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Miguel Vieira em Milão: “Chegarei aos 50 anos com muito mundo, muita vida”

Depois do seu desfile na Milano Moda Donna Fashion Week, o 'designer', de 49 anos, falou-nos dos seus sonhos e das saudades que tem do pai, que morreu em fevereiro de 2014.

Cristiana Rodrigues
1 de novembro de 2015, 12:00

Miguel Vieira fez de cicerone na cidade italiana e mostrou-nos alguns dos locais mais emblemáticos enquanto ia dizendo que se identifica bastante com Milão e os seus habitantes e que um dos seus sonhos estava finalmente cumprido: mostrar a sua coleção na Milano Moda Donna Fashion Week. Facto que agradece ao Portugal Fashion, pois apesar de já ter tido alguns encontros aparentemente bem sucedidos com a organização do certame para integrar o calendário, esta acabava por reprovar a entrada de estrangeiros naquela que é a semana da moda mais importante do calendário internacional depois de Paris. O designer, natural de São João da Madeira, onde tem o seu ateliê, confessou que outro dos seus sonhos é matricular-se na faculdade para fazer um curso de arquitetura. Quem sabe não o fará aos 50 anos, data que comemora para o ano. Mas a conversa não se esgotou aqui. Falámos ainda sobre a doença que há 13 anos o obrigou a abrandar o ritmo e da morte do pai, há mais de ano e meio.
– Em abril faz 50 anos. É preciso fazer um balanço?
Miguel Vieira –
Fiz um pequeno balanço há três anos, quando estava a ver na televisão a final dos Jogos Olímpicos e eles disseram: “até 2016”. Foi quando parei e pensei que nessa altura eu já teria 50 anos. 50 anos bem vividos. Aproveitei muito para viajar, rodeei-me de pessoas que adoro e de coisas bonitas. Chegarei aos 50 anos com muito mundo, muita vida.
– E com algumas lacunas?
Não. Enveredei por uma profissão que me absorve, que me obriga a trabalhar muito e que me faz feliz. Embora, confesso, o ar constantemente bem disposto que passo para o exterior nem sempre corresponda à realidade...
– O que é que lhe tira o sorriso?
Pensar que já não tenho o meu pai ao meu lado.
– As saudades aumentam à medida que o tempo passa...
Sim, tenho muitas saudades do meu pai e sei que ele me está a acompanhar... Lembro-me dele todos os dias. Foi um homem exemplar, maravilhoso, um bom pai e sobretudo deu-me muito amor. Era um homem cinco estrelas!
– Deixou alguma coisa por lhe dizer? Que o amava, por exemplo?
Nada. Sou de abraços e beijos e digo às pessoas da minha família o quanto gosto delas.
– Sente-se neste momento ainda mais protetor da sua mãe?
Sempre estive muito perto dela. Somos um núcleo muito forte. Não passo um dia sem falar com a minha mãe.
– Há 13 anos passou por uma fase menos boa da sua vida, quando descobriu que tinha um cancro.
Já passou, não gosto de falar nisso e o que interessa é que hoje estou bem.
– Compreendo, mas faz exames regularmente? Vive com essa sombra?
Sou otimista. O que passei acho que não vou voltar a passar e o que tinha de me acontecer já aconteceu.
– O que é que retirou desse momento?
Aprendi a ter muito respeito pelas pes­soas, a não andar em bicos de pés. Percebi que independentemente da posição que se ocupe na vida, precisamos todos uns dos outros.
– Algum dia se deslumbrou?
Não sei se não senti um certo deslumbramento há muitos anos quando fiz pela primeira vez a Semana da Moda de Paris. Mas no dia em que eu apresentava a minha coleção havia o desfile da Dior e a apresentação do perfume da marca, e a imprensa internacional acabou por não ir ver o meu desfile. Portanto, se por momentos poderei ter achado que tinha o mundo aos meus pés, a sensação durou poucos minutos [risos].
– Estar aqui em Milão a apresentar a sua coleção é uma vitória?
Há 27 anos que comecei a subir uma enorme escadaria. E tenho subido passo a passo, com esforço e paixão, e por isso cada degrau que alcanço é saboreado de uma forma muito especial. Estar aqui não é o topo. Ainda me faltam muitos degraus.
– Foi deixando para trás ambições pessoais?
Não. Tinha vários caminhos para seguir mas escolhi este, consciente de que isto ocuparia grande parte da minha vida.
– Mas poderia, por exemplo, ter seguido outra carreira?
Sim. Todos os anos penso que vou inscrever-me no curso de arquitetura. Acho que poderia dar um bom arquiteto. Quem sabe, um dia...

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