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Eunice Muñoz: “Aprendi a estar em paz comigo”

Depois de três anos afastada por problemas de saúde, a atriz regressa à televisão para fazer o papel de uma vilã cómica na nova novela da TVI ‘A Impostora’, que tem estreia prevista para março do próximo ano.

Cristiana Rodrigues
20 de dezembro de 2015, 12:00

Tem uma vida cheia: 87 anos, três grandes amores, seis filhos, oito netos e quatro bisnetos; muito palco, 74 anos de carreira, vários prémios, três Globos de Ouro, o último dos quais de Mérito e Excelência. Há três anos interrompeu a sua carreira depois de uma queda na qual fraturou os pulsos, a cervical e a cabeça. Menos de um ano depois, em 2013, foi-lhe descoberto um tumor na tiroide e foi submetida a uma operação para o remover. Fez tratamentos de quimioterapia e em junho último foi operada, em França, às cordas vocais que ficaram afetadas. A fazer terapia da fala três vezes por semana no Hospital Egas Moniz, Eunice Muñoz está de regresso ao trabalho. Vamos poder vê-la em A Impostora, a novela da TVI que tem estreia prevista para março de 2016. Em vésperas da apresentação deste projeto, estivemos com a consagrada atriz. Fomos buscá-la a casa, no centro de Paço de Arcos, e seguimos em direção ao hotel Vila Galé Collection Palácio dos Arcos. De uma das janelas contemplou o rio Tejo. Um momento interrompido pelos primeiros flashes. A meio da produção, Eunice ainda recebeu a inesperada visita do filho, Pedro, de 55 anos. Uma prova de carinho que a atriz apreciou.
– Bem-vinda de regresso ao trabalho!
Eunice Muñoz – Ai que bom, estou tão contente, mas só acredito depois de fazer a primeira cena.
– Achou que este dia não chegasse?
– Não, nunca perdi essa esperança.
– Mas não teve um momento de fragilidade em que pensou que não voltaria a fazê-lo?
– Sim houve uma altura que tive receio de não regressar. A minha voz tem sofrido várias etapas. Houve uma época em que tive de fazer um esforço para acreditar que voltaria. Agora não podia estar mais contente.
– Ainda faz tratamentos?
– Sim, três vezes por semana vou ao Egas Moniz fazer terapia da fala. De vez em quando a minha voz fica melhor, outras vezes não aparece, é muito irregular. Só tenho pena que uma parte da cirurgia que ia fazer a França não pôde concretizar-se porque a radioterapia deixou-me uma parte da garganta tão queimada que o médico não encontrou nenhum nervo em bom estado para fazer a reinervação da corda vocal. Provavelmente ainda terei de fazer mais uma cirurgia com a médica que me tem acompanhado, a Dra. Clara Capucho.
– E tem certamente de obedecer a alguns cuidados...
– Uma das coisas que devo evitar o mais possível é falar ao telefone, porque não dá saúde nenhuma às minhas cordas vocais. É curioso, mas de facto faço um esforço muito maior se estiver ao telefone.
– E fala tanto que precisam de mandá-la calar-se?
– [risos] Sim, para proteger a minha voz.
– Mas sente-se bem? Com boa voz?
– Sim, sinto-me bem para regressar ao trabalho, do qual tinha muitas saudades.
– Agora regressa à televisão e depois? Seguem-se os palcos?
– Espero melhorar ainda mais para regressar ao teatro, porque se não voltar terei muita pena.
– Chegar aos 87 anos com a sua energia, a sua vida, não é para todos. Qual é o segredo?
– Fundamentalmente, é amar a vida e eu sou uma amante da vida. Cada vez me encantam mais as pessoas. Observá-las, ouvi-las, tentar percebê-las. Depois, tenho uma maior generosidade e compreensão.
– Vive-se de outra forma...
– Aprecia-se mais a vida, por­que estamos à beira de nos despedirmos dela. Passa a ser uma vida mais rica, em que a dádiva é maior.
– Envelhecer também é aprender...
– É mesmo isso. Aprendi a estar em paz comigo, a não julgar as pessoas. Já vivi tanto, já amei tanto, que tenho obrigação de compreender os outros, ser benevolente para com eles.
– E cuidados, tem?
– Não [risos]. Trabalhei sempre que nem uma perdida, brutalidades, fiz peças de muita entrega e de grande intensidade, por isso nunca tive muito tempo para cuidar de mim.
– Não usa cremes?
– Bem, ponho diariamente creme, porque tenho a pele muito seca!
– E não disfarça os cabelos brancos...
– Não! Só se for para algum papel.
– E nunca se submeteu a uma cirurgia estética?
– Não, não!
– Enquanto estávamos na sessão fotográfica, recebeu a visita de um dos seus filhos. Foi uma boa surpresa?
– É verdade, foi o meu filho António que lhe disse onde eu estava e o Pedro veio aqui dar-me um beijo.
– Uma prova de carinho...
– Sim, claro que sim. Apesar de ver este meu filho muitas vezes, porque ele também vive em Paço de Arcos como eu, é sempre agradável uma visita inesperada. Gostei de o ver.
– Algum dos seus filhos lhe cobrou as suas ausências?
– Os meus filhos são muito dedicados, muito generosos, filhos que nunca me cobraram nada. Sempre fizeram, provavelmente com esforço, por entender que o meu trabalho não me permitia ser uma mãe tão presente como eles gostariam de ter. Eles são muito meus amigos.
– Tem sido muito feliz?
– Tenho sido muito feliz. Te­nho tido períodos maus, duros, difíceis, mas viver é sempre bom.

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