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Sofia Gentil Martins: Paixão pelos animais mudou-lhe a vida

Na reta final da segunda gravidez, a treinadora de animais marinhos esteve com a filha, Maria do Mar, no Jardim Zoológico de Lisboa, onde foi voluntária durante dois anos. Durante esta tarde, a filha do médico António Gentil Martins recordou como foi largar um emprego estável em Portugal e começar uma vida nova noutro continente.

Marta Mesquita
28 de novembro de 2015, 16:00

Para Sofia Gentil Martins, de 39 anos, regressar ao Jardim Zoológico de Lisboa é sempre um motivo de alegria, já que foi aqui que, há oito anos, o seu sonho de treinar animais marinhos começou a ganhar forma. Com um emprego estável na área da contabilidade, Sofia decidiu tornar-se voluntária numa altura em que o Zoo acolheu uma baleia que deu à costa na Nazaré. Depois de dois anos “apaixonantes”, como define esta experiência, a assistente de contabilidade largou a sua vida “certinha” e foi treinar animais para a Repúbli­ca Dominicana, onde conheceu o seu companheiro, o também treinador Benjamin Doshner, pai da sua filha, Maria do Mar, de três anos.
Em Portugal para ter o seu segundo filho, um rapaz, que deverá nascer no final de novem­bro, a treinadora contou como tem sido viver, a milhares de quilómetros de distância, o grande sonho da sua vida.
– Como é que nasceu a sua paixão pelos animais marinhos?
Sofia Gentil Martins – Gosto de golfinhos desde sempre. Contudo, a minha mudança de vida começou há oito anos, quando vim ver o espetáculo dos golfinhos e decidi que queria ser voluntária aqui no Jardim Zoológico. Depois de quase dois anos de voluntariado, deixei o meu emprego e decidi estudar Biologia. Claro que todos me disseram que era completamente doida, que aos 32 anos não era altura para mudar de vida, mas segui o meu instinto. Ao fim do primeiro ano do curso, falaram-me de um workshop no México para aprender a treinar golfinhos. Depois desse workshop o meu treinador desafiou-me para ir estagiar num parque na República Dominicana. Fui e fiquei lá a trabalhar. Foi aí que conheci o meu marido. Passado um ano, fomos trabalhar num centro de interação entre humanos e animais marinhos no México e ainda lá estamos.
– Não lhe custou largar uma vida estável aqui para seguir uma paixão noutro continente?
– Tive muito apoio da minha família e dos meus amigos. No início, o meu pai ficou assustado, porque me viu partir para algo incerto. Contudo, também acha que uma pessoa deve dedicar-se totalmente a uma atividade de que gosta. Por isso deu-me um apoio incondicional. Nunca me arrependi, porque a excitação de trabalhar com os animais vale tudo. Há coisas que são mais complicadas lá: trabalho seis dias por semanas, muitas vezes sem horas para sair, tenho seis dias de férias por ano... É um registo muito diferente. Se surgisse uma proposta de trabalho em Portugal ou na Europa, seria ótimo para mim.
– Como tem sido educar a Maria em duas culturas tão distintas?
– Não é muito fácil, são culturas mesmo muito diferentes. Mas as pessoas lá são muito simpáticas e afáveis, o que torna as coisas mais fáceis. Não perdi os meus costumes, mas adaptei-me. Por vezes, o pai da Maria e eu acabamos por chocar em relação a alguns aspetos da educação dela. Contudo, com diálogo, temos conseguido educá-la entre as nossas duas culturas.
– E o desafio deve ser ainda maior quando se está à espera do segundo filho e já sabe que vai ter de gerir o dia-a-dia de duas crianças sem ajudas familiares por perto...
– Sim, isso é o mais difícil. Mesmo a família do meu marido vive longe de nós. Lá, os infantários estão abertos sete dias por semana e a Maria adora ir à escola, o que facilita as coisas.
– Vive no México, mas faz questão de ter os seus filhos em Portugal...
– Sim, cá sinto-me mais à vontade. Confio mais no nosso sistema de saúde do que no mexicano. Lá, fazem muitas cesarianas e eu prefiro ter um parto normal.
– Vem de uma família numerosa. Gostava de ter também mais filhos?
– Adorava ter uma família numerosa, mas comecei um bocadinho tarde... Gostava de ter três filhos, mas se calhar fico por estes dois.

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