Nas Bancas

Francisca Perez admite: "na moda, quero ir até ao fim do mundo"

Aos 21 anos e ar de menina, não se deixa deslumbrar pelo sucesso, mas gere a carreira decidida a ir o mais longe possível.

Ana Paula Homem
21 de novembro de 2015, 14:00

Filha de um engenheiro e de uma enfermeira e a mais nova de três irmãos, Francisca Perez, de 21 anos, foi convidada para madrinha do espetáculo Intimissimi on Ice, que se realizou na Arena de Verona, a 9 de outubro. A jovem portuense partilhou a red carpet do evento da prestigiada marca de lingerie italiana com top models internacionais, como Irina Shayk ou Eva Herzigova, mas se não pareceu deslumbrada, tão-pouco se mostrou intimidada.
Na manhã seguinte, Francisca deu também nas vistas quando a fotografámos no centro histórico da città de Romeu e Julieta, propício a imagens à altura – 1,80m – da beleza latina desta jovem, que quer ir longe no mundo da moda. Depois de ter terminado, no verão, um namoro de seis meses com o modelo Ruben Rua, Francisca garante que não desistiu de encontrar o seu Romeu.
– Tinha 14 anos quando se tornou modelo. Era um sonho de criança?
Francisca Perez – Na verdade, não queria nada seguir esta área, mas um dia, à saída de um autocarro, fui abordada por bookers que andavam à procura de candidatos para o Modalfa Fashion Dream. Respondi: “Nem pensar!”, e fui-me embora. Mas, como tinha uma prima modelo, a Ana Perez, agenciada pela Alexandra Macedo (diretora da Best Models e conhecida no meio por Xana), conseguiram o meu contacto. E foi a Xana e a minha mãe que insistiram para eu ir ao casting. Como não consigo dizer que não à minha mãe, acabei por ir, mas a rezar para não ficar nas finalistas! Nem me imaginava a andar de saltos altos... Mas fiquei.
– Tinha medo que a moda fosse aquele “mundo cão” de que tanto se fala?
– Sim, como muita gente, tinha uma ideia muito diferente do que é a moda. Mas, como em todas as profissões, há de tudo. Há egos muito grandes e é um mundo de ilusão – hoje estamos numa capa, amanhã ninguém se lembra de nós –, por isso é muito fácil as pessoas chegarem ao pé de nós a gabarem-se do que fizeram para nos rebaixarem. E também não fazia ideia de que podia ser mesmo uma profissão. Mas quando acabei o 12.º ano, e com a minha carreira a ser tão bem gerida pela Xana, percebi que ou me dedicava a 100% à moda ou desistia. E escolhi a moda.
– Portanto, nunca se arrependeu...
– Não! Até porque tenho tido muita sorte. A nível nacional, sempre trabalhei com equipas excelentes, e a Xana foi-me preparando aos poucos, pôs-me a fazer desfiles com menos visibilidade antes de me mandar para uma ModaLisboa ou um Portugal Fashion. E a nível internacional, uma das primeiras campanhas que fiz foi para a estilista da Lady Gaga (a sueca Nina Jarebrin). Ia fazer 15 anos e não fazia ideia do que era uma campanha! Começámos às três da manhã, porque queriam fotografar o nascer do sol, e acabámos à noite. Lembro-me de que pensei: “E se na próxima semana tiver que fazer outra coisa assim?! Não vou aguentar!” Mas isso deu-me logo grande projeção e estaleca!
– O que prefere, passerelle ou fotografia?
– Não consigo escolher. As sessões fotográficas são giras, porque nos permitem interpretar personagens, os desfiles têm muito mais adrenalina, mas sei que ali não somos estrelas, somos literalmente cabides com o objetivo de vender a roupa.
– Como foi estar pela primeira numa passerelle?
– Ai, estava supernervosa, tinha as mãos suadas, sentia mesmo a adrenalina a ser libertada! Mas tentei abstrair-me e pensar noutras coisas. Porque quando estou em passerelle consigo ouvir tudo o que se diz à minha volta. E ouvem-se coisas boas e más... Ora, aos 14 anos, quando ainda não se tem a autoestima consolidada, isso pode fazer mal...
– Entretanto, hoje a moda é mesmo a sua profissão e já tem uma projeção considerável. Como foi receber o convite da Intimissimi?
– Foi incrível! Estava na Semana da Moda de Milão quando soube, mas preferi nem pensar nisso na altura. Porque, além de aprendermos a trabalhar o corpo, também temos que trabalhar a cabeça, mantê-la focada em cada etapa. Mas este convite foi um passo muito grande, e é muito bom partilhar espaços com grandes nomes da moda internacional.
– E isso não parece intimidá-la nada!
– Desde que comecei a viajar, tem-me calhado muitas vezes trabalhar com nomes grandes e tento pôr-me na mesma posição, porque se me deixar apagar vou ser anulada.
– Como é que aos 21 anos se tem essa maturidade? Foi por ter começado tão cedo ou houve aí um trabalho dos seus pais?
– As duas coisas. Em alguns aspetos, sempre fui muito independente. Como comecei a trabalhar aos 14 anos, nunca tive semanada e aprendi cedo a gerir o meu dinheiro. Depois, comecei a viajar sozinha muito nova e isso deu-me um mundo completamente diferente daquele que teria se tivesse ficado numa faculdade. Por outro lado, sou muito dependente em termos de afetos. Quando estou fora, sinto muita falta da minha casa, dos meus pais... Por isso, quando estou no Porto, tento aproveitar ao máximo o tempo em casa.
– Não tem horários, anda sempre com a casa às costas, passa horas em provas de roupa, maquilhagem, penteados. Parece quase a vida de um atleta de alta competição...
– Pois, e é por isso que a cabeça é importante: quando estamos a trabalhar, temos de nos focar no imediato e abstrairmo-nos do resto.
– Seria muito fácil deslumbrar-se, mas não se nota em si um pingo de vaidade.
– Porque sei que não é fácil chegar lá acima mas é muito fácil cair. E que o mais difícil é manter. Mas atenção, não tenho um limite, não digo: “Aqui quero parar.” O meu objetivo é ir o mais longe que conseguir. O meu objetivo é o mundo!
– Antes do mundo, qual o próximo objetivo?
– Em termos internacionais, gostaria, por exemplo, de fazer uma campanha Dolce & Gabanna. Adoro!
– Mas em Verona desfilou um modelo de um criador português, o Diogo Miranda...
– Não fazia sentido trazer roupa de um estilista internacional quando temos em Portugal talentos que nos representam tão bem, como o Diogo, o Miguel Vieira, o Luís Buchinho...
– Tem muitos cuidados com o corpo? É magra, mas não anorética.
– Tenho uma boa genética e cumpro com as medidas necessárias para as Fashion Weeks, mas tenho ancas largas e nunca vou ser escanzelada, sei que perco se ficar muito magra, por isso aprendi a aceitar o meu corpo como é. Faço ginásio, para manter o corpo e a cabeça em forma, e em termos de alimentação sempre gostei de comida saudável, mas de vez em quando também faço uma extravagância.
– O facto de ser bonita, bem sucedida e independente não assusta os homens? Ou, pelo contrário, é muito assediada?
– Para ser sincera, do grupo das minhas amigas nunca fui a mais assediada. Ou, se era, não me apercebia. [Risos.] Sempre fui mais a confidente dos meus amigos.
– Assume que ainda está à procura do grande amor?
– Estou, claro! Acredito no amor, até porque fui educada assim. Sobretudo pela minha mãe. O meu pai sempre teve muito presente o seu papel de educador e tem uma postura mais rígida, mas a minha mãe sempre foi um coração mole, passamos o tempo agarradas uma à outra, temos uma relação muito próxima, todos os dias falamos horas a fio. E isso é mesmo importante: sentir-me amada.
– O seu namoro com o Ruben Rua foi público, até porque este ano foram juntos aos Globos de Ouro, para os quais estavam ambos nomeados. Conseguiram ficar amigos depois da relação acabar?
– Quando as pessoas têm as coisas bem resolvidas e percebem que não eram compatíveis, conseguem manter uma amizade, respeito mútuo e, no nosso caso, um laço profissional. Porque vamos ter que trabalhar juntos!
– Um dia, faz parte dos planos ter filhos?
– Sim, claro! Sou muito nova, mas mais tarde gostava de ter uma família o maior possível.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras