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Joana Duarte desabafa: “Sei que fiz muitas escolhas menos acertadas”

Após um ano e meio a trabalhar como assistente de bordo, a atriz faz a série ‘Bem-Vindos a Beirais’.

Andreia Cardinali
10 de outubro de 2015, 10:00

Joana Duarte iniciou-se na representação aos dez anos, na sitcom Uma Casa em Fanicos. Hoje, aos 28, mantém a paixão pela representação, mas imagina-se a fazer outras coisas, já que não receia ‘arregaçar as mangas’ e trabalhar. Foi o que fez durante o ano e meio em que trabalhou como assistente de bordo numa empresa privada de jatos, que a levou a percorrer o mundo e a ter algumas das melhores e mais completas experiências da sua vida. Decidida a arrumar essa fase e a voltar a vestir outras ‘peles’, regressou a Lisboa há um ano e pouco depois começou a gravar a série da RTP Bem-Vindos a Beirais. A seu lado em todos os momentos tem contado com o apoio do namorado, o surfista profissional Alex Botelho, de 24 anos, com quem namora há três anos.
– O trabalho de assistente de bordo foi uma opção ou uma necessidade?
Joana Duarte – Acho que ambas. Estive um tempo parada, depois apresentei um programa na Fuel TV e decidi tirar um curso de assistente de bordo para trabalhar numa companhia privada que viajava pelo mundo: como adoro fazê-lo e ainda não tenho filhos nem nada que me prenda, achei que seria o ideal. Já estava há algum tempo parada na área da representação e acabei por embarcar nessa aventura. Mas sei que isso também me impediu de fazer mais novelas.
– Essa aventura fê-la crescer?
– Muito. Viajar em lazer já alarga os horizontes e quando se está em trabalho e a nossa base é fora de casa, ainda mais. Estive no Paquis­tão, no Afeganistão, cinco meses na Arábia Saudita e vi muita coisa. Vi cenários de guerra... muita coisa mesmo. Também estive em Nova Iorque, tudo sítios muito distintos que trazem uma experiência grande.
– Como foi viver num país como a Arábia Saudita, onde as mulheres são tratadas de maneira tão particular?
– Foi difícil. Tinha de andar de burka, completamente tapada, os homens não falam às mulheres e somos bastante mal tratadas. Acima de tudo, é um grande teste ao teu ego, já que para eles não vales nada, nem sequer existes. Vi coisas que pensava não existirem... Lá, enforcam-se e lincham-se pessoas em praça pública!
– Nessas ocasiões nunca achou que foi um erro entrar nessa aventura?
– Claro que pensei, até porque queremos sempre aquilo que não temos. Mas não me arrependo, foi muito enriquecedor.
– Tornou-a mais madura?
– Sem dúvida, cresci muito e, curiosamente, tornou-me mais próxima dos meus pais e fez-me dar mais valor a Lisboa. Passou a ser o meu aeropor­to preferido, porque estava a voltar a casa.
– E porque decidiu voltar para casa?
– Chamaram-me para uma operação na Nigéria e eu não quis ir porque foi na altura do ébola. Recusei e decidi regressar. Voltei em agosto do ano passado e surgiu o convite para integrar o elenco da série Bem-Vindos a Beirais, onde ainda estou.
– Regressar à televisão propor­cionou algum receio?
– Sem dúvida. Inicialmente tinha muita dificuldade em decorar os textos, tinha perdido o hábito, mas em pouco tempo entrei nos eixos [risos]. Estou a gostar muito, em Beirais somos mesmo todos uma família, ajudam-se todos muito uns aos outros. Já não me via em televisão há algum tempo, mas estou a adorar e o feedback também está a ser muito positivo.
– Preocupa-a a eventualidade de não ter trabalho?
– Sinceramente, não. Claro que poupo, ou melhor, gasto menos para as alturas em que isso acontece, mas se eu deixar de trabalhar como atriz, não vou ficar sem trabalho. Não tenho medo de trabalhar no que quer que seja. Todos os trabalhos têm valor e é preciso é ter saúde para isso. Não tenho vergonha nenhuma de estar atrás de um balcão, como já fiz. Recuso-me a ficar depressiva em casa à espera de trabalho. Se não há aquele trabalho, há de haver outro.
– Vive com o Alex, com quem namora há três anos. É o seu maior fã?
– Ele tem acompanhado todo o meu percurso, é muito querido e apoia-me imenso. Acima de tudo, somos os melhores amigos e ele ajuda-me em muitas decisões importantes.
– O casamento e os filhos fazem parte dos planos a longo prazo?
– Claro que sim, mas ao mesmo tempo tento não me preocupar com aquilo que a sociedade nos tenta impor. Não faço planos, será quando tiver de ser. Ainda há muita coisa que quero fazer e sei que os filhos cortam parte da liberdade. Ainda não me sinto preparada [risos].
– É jovem, mas começou a trabalhar muito cedo. Que balanço faz da sua carreira na
representação?
– [risos]. Acho que geri tudo mal, era miúda e acho que é normal que isso tenha acontecido, mas a minha vida podia estar completamente diferente.
– O que quer dizer com ter gerido tudo mal?
– Na altura dos Morangos com Açúcar tive um boom e muitas das coisas que vieram daí deixaram-me um pouco assustada. Era miúda e disse e fiz coisas que não queria e tinha toda a atenção sobre mim. Nem percebia por que fazia determinadas coisas, estava somente a viver o momento. Sei que fiz escolhas menos acertadas, mas não me arrependo de nada. Fez-me bem estar afastada.

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