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Virgílio Castelo confessa: “Sinto-me velho desde os quatro anos”

Aos 62 anos, tem a certeza de que ser ator foi a escolha certa. Apesar de não sentir o peso da idade, revela que sempre foi “excessivamente responsável” e que continua a sentir a insegurança de antigamente.

CARAS
29 de novembro de 2015, 14:00

A fazer o que mais gosta na vida há mais de 40 anos, Virgílio Castelo diz que dificilmente vai ter a sensação de missão cumprida. Continua a ser em cima do palco que se sente como peixe na água, uma profissão que lhe permite fugir de si próprio e viver várias vidas. Em casa, é um pai atento para as duas filhas mais novas, Violeta e Sancha, diferente do pai que foi para a mais velha, Tâmara, que já lhe deu duas netas: Flor, de cinco anos, e Noa, de oito meses. Há cerca de três anos esteve separado de Maria Lucena, uma pausa na relação que o ator justifica como tendo sido “um momento para onde a vida nos conduziu”.
– É a fazer teatro que se sente realizado?
Virgílio Castelo – Sim, o teatro alimenta-me enquanto artista. Depois, tenho a sorte de ter vindo a ser desafiado ao longo da vida para fazer outras coisas que também me têm preenchido. Mas não há nada que chegue à troca de energia com o público!
– Alguma vez lhe passou pela cabeça desistir da carreira de ator?
– Já aconteceu, felizmente ape­nas uma vez! Por volta dos 27, 28 anos tive um momento em que pus a hipótese de ir trabalhar para um barco porque queria escrever um romance e achava que em alto mar iria encontrar a tranquilidade que precisava.
– É um homem que se preocupa com a sua imagem?
– Não sou um homem propriamente descuidado com a imagem, mas também não vivo a pensar nisso. De qualquer forma, não perco muito tempo a arranjar-me!
– E já foi mais ou menos vaidoso?
– A vaidade é uma palavra difícil de usar... Todos os atores têm algo que roça a vaidade, ou antes, a necessidade de gostarem de nós. A ideia de que alguém possa não gostar de mim atormenta-me verdadeiramente. A minha filha mais nova também é assim.
Isso é insegurança, portanto?
Sempre fui muito inseguro. Desde miúdo que tenho essa consciência de insegurança. Mas tenho aprendido com o tempo a lidar com isso.
– O que é que os 60 lhe trouxeram?
– Ainda não os senti! [risos] Por outro lado, sinto-me velho desde os quatro anos! Sempre fui um chato, excessivamente responsável, pouco transgressor. Acho que nunca tive uma cabeça jovem.
– Mas envelhecer não o assusta?
– Quanto a isso há duas coisas que me preocupam verdadeiramente: a eventual doença, que me pode impedir de trabalhar, e o facto de ter ainda as minhas filhas tão pequenas.
– Tem uma filha já adulta e duas ainda crianças. Foi um pai diferente para a Tâmara do que é agora para a Violeta e a Sancha?
– Com a Tâmara vivi apenas um ano em família. Depois, todos os outros 30 já foram fins de semana, férias... Com as minhas filhas mais novas vivo desde que nasceram, felizmente! O certo é que já não tenho a mesma idade... Mas há uma coisa comum: elas acham as três que o pai é um enorme chato! [risos]
– Mas é um pai muito ‘galinha’?
– Não, sou um pai preocupado.
– Há oito anos nasceu a sua segunda neta. O que é que sentiu quando foi avô pela primeira vez?
– Por agora a minha visão de avô está muito distorcida, pois como ainda tenho duas filhas muito pequenas estou a viver ao mesmo tempo o papel de pai e avô. Às tantas, as duas coisas misturam-se...
– Três filhas, duas netas... As mulheres estão em franca maioria na sua vida!
– É maravilhoso! Toda a minha vida sempre gostei muito mais de estar rodeado de mulheres! [risos] O universo feminino é muito mais fascinante, sem dúvida!
– O seu último livro, Des­pedida de Casado, é uma espécie de reflexão sobre o amor. Tem sido um homem de grandes paixões?
– Vivo tudo muito intensamente! Não só as relações afetivas, como o trabalho, a própria vida...
– E acredita no amor para a vida?
– Acredito que o amor é a coisa mais importante da vida! Para mim, o amor é uma energia tão palpável como a eletricidade, o magnetismo ou as correntes hidráulicas. Tudo o que fazemos na vida está a fazer eco positivo ou negativo no amor. O amor é uma coisa física, que está presente!
– O seu casamento com a Maria Lucena teve, há cerca de três anos, um interregno. Estas pausas também são necessárias para dar novo alento à relação?
– No nosso caso foi preciso. Foi um momento para onde a vida nos conduziu.
– O que é que ainda lhe falta fazer para ter a sensação de missão cumprida?
– Acho que nunca vou ter essa sensação. Sou um eterno insa­tisfeito!

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