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Nini Andrade Silva: ‘A minha casa é o mundo, a Madeira é o meu colo’

Com 30 anos de carreira, é considerada uma das melhores ‘designers’ de interiores do mundo.

Joana Brandão
27 de setembro de 2015, 14:00

Com uma das mais prestigiadas e premiadas designers de interiores a nível internacional e, como tal, uma verdadeira embaixadora do que Portugal tem de melhor em termos de criatividade. Aos 53 anos, tem um ateliê no Funchal, outro em Lisboa e, com dois sócios, gere mais uma dezena de outros pelo mundo fora. A comemorar 30 anos de carreira, Nini Andrade Silva abraça atualmente alguns dos seus maiores projetos, assinando a decoração de uma cadeia de sete hotéis na Colômbia e preparando-se para inaugurar o seu design center no Funchal, a concretização de um sonho antigo, como partilhou com a CARAS num encontro que teve como palco o Teatro Hotel, no Porto, um espaço que ‘encenou’.
Nini encara as longas horas que passa nos aeroportos com naturalidade, mas garante que a vontade de regressar ao Funchal é sempre grande. Orgulhosamente madeirense, promove o made in Portugal e os resultados são um imenso reconhecimento do seu trabalho.
– Nasceu no Funchal e estudou em Lisboa. Depois viveu em Nova Iorque, na África do Sul, na Dinamarca e, desde então, nunca parou de percorrer o mundo. Onde se sente em casa?
Nini Andrade Silva
– A minha casa é o mundo, mas o único sítio onde tenho uma casa é na Madeira. Cada vez que saio, levo saudades, e regresso sempre cheia de vontade. Digamos que a Madeira é o meu sítio, o meu pouso. De resto, sou uma cidadã do mundo e adoro. Estou sempre a conhecer pessoas novas e tenho amigos no mundo inteiro, o que faz com que me sinta bem em vários sítios. No entanto, na Madeira sinto-me no colo da minha mãe.
– Essa ligação à Madeira está muito pre­sente nos seus projetos de solidariedade. Apesar de ter uma vida tão ocupada, consegue arranjar tempo para ajudar os seus conterrâneos...
– Os meus trabalhos extra profissão são todos para ajudar. O meu irmão, Ricardo Silva, é o presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário do Funchal Garota do Calhau, onde ajuda diariamente 200 crianças e jovens e 250 idosos da ilha. Embora o projeto seja dele, eu dou a cara e tento arranjar todo o tipo de apoio de forma a colmatar as necessidades da associação.
– Veio ao Porto para integrar o júri de um concurso com os alunos da ESAD, em parceria com o MarShopping, e optou por converter o pagamento do seu serviço em mobiliário IKEA precisamente para a associação. Como foi a experiência?
– Adoro tudo o que tenha a ver com universidades, fazer palestras, participar em TED Talks... porque gosto de estar perto dos mais jovens. A iniciativa do MarShopping foi ótima e, apesar de já ter passado muito tempo desde que eu fui estudante, a verdade é que as coisas não mudaram muito. Continua a ser necessária muita dedicação para se fazer a diferença num mundo competitivo como o nosso.
– Ser professora, partilhar o seu conhe­cimento e experiência, alguma vez fez parte dos planos?
– Quando acabei o curso dei aulas durante três meses, mas depois fui para os EUA. Sinceramente, acho que não podia ser professora, não era a minha vocação. Cada um de nós veio ao mundo fazer uma coisa e o meu papel era outro. Mas adoro poder partilhar a minha experiência com os mais novos.
– E já são 30 anos de experiência...
– Não ligo muito a essas contas, as coisas acontecem porque a idade vai passando... A verdade é que o tempo passa muito depressa, verão/Natal/verão. A minha vida é uma loucura. Hoje, o que me falta é tempo! Ouço muitas vezes a música O Tempo Não Pára, da Mariza, porque preciso de arranjar tempo para mim e para os meus...
– Que projetos tem entre mãos?
– Vou finalmente concretizar o sonho de ter um design center na Madeira. Digo um sonho, porque é algo que quero muito, é realmente importante, porque foi na Madeira que nasci.
– E nunca perdeu o sotaque madeirense...
– Nem vou perder! Sou madeirense e tenho de levar a Madeira ao mundo. Nasci num lugar muito bonito!
– Aos prémios internacionais juntam-se as maiores distinções de Portugal. É bom ter este reconhecimento no seu país?
– É bom e é importante ter esse reconhecimento, mas não é por causa disso que me dedico e faço o meu trabalho. No entanto, os prémios trazem-nos novos clientes, geram trabalho e servem de referência, o que é bastante positivo.

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