Nas Bancas

Fátima Lopes: “Nunca tive pressa de crescer ou de ter sucesso”

A apresentadora comemora 21 anos de carreira na televisão e 10 anos de casamento com Luís Morais.

Cláudia Alegria
25 de outubro de 2015, 14:00

Enquanto praticante de atletismo, Fátima Lopes destacou-se como velocista, mas é como maratonista que quer fazer história, tanto na sua vida profissional como pessoal. Com uma carreira de 21 anos ligada à televisão, 18 dos quais a fazer programas diários, a apresentadora, de 46 anos, sente-se jovem e com energia para continuar o seu percurso de forma tranquila, sem grandes sobressaltos, mas com o objetivo de chegar sempre um pouco mais longe e nunca esquecer o espírito de missão cumprida. O último desafio profis­sional surgiu há precisamente um mês, quando estreou Pequenos Gigantes, um programa de talentos artísticos protagonizado por crianças e que marca o seu regresso ao horário nobre. Um desafio que diz só ter aceitado por considerar que o filho, Filipe, de cinco anos, está mais preparado para lidar com as ausências da mãe. À CARAS Fátima falou ainda do seu casamento de dez anos com o enfermeiro Luís Morais e revelou que a filha mais velha, Beatriz, de 15 anos, tenciona seguir a área de Medicina.
– Voltar ao horário nobre era um desejo?
Fátima Lopes
– Sim. Nunca fiz disso um finca-pé, porque fazer um programa diário de muitas horas já é exigente e temos que pensar se estamos preparados para as horas que vamos precisar para mais um projeto. Contrariamente ao que as pessoas pensam, não fui para a TVI para fazer prime time. Na altura o meu filho tinha um ano e pouco, eu já ia fazer um programa diário de quase três horas, fora as reportagens extra, e há prioridades das quais não abro mão, uma delas os meus filhos. Enquanto o meu filho não teve uma idade em que já conseguisse perceber melhor quando a mãe tivesse que se ausentar ao fim de semana, como agora acontece, achei que não o deveria fazer. Quando na minha cabeça passou a fazer sentido, o que aconteceu no final do ano passado, falei com o meu diretor de programas e pouco tempo depois, em janeiro, disseram-me que tinham um programa que achavam que era a minha cara. E era mesmo, portanto, estou super feliz.
– Mas não deve ser fácil lidar com emoções de crianças muito pequenas...
Não é fácil, mas também não é o fim do mundo, porque elas também têm de lidar com o ‘não’ nas suas vidas. Aliás, os psicólogos insistem junto dos pais para a importância do ‘não’. As mais pequeninas são as que não valorizam tanto a saída, porque já se divertiram durante umas semanas, fizeram novos amigos e vão felizes e contentes para o colo dos pais. São os mais crescidos, de 11 ou 12 anos, que têm outras expectativas e reagem de forma mais emocional,
o que também é normal. Faz parte da vida e encaro isso com toda a naturalidade, sem dramas.
– No entanto, e sendo mãe, deve ficar com um nó na garganta ao ver a desilusão nos olhos das crianças?
Cria um nó na garganta. Normalmente, quando percebo que estão a sofrer, vou ter com eles, abraço-os e dou-lhes beijinhos, mas também não é o meu papel, nem o dos pais, fazer aumentar isso. As coisas têm a dimensão que têm. Como diz o Manuel Luís Goucha, isto é só um programa de televisão, não é a vida deles. A própria Rita Pereira e o David Carreira já contaram que ao longo da vida ouviram muitos ‘nãos’ nos castings, mas chegaram lá. Vamos lá tirar as crianças de redomas. As lágrimas fazem parte do crescimento e têm que existir. Sou afetiva e muito emocional, mas não sou piegas e não alinho em pieguices. E os pais sabem que sou sempre um colo gigante para os filhos deles, porque olho para os seus olhos e puxo-os muitas vezes para os ouvir e dar-lhes conselhos.
– O seu filho acabou de entrar para uma nova escola. Também lhe deu esse colo gigante no primeiro dia de aulas?
Na véspera, quando percebi que ele estava nervoso e me confessou que tinha medo de ter vergonha, falei com ele e disse-lhe que ia encontrar imensos amigos que vinham da antiga escola. E a verdade é que quando chegou a casa vinha todo entusiasmado porque, sendo uma criança muito sociável, já tinha feito um montão de novos amigos. E eu não estava menos nervosa do que ele porque, tal como os outros pais, quero que ele viva o maior número de emoções positivas que lhe for possível, portanto, procurei fazer tudo para que isso acontecesse: passei a manhã na escola, como os outros pais, e fui a sua base de conforto.
– A Beatriz também é assim sociável?
É uma miúda de muito fácil contacto, muito comunicativa e simpática.
– Ela está com 15 anos. Já sabe que ca­minho quer seguir?
Para já, quer seguir a área de saúde.
– Influenciada pelo Luís?
O Luís nunca a procurou influenciar mas talvez ela se tenha deixado fascinar pela área do Luís.
– Este ano comemora 21 anos de carreira. Calculo que faça um balanço positivo?
Sim, e com uma coisa que digo muitas vezes, que é respeitar o relógio e a linha do tempo. Não procurem antecipar etapas, pois não vai dar bom resultado; não procurem queimar caminhos porque querem chegar já ali. Até podem chegar lá antes do tempo, mas porque saltaram coisas que tinham que ter vivido e saboreado, quedas que tinham que ter dado, não vão saborear as coisas da mesma maneira. Portanto, tenham paciência com a vida, pessoal e profissional. E se olharem para os meus 21 anos de carreira, não veem picos: é uma constância, sempre calmamente a subir, muito calmamente, até. Vou fazendo as coisas de forma sustentada. Nunca tive pressa de crescer ou de ter sucesso. Tive sempre o cuidado de plantar, regar e esperar que crescesse.
– E os dez anos de casamento têm sido assim também? Sem pular etapas, sem grandes auges mas de uma forma constante que vos permitiu chegar à primeira década juntos?
Construir um casamento, uma relação ou uma carreira é sempre uma grande maratona e um maratonista sabe que tem de gerir a sua energia desde o princípio para conseguir chegar ao fim. Sabe que há fases do percurso que lhe vão custar um bocadinho mais, outras em que consegue acelerar porque o terreno é propício, e há fases em que tem de diminuir o ritmo porque o terreno é mais acidentado e encontra mais obstáculos. Agora, estás disposta a ser uma maratonista ou queres ser velocista? Eu continuo a pensar como uma atleta. Fui velocista, mas a vida ensinou-me a ser uma maratonista, provou-me que tenho paciência de maratonista.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras