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Madalena Alberto fala do seu sucesso nos palcos londrinos

Aos 17 anos, quando partiu para Londres, com uma bolsa de estudo, Madalena nunca pensou que seria protagonista de alguns dos musicais de maior êxito mundial.

Andreia Cardinali
11 de outubro de 2015, 14:00

Aos 17 anos, foi vista a dançar na Escola de Dança Ana Mangericão, em Cascais, por elementos do Doreen Bird College que a convidaram para fazer uma licenciatura em Performing Arts naquela escola londrina. Catorze anos depois, Madalena Alberto é uma das estrelas do West End, a zona onde estão reunidos os melhores teatros e salas de espetáculos da capital britânica, e do seu currículo constam, entre outros, os papéis de Édith Piaf, em Piaf e de Eva Perón em Evita. Mas também teatro dramático, nomeadamente a peça The Vote, ao lado de atores consagrados como Judi Dench e Jude Law.
Em Lisboa para visitar a família e os amigos, a atriz falou à CARAS do seu percurso e dos seus planos para o futuro, que incluem continuar a apostar na sua carreira como atriz, cantora e compositora, mas também abraçar novos projetos na área da televisão e do cinema.
– A dança e o teatro surgiram muito cedo na sua vida...
Madalena Alberto –
Sim. Ti­nha seis anos e já fazia dança. A isso juntava-se também, de vez em quando, a expressão dramática. Nunca quis ser bailarina, mas não sei bem porquê, fui ficando. Dava-me muito gozo estar em palco e mais tarde vim a perceber que mais do que a dança, isso tinha a ver com a minha vontade de contar histórias. Os musicais surgiram muito mais tarde e nem imaginava que era isso que faria na vida [risos]!
– Essa oportunidade surgiu com um convite para ir para Londres estudar...
Sim, e foi muito inesperado. Eu não sabia que cantava e nem sabia que eles estavam de olho em mim. Pediram-me para cantar, fize­ram-me o convite e arranjaram-me uma bolsa de estudo... era uma proposta irrecusável. Continuei a fazer dança, mas aprendi muito nesse curso e entrei para o mundo dos musicais exatamente por causa disso.
– E como foi a sua adaptação a Londres?
Sempre achei que estava lá só para estudar, a minha casa era aqui, e é curioso que passados tantos anos continuo a sentir o mesmo. Nunca senti que emigrei.
– Como é que passou de estudante a estrela do West End?
Foi um processo natural. Quando acabei o curso arranjei um agente e comecei a fazer audições. Não sei bem como, mas acabei por ser a única rapariga do meu curso a trabalhar no West End. A competição é muito grande e acho que ser estrangeira foi uma mais-valia para mim. Sei que muitas das personagens que me foram atribuídas tiveram a ver com o facto de eu não ser inglesa.
– Foi o caso da Evita?
Sim, tal como da Piaf... O meu primeiro trabalho foi no Fame, e a minha voz é diferente daquilo a que eles estão habituados. A minha voz era tão crua quando lá cheguei que se tornou mais fácil de trabalhar. Aquilo que sinto foi que todas as personagens que fiz me levaram à Evita, porque ela é muito completa e, a nível vocal, é das mais difíceis tecnicamente. E fazê-la oito vezes por semana, durante duas horas, é muito exigente! Uma pessoa acha que ser estrela do West End é estar rodeada de glamour, mas não é bem assim. Continua a ser sempre uma vida difícil e de luta. E é isso que dá gozo.
– Há a possibilidade de prota­gonizar Chicago...
Sim, mas ainda estamos naquela fase em que os produtores estão a perceber se preferem alguém conhecido do West End, uma west end leading lady, ou alguém da televisão que chame mais pessoas à bilheteira.
– Entretanto, tem dado concertos a solo por vários países. É aí que se sente mais completa?
Sinto-me completa a fazer muitas coisas e essa é uma delas. Claro que nos meus espetáculos a solo sou muito mais eu e sinto-me mais descontraída.
– Apesar de estar em Londres há mais de uma década, diz que Portugal é a sua casa. Tem vontade de trabalhar cá?
Adorava! Não tenho planos para me mudar para cá, mas tenho imensa vontade de trabalhar em cinema, fazer pequenas participações em novelas, dar concertos... mostrar como sou versátil. É uma questão de oportunidade.
– Os atores de musicais ficam muito colados a esse género, mas a Madalena já teve a oportunidade de fazer a peça The Vote...
É verdade! Não é fácil lidar com esse preconceito, mas espero que a participação em The Vote me ajude a ultrapassar esse estigma.
– Percebe-se que apesar do seu sucesso mantém os pés bem assentes na terra…
Tem a ver com a educação, e a verdade é que mesmo quando estou nesses papéis e subo ao palco não sinto que esteja a fazer algo de extraordinário, é o meu trabalho... Sou muito dedicada e acho que há sempre mais para se aprender e fazer.
– Com tanta dedicação, sobra-lhe tempo para a vida pessoal, para namorar?
Para namorar nem por isso, mas para estar com os amigos e as pessoas de quem gosto, sim. Acho que quando se gosta de alguma coisa há tempo para tudo.

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