, mas o António aparece sempre nos momentos mais importantes. Sentimo-nos bastante unidos. O meu marido tem uma coisa a melhorar: gosta muito de cozinhar, mas falta-lhe começar a arrumar a cozinha [risos]! Além de ser extremamente inteligente, é alguém que não desiste do seu objetivo e vai até ao fim. E isso é algo muito importante num líder. É alguém que tenta tudo o que está ao seu alcance para alterar o que acha que está mal. Outra qualidade prende-se com o facto de ser muito bom ouvinte. Ouve para decidir. Não constrói projetos sozinho. Os outros estão sempre na sua cabeça.
– Quando tem de tomar alguma decisão política, gosta de consultar a sua mulher ou tenta deixar a política fora de casa?
António – Depende... Como regra, procuramos manter a política do outro lado da porta, até porque a nossa casa é uma espécie de refúgio, é onde posso fazer uma pausa. Mas quando se trata de questões fundamentais procuro sempre ouvir a Fernanda. E, em regra, até concordamos [risos]!
Fernanda – Tem dias [risos]!
– Numa entrevista que deu recentemente ao Jornal de Campanha do PS assegurou: “Não quero ser a mulher de ninguém. Chamo-me Fernanda Tadeu, tenho uma identidade.” Duas pessoas com personalidades tão vincadas na mesma casa não entram facilmente em choque?
Fernanda – Não pensamos da mesma forma, temos muitas vezes divergências e discutimos muito! Acabamos quase sempre por chegar a um consenso, mas não é à primeira [risos]!
António – Tenho muita concertação lá em casa [risos]! É já um treino!
– Com muito ou pouco consenso, já celebraram 28 anos de casamento... Essa procura de consensos tem sido o pilar da vossa relação?
Fernanda – Penso que é o diálogo. Fala­mos muito, sempre foi assim. Quando os miúdos eram pequenos, precisávamos de ir jantar fora os dois uma vez por semana para falarmos. Sempre tivemos muita coisa para dizer um ao outro. É fundamental as pessoas dialogarem, mesmo que discutam! Também é importante haver momentos a dois para estimular a relação e namorar. Penso que esse é o truque.
António – Já éramos muito amigos antes de começarmos a namorar. Essa amizade sempre foi o pano de fundo sobre o qual se construiu a nossa relação.
Fernanda – Sempre fomos o pilar um do outro.
– Celebraram o vosso casamento de uma maneira muito original, já que trocaram o tradicional copo-de-água por um hambúrguer. Mantêm essa dose de irreverência nas vossas vidas passados quase 30 anos?
– Mantemos, sem dúvida, uma certa faceta lúdica que é fundamental para nós. Ajuda-nos a ter estabilidade emocional.
António – Mas se voltássemos atrás, te­ríamos feito uma festa...
Fernanda – Como não tivemos uma festa mais tradicional, sempre que podemos damos uma festa! Aproveitamos qualquer ocasião para celebrar!

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