Nas Bancas

Elsa Matias e Fernando Hipólito: “Somos o complemento perfeito um do outro”

O casal de arquitetos recebeu a CARAS num apartamento que tem o seu cunho profissional. Na decoração, feita por ambos, dominam os materiais nacionais.

CARAS
24 de setembro de 2015, 10:00

Foi num apartamento que tem o mar como horizonte, em Sesimbra, totalmente decorado por Elsa Matias e Fernando Hipólito, que o casal de arqui­tetos celebrou a vida e brindou a tudo o que os faz sorrir. Casados há 11 anos, têm conseguido construir uma relação sólida, assente no amor, na amizade, no respeito e na admiração que nutrem um pelo outro. Tanto a nível pessoal como profissional. “Somos o complemento perfeito um do outro.
Eu arrisco mais, mas depois preciso que a Elsa me obrigue a voltar à Terra. É um equilíbrio maravi­lhoso”
, explica Fernando, assegurando que nunca levam trabalho para casa e que conseguem separar bem as coisas. Uma postura que continua a dar frutos e que se traduz em projetos únicos e numa forma de estar na vida descomplexada e livre. “Já não somos miúdos! Somos arquitetos há 29 anos e hoje, com 50, temos uma segurança e uma maturidade muito maiores. A nossa experiência profissional é uma grande mais-valia para o cliente. Mas tudo isto é o culminar das nossas vivências e das pessoas com quem já nos cruzámos. Aos 50 anos, já não procuramos a aprovação dos outros. Estamos bem connosco próprios e temos todas as coisas decididas e definidas. Sabemos o que queremos, e isso é muito importante”, assume o arquiteto.
Esta forma de estar na vida e na profissão permite-lhes analisar as circunstâncias em que se movem na perfeição e adequarem-se às diferentes realidades que vão surgindo. “Os clientes já fazem algumas restrições, pois querem casas bonitas, mas com um orçamento mais limitado. E essa é uma ginástica que temos de fazer. É um exercício diferente, que exige mais criatividade, mas que acaba por ser muito bom. A crise pode ser um meio de descoberta”, sublinha Elsa Matias. “Somos os dois muito criativos, sonhadores e poetas. E a crise mudou a forma como as pessoas pensam e veem as coisas, o que pode ser positivo. Hoje em dia temos muito mais clientes que nos pedem projetos ‘chave na mão’. Aí, acompanhamos a obra a cem por cento, escolhemos os materiais com os clientes, fazemos todos os desenhos de pormenor e depois toda a parte de decoração. Tudo do zero. E é ótimo”, acrescenta Fernando.
Este ano, a paixão de ambos pela arquitetura de interiores foi aplicada num projeto muito especial – a sua nova casa, que vai receber a família ainda este mês. “É a nossa primeira casa só dos dois, o que, só por si, já é muito especial. A casa onde morámos até agora já era a casa do Fernando quando se divorciou, por isso esta tem um sabor diferente”, começa por explicar Elsa.
“É uma casa antiga, em Cascais, muito perto da outra. Mas com uma decoração vintage, tons neutros e pormenores cheios de cor. É uma casa para os próximos nove anos, até a Benedita ter 18. Gosto de pensar assim [risos]”, refere ainda Fernando.
Benedita, de nove anos, é hoje um dos maiores motivos de felicidade dos pais. “Os filhos completam-nos muito e a Benedita veio enriquecer a nossa relação. Eu queria ser mãe, tinha essa vontade, mas se não acontecesse não era um drama. Estive algum tempo sozinha e só queria ter um filho numa estrutura ideal de família. Quando a minha relação com o Fernando ganhou forma, os filhos dele começaram a pedir um irmão, e acho que a Benedita veio na altura certa, embora eu tenha sido mãe tarde, aos 41 anos”, esclarece Elsa.
Para Fernando Hipólito, que tem dois filhos mais velhos, nascidos do seu primeiro casamento, Teresa, de 19 anos, e José Maria, de 22, viver a paternidade novamente aos 40 foi uma experiência francamente diferente, mas igualmente feliz. “Com esta idade, não somos pais tão ansiosos. Tudo é feito com muita calma e muita paz. Tira-se mais partido do dia-a-dia, das manhãs, dos jantares... É muito diferente. Acho que a maior parte dos pais esquece-se de uma coisa – e eu sempre fui obcecado com isso, não sei bem porquê: sempre tentei dar a maior estrutura possível aos meus filhos, para o caso de algum dia me acontecesse alguma coisa que me impedisse de os apoiar. Quanto mais estruturadas as crianças forem, melhor ficam se acontecer alguma coisa. E acho que isso é muito importante. Além disso, não é muito comum ter uma filha com nove anos aos 50. E isso faz-nos sentir mais novos. A Benedita rejuvenesce-nos”, sublinha.
Apesar da diferença de idades entre irmãos, o casal diz que Benedita não sabe viver sem os irmãos mais velhos. E que o inverso também acontece. O que acaba por se notar na personalidade dela. “Eles têm uma relação fantástica, é muito bonito. E a Benedita, talvez por conviver com irmãos mais velhos, é uma miúda muito adulta. Nota-se pelas respostas que dá e pelas conversas que tem. Tem uma grande maturidade. E fica imensamente feliz quando estamos todos juntos. Há uns tempos, fomos jantar a um restaurante e ela começou a desenhar na toalha de papel e a escrever que a família só está completa quando estamos os cinco”, partilhou Elsa.
Feliz no papel de pai, Fernando Hipólito confessa, ainda assim, uma perplexidade: “Faz-me al­guma confusão perceber que o tempo passa tão depressa. É que depois vejo bebés e só me apetece ter mais um [risos]. Ainda assim, não sou saudosista. Gosto muito de ver os meus filhos crescer e acho muito giro conseguir ter uma conversa com um filho já adulto. É super enriquecedor para nós enquanto pais.”

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras