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Ângelo Rodrigues revela o seu lado mais romântico: "A Iva é o meu porto seguro"

Numa manhã passada no coração de Lisboa, o ator partilhou os valores que têm pautado a sua vida.

Marta Mesquita
3 de outubro de 2015, 12:00

Na televisão, e agora no palco, na peça Don Giovanni, em cena no Teatro Thalia, Ângelo Rodrigues é o galã, um sedutor que não deixa nenhuma mulher indiferente. Contudo, na sua vida de todos os dias o ator, que está prestes a completar 28 anos, é reservado e até um pouco “solitário”, como admite. É também um homem que valoriza a estabilidade emocional e é com orgulho que partilha que vive uma relação feliz com Iva Domingues há quase cinco anos.
Sendo um “eterno insatisfeito”, como se descreve, o ator não se acomodou ao lugar de destaque que já alcançou entre os artistas da sua geração e foi com esforço e perseverança que conseguiu conciliar a sua licenciatura em Teatro com as constantes solicitações profissionais. Tendo como mote a sua interpretação em Don Giovanni, Ângelo conversou com a CARAS, revelando quem é longe das luzes da ribalta.
– Dar vida a um dos clássicos mais adaptados no mundo inteiro deve ser exigente...
Ângelo Rodrigues
– Sim, sobretudo porque se trata de um texto com linguagem do século XVIII, o que é uma espécie de colete de forças, porque dificulta a improvisação. Só tivemos cinco semanas de ensaios e vi-me no meio de três projetos, já que estava também a gravar a novela Poderosas e ainda tinha o exercício final da minha licenciatura, a peça Os Condenados.
– É penoso para si ficar total­mente dedicado ao trabalho ou é uma situação que aceita de bom grado?
– Nesta altura, trabalhava 16 horas por dia, o que acabava por ser extenuante. Foi quase um processo esquizofrénico. Mas quando surgiu o convite para o Don Giovanni, percebi que era uma oportunidade que não poderia perder. O teatro é a raiz de um ator. É no teatro que os atores têm de dar provas.
– Mas sente que, enquanto ator, o teatro lhe dá ferramentas que a televisão não dá?
– O teatro dá-nos uma humildade que talvez a televisão nos tire. O facto de estarmos em contacto com o público e de não podermos repetir a cena é algo que nos humaniza. E o teatro permite-nos interpretar clássicos que nunca chegam à televisão.
– Foi difícil terminar a sua licenciatura em Teatro?
– Foi um processo muito difícil, porque em cada ano da licenciatura estive a fazer uma novela diferente. Conseguir terminá-la foi a minha maior vitória. E no último ano do curso, pensei logo: “Onde é que vou fazer o mestrado?” [risos]
– Sente-se sempre insatisfeito com aquilo que já alcançou?
– Sim, o que me permite evoluir é esta minha insatisfação crónica, que não me deixa estagnar. Tenho sempre vontade de aprender mais, é isso que nos ajuda a distinguirmo-nos dos outros.
– Mas essa insatisfação, essa ânsia de querer mais, pode impedi-lo de desfrutar do presente...
– Esse é um dos meus problemas... Os eternos insatisfeitos não conseguem aproveitar todas as suas vitórias, porque estão sempre concentrados no que ainda querem alcançar. Mas estou a trabalhar para melhorar esse aspeto.
– Não há muitos atores que apostem tanto na formação e que se mostrem tão insatisfeitos com o que já alcançaram. Concorda? Como olha para a atitude da sua classe?
– Sinto que há um estado generalizado de acomodação. Fugir de uma determinada zona de conforto é o que me faz querer estudar e evoluir. Vejo em muitas pessoas da classe aquela atitude de “se estou a trabalhar, por que vou estudar?” E isso faz-me confusão, porque revela uma visão um bocadinho limitada da profissão. Tenho umas ganas e uma ambição de conseguir mais e melhor em tudo aquilo que faço.
– Mas não sente que está a adiar projetos pessoais por causa da sua dedicação à carreira?
– Sinceramente, na fase da vi­da em que estou é-me permitido ser mais ‘umbiguista’ e egoísta. Estou numa fase de expansão em que quero abraçar tudo o que me estimule artisticamente. As vidas são feitas de ciclos e agora tenho de me dedicar à minha profissão. Mais tarde, quando for pai, as minhas prioridades vão mudar.
– Portanto, ainda não sente vontade de ter filhos...
– Para já, não penso em filhos, seria insensato da minha parte. Não quero apressar nenhuma fase da minha vida.
– A Iva está neste momento a viajar sem o Ângelo, que, por sua vez, também já viajou várias vezes sozinho. Há uma grande liberdade e respeito pela individualidade de cada um na vossa relação...
– Completamente. Um dos segredos da nossa relação é respeitarmos o espaço e a liberdade do outro. Isso é o elixir da nossa relação. E, sendo honesto, não resultaria de outra maneira. Vamos fazer cinco anos de namoro e já passámos por muitas experiências juntos. Temos muita confiança um no outro. A Iva é o meu porto seguro e a responsável por me manter sempre os pés no chão. Equilibramo-nos.

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