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Júlia Pinheiro elogia a filha: "É uma menina maravilhosa"

A apresentadora está otimista em relação à recuperação da filha Carolina, que continua internada.

Marta Mesquita
13 de dezembro de 2015, 16:00

Júlia Pinheiro sempre mostrou ser uma mulher emotiva e não tem por hábito esconder-se nos bastidores, por isso, decidiu expor publicamente o momento delicado que vive. Em direto, de voz embargada e apoiada por João Paulo Rodrigues, seu parceiro no programa Queridas Manhãs, a apresentadora revelou que a sua filha Carolina, de 22 anos, foi internada por sofrer de anorexia nervosa. “Na minha vida, e na vida da minha família, entrou uma doença difícil.
Chama-se anorexia nervosa e há dez anos que nos confrontamos com esta doença lá em casa. E tem sido um combate desigual. Quem vive ou viveu isto sabe que é uma doença que nos leva a tranquili­dade, a paz de espírito, a capacidade de conviver com os outro
s. Limita-nos em muitas coisas”, explicou no seu comunicado, durante o qual fez também questão de manifestar o seu otimismo no que diz respeito à recuperação da filha: “Ela vai conseguir e nós, como família, também.” Afinal, o mesmo aconteceu à sua outra filha, Matilde, gémea de Carolina, que também já travou uma luta contra a mesma doença.
No meio deste momento familiar mais difícil, Júlia Pinheiro tem conseguido desfrutar de algumas alegrias, e no último fim de semana teve oportunidade de reunir toda a família, já que Carolina pôde passar dois dias em casa. Outro motivo de satisfação foi ter visto publicado o seu segundo romance, Um Castigo Exemplar. “O que seria de mim sem a magia dos livros? Foram sempre os meus melhores amigos e agora tenho a grata surpresa de saber que existem pessoas que gostam de ler o que eu escrevo. Espero que esta novela romântica não vos desiluda”, escreveu a apresentadora na sua página de Facebook.
Tendo como mote a sua mais recente aventura literária, a apresentadora conversou com a CARAS sobre duas das suas maio­res paixões: os livros e a família.
– Para esta obra escolheu um título muito forte...
Júlia Pinheiro
– Sim, mas tem tudo a ver com a história, nomeadamente com a ideia de que, se queremos punir alguém e se vamos realmente fazê-lo, tem de ser exemplarmente bem feito. Tenho uma técnica um pouco bizarra: sei sempre qual será o início e o final do livro. A primeira e a última frase são sempre o meu ponto de partida. Queria marcar no título a motivação do livro: um castigo exemplar. Queria que suscitasse a curiosidade do público.
– Escrever este livro foi um processo fluído ou foi demorado e difícil?
– Esta história tem uma base real, com a qual fiquei fascinada. Estava guardada há seguramente uns cinco anos. Há dois comecei a escrevê-la e depois tudo foi tomando forma. Só neste verão escrevi metade do livro.
– E tem algum ritual que associe à escrita?
– Escrevo quando tenho tempo e sou pressionada pelo prazo.
– Na sua página de Facebook escreveu: “O que seria de mim sem a magia dos livros?” Que relação tem com a palavra escrita?
– Tenho uma relação de pura paixão com os livros. São os meus melhores amigos. Leio desde muito miúda, sou uma leitora militante. Mesmo quando estou cansada, tenho de ler qualquer coisa. Ler antes de adormecer é um ritual.
– E passar de leitora a autora sempre foi um sonho?
– Não. Nunca pensei em escrever um livro. Pertenço àquela geração que tem pelos livros um respeito de reverência. Resisti muito tempo à ideia de que eu poderia escrever um romance. Foi preciso ultrapassar um certo preconceito que tinha para achar que seria aceitável escrever. Escrevi o meu primeiro livro muito a medo. Estava aterrada e cheia de constrangimentos. Mas as pessoas gostaram do que escrevi, o que me deixou muito grata. Desta vez, o processo foi muito menos sofrido, porque já não tenho nada a provar a ninguém, já sou uma pessoa de idade [risos] e já não estou à espera de que me venham dizer que sou a nova revelação literária. Uma pessoa é sempre estigmatizada por trabalhar em televisão. Há pessoas que acham que não temos legitimidade intelec­tual para fazer outras coisas. Há apenas um ou dois que escapam a essa catalogação. Acho essa ideia preconceituosa e redutora.
– Portanto, lida bem com as críticas que lhe possam ser feitas...
– Sim, muito bem. A crítica literária vai sempre achar que sou um estropício. Portanto, desta vez escrevi sem qualquer constrangimento.
– Qual foi a sua intenção ao escrever um livro que tem como protagonista uma mulher desiludida com o amor e que faz da vingança a grande motivação da sua vida?
– A minha intenção foi escrever sobre uma mulher que é uma patifa. Todos nós somos capazes de coisas horríveis quando somos levados a determinados limites. Não podemos dizer: “nunca farei isso.” Mesmo que a nossa educação seja a mais correta e que saibamos quais são os limites da ética. O que quis provar é que mesmo a mais banal das mulheres, que deveria estar muito grata porque o destino lhe reservou coisas simpáticas, passou-se dos carretos!
– Numa entrevista que deu anteriormente assegurou: “A maior parte das histórias de amor não são felizes.”
– Sim, é verdade. As histórias de amor têm sempre uma grande idealização. O ser que amamos, salvo extraordinárias exceções, tem imperfeições. Nós, as mulheres, já vamos todas armadilhadas para o amor, mas num sentido que nos fragiliza. A pior invenção que arranjaram foi o príncipe encantado. Deveriam dar cabo do tipo! Ele não existe. A ideia de que vamos encontrar a nossa alma gémea é uma mentira.
– Mas o seu casamento prova que há também histórias de amor felizes...
– Sim, mas tenho como convicção que sou uma afortunada naquilo que é a minha vida romântica. Tenho 30 anos de casamento e sou uma mulher muito feliz nessa matéria. Contudo, tenho a certeza de que essa feli­cidade tem muito que ver com a nossa capacidade de compromisso, de termos bom senso... Quem não tiver estas medidas todas arrisca-se a perder o outro. Há histórias de amor construídas com muito cuidado.
– O seu livro é um romance histórico. Preocupou-se em estabelecer algum paralelismo com os dias de hoje?
– Não, é uma crónica de costumes. A minha única preocupação em relação a um romance de época é a linguagem. Muitos dos diálogos e das descrições que escrevi têm um eco contemporâneo, uma ressonância da nossa linguagem atual. Caso contrário, o leitor cansar-se-ia e poderia rejeitar o romance. Também vejo outro paralelismo: todos nós já nos desiludimos com o carácter de alguém em presença de uma coisa que não conseguiu ultrapassar. A medida do carácter revela-se na sua relação com a adversidade e isso é intemporal. Esta Amélia transformou-se num ser que não sabia que era. E é isso que me fascina nesta história.
– Quem são os seus primeiros leitores?
– É sempre o meu marido. Ele ajuda-me muito na parte da revisão. É o meu revisor ofi­cial, porque escreve muito bem. Depois é o editor. Desta vez nem os meus amigos mais próximos leram.
– Dedica este livro à sua filha Carolina, à sua amiga Pilar Diaz e “às mulheres que combinam a força e o amor”. A sua filha também faz parte desse grupo de mulheres?
– A minha filha Carolina, e como é público, está numa luta muito grande pela sua saúde. O amor é a força vital da sua vida. Ama com muita intensidade e é uma menina maravilhosa. A outra amiga citada é uma pessoa por quem tenho uma profunda estima. Nós, mulheres, temos uma força extraordinária, que não é física... É a força dos sentimentos.
– Tem-se emocionado com as mensagens de apoio que vai recebendo dos portugueses?
– Mais do que me emocionar, essas mensagens são a confirmação daquilo que já sei: a generosidade das pessoas é tremenda. E quando alguém na família está doente, as pessoas manifestam muito carinho. Fico muito grata por pensarem em nós. Isso aquece e aconchega. Não tenho dúvida nenhuma da capacidade que temos em ser solidários em situações difíceis. Só não quero que isto se transforme numa situação de exceção. Existem milhares de pessoas com filhos doentes ou com familiares fragilizados. E isso implica um esforço imenso para o próprio e para os familiares. Portanto, partilho essa condição com milhares de pessoas. Agora é fazer o nosso caminho.
– Este livro foi mesmo um ‘miminho’ no meio destes dias mais difíceis...
– Quase que não o senti chegar. Ainda não o desfrutei.
– Já tem ideias para mais livros?
– Sim, já tenho mais quatro livros alinhados. Gosto muito destas histórias com base verídi­ca, gosto muito desta linha.

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