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Pedro Seabra: Uma nova alma do fado

Em criança, Pedro percorreu casas de fado na companhia da mãe, Catarina Flores. Agora chegou a vez de o fadista brilhar e fazer ouvir o seu timbre rouco.

Cláudia Alegria
10 de outubro de 2015, 12:00

Filho de dois apaixonados por música, Catarina Flores e Pedro Seabra, Pedro Seabra cresceu a ouvir cantar e tocar vários géneros musicais. No entanto, a emoção que sentiu ao ouvir, pela primeira vez, um disco de fados despertou em si uma paixão que tem perdurado ao longo dos anos. E nem o tempo que passou fora de Portugal – formou-se em Gestão Hoteleira em Espanha e fez estágios em Paris e Marrocos – conseguiu minorar este seu interesse. Pelo contrário, passou a cantar mais fados melancólicos e deu-lhe a convicção de que é em Portugal que quer construir o seu futuro, pessoal e profissional.
– Catarina, parece que foi com um disco que tinha em sua casa que suscitou este interesse do seu filho pelo fado?
Catarina Flores –
Devia ser o único disco de fados que eu tinha, porque na altura não ouvia fado! Ele teria uns dez anos e começou por cantar em casa, depois as professoras começaram a dizer-me que ele cantava fado... Já mais velho, e porque o fado se aprende na rua, nas tascas e casas de fado, vinha com ele para Alfama. Foi assim que conheci a Mariza, a Carminho e vários outros fadistas que hoje em dia são meus amigos. Fui aprendendo a gostar de fado e agora adoro e oiço imenso em casa.
Pedro Seabra – A minha mãe é uma entusiasta por música, tem uma coleção enorme de DVD organizados por ordem alfabética, e quando descobri aquele disco, uma antologia do fado, comecei a cantarolar uns fados. Entretanto, a professora de música ouviu-me cantar nos corredores e convidou-me para cantar num concerto que ia haver na escola para professores estrangeiros.
– Foi a primeira vez que atuou para uma plateia. Ficou nervoso?
– Bastante, mas correu bem. Foi a partir daí que comecei a pedir para ir a casas de fado.
– Não era muito comum os miúdos da sua idade gostarem de ir aos fados?
– É verdade, mas até acho que consegui despertar o interesse pelo fado em muitos dos meus amigos.
– Entretanto, passou cinco anos fora do país, mas sempre que surgia a oportunidade, pegava na sua guitarra e cantava fados?
– Exatamente. Antes de ir embora conheci o [agente] João Pedro Ruela e cheguei a gravar uma maquete de fado, acompanhado pelos músicos Diogo Clemente e Ângelo Freire, mas depois ficou tudo em stand by. Depois do curso fiz estágios em Barcelona, Paris, Marrocos e Courchevel e sempre que podia claro que mostrava o fado ao mundo. Acho até que, pelo facto de ter estado fora, fui ganhando mais gosto pelo fado e foi crescendo a minha vontade de regressar a Lisboa.
– E começou a interessar-se também por fados que cantassem a saudade?
– Exatamente. Os fados que canto hoje em dia são muito mais melancólicos.

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