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Daniela Hanganu: “Na moda as coisas nunca são como imaginamos”

Já desfilou para a Chanel, esteve nomeada para um Globo de Ouro e percorreu algumas das mais famosas ‘passerelles’ do mundo. Aos 18 anos, a manequim prepara a sua carreira internacional.

Andreia Cardinali
3 de outubro de 2015, 14:00

Com apenas 18 anos, Danie­la Hanganu é uma estrela em ascensão no mundo da moda. Já desfilou para a Chanel e atravessou algumas das passerelles mais importantes do mundo. Esteve nomeada para um Globo de Ouro este ano, mas não ficou triste por este ter sido atribuído a Sara Sampaio: reconhece que a vitória foi merecida e sabe que o seu momento também chegará.
Filha de pais moldavos, que vieram para Portugal há 13 anos, Daniela tem muito orgulho no seu percurso e em tudo aquilo que os pais lhe têm ensinado. Humilde, tímida e muito atenciosa, a modelo falou dos sonhos que tem.
– Deixou a Moldávia aos cinco anos. Os seus pais vieram em busca de uma vida melhor?
Daniela Hanganu –
Sim, os meus pais eram ambos professores e o meu pai entretanto decidiu tornar-se jurista, mas no último ano do curso deixaram de ter dinheiro para pagar a faculdade. Foi aí que decidiram vir para cá. A ideia era virmos por uns meses, mas acabámos por ir ficando... até hoje. Apesar de o meu pai gostar muito da Moldávia, queria uma vida melhor para mim e a minha irmã, que nasceu entretanto. Comprámos casa e já temos tudo organizado por cá...
– Mora cá há 13 anos. A adaptação foi difícil?
Muito difícil. Não sabia a língua, os miúdos da escola gozavam comigo, era posta de parte... Ser imigrante é muito complicado. Só agora, nos últimos anos, é que me senti mais enquadrada e ganhei alguns amigos.
– Os seus pais tiveram de fazer muitos sacrifícios...
E ainda têm. Passaram a ter uma vida totalmente diferente. Deixaram de ser professores, a minha mãe é empregada doméstica e o meu pai condutor de camiões. É um pouco triste... São um grande exemplo de força e determinação para mim e para a minha irmã. Ensinaram-nos a nunca baixar os braços e a lutarmos por aquilo que queremos.
– Como surgiu a moda na sua vida?
Em pequena dizia que queria ser atriz de cinema, uma estrela de Hollywood... Com o passar dos anos comecei a ver revistas e a deixar-me encantar pela moda. Surgiu a oportunidade de entrar para a Central e desde então que não quero outra coisa [risos].
– Consegue transformar radicalmente esse ar de menina nas fotografias e nas passerelles...
É fruto de muito trabalho, há uma enorme equipa de profissionais que trata do cabelo, da maquilhagem e escolhe a roupa certa. Depois, encarno uma personagem, tenho de ser quem o cliente pede, pois estou a vender o seu produto.
– Consegue não se deixar iludir com esse mundo?
Acho que a base familiar é o mais importante. Os meus pais é que me lembram de onde vim, onde estou e para onde quero ir. Sei bem que os momentos glamorosos são muito poucos e que devemos ter os pés bem assentes na terra.
– Mas já tem tido momentos desses, como o desfile para a casa francesa Chanel...
Sim [fica envergonhada]. Não estava à espera de conseguir ficar com o desfile. Neste mundo da moda as coisas nunca são como imaginamos e tento não planear nada. Penso só no presente... Por isso fui apanhada de surpresa e fiquei muito feliz.
– Os seus pais têm-na apoiado sempre?
Desde o início. Eu queria muito isto, comecei aos 13 anos e eles nunca me acompanharam nas sessões. Isso fez-me crescer e deu-me independência. Na temporada que passei em janeiro em Paris, foi fundamental essa forma de estar, pois ajudou-me a desenvencilhar-me. Agradeço-lhes
pela liberdade que me deram e que me tornou mais madura.
– Acabou o 12.º ano. E agora?
Agora vou apostar durante um tempo na minha carreira no estrangeiro, já que tive bons resultados escolares. Vou aguardar para ver o que o futuro me reserva e continuar a trabalhar no duro para conseguir subir a escadaria do sucesso. Foi muito difícil equilibrar a escola com a moda, mas tenho sempre em mente que a moda é temporária, que quando terminar tenho de ter uma profissão.
– E que profissão poderia ser essa?
Gostava de ser gestora. Adoro a área da moda e gostava de gerir uma empresa ligada ao ramo.
– Está preparada para deixar a família em busca do seu sonho?
Sim, vai custar e sei que terei muitas saudades, mas todos temos de abandonar a nossa zona de conforto para conseguir algo que desejamos.
– O que gostava que o futuro lhe trouxesse?
Gostava de ter uma carreira como a da Sara Sampaio [risos]. Ela conseguiu o que nenhuma portuguesa conseguiu até agora. É a primeira manequim portuguesa a ser angel da Victoria’s Secret e um dia gostava de chegar lá. Gostava de ser manequim de alta costura mas também ter o lado comercial que a Sara tem.
– Apesar de não ter ganhado o Globo de Ouro, que perdeu precisamente para a Sara, ficou contente por ter sido nomeada?
Não estava nada à espera e fiquei muito feliz, a minha mãe, quando soube, até chorou. Sempre quis estar nomeada e imaginava-me já de vestido comprido, na passadeira vermelha, e foi tudo o que idealizei, foi uma noite memorável. Foi maravilhoso ver o brilho nos olhos dos meus pais. Ter perdido para a Sara foi natural, porque ela merece muito.

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