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Pedro Chagas Freitas, o jovem que escreve romances de amor

Natural de Guimarães, estudou linguística em Lisboa e trocou a escrita num jornal desportivo pela temática dos sentimentos e das emoções.

Joana Brandão
20 de setembro de 2015, 14:00

É um dos escritores do momento. Aos 35 anos, Pedro Chagas Freitas acaba de editar o seu 21.º livro, que sucede ao best seller Prometo Falhar. Queres Casar Comigo Todos os Dias? Bárbara é um romance e um diário escrito na “lamechalândia”, porque Pedro se assume um escritor lamechas. Sem vedetismos ou qualquer pretensão, desmistifica o papel do escritor e privilegia o contacto direto com os leitores através das redes sociais. Dez anos depois de se ter estreado com Mata-me, o escritor encontrou finalmente o seu público e mostra-se preparado para vencer.
Apaixonado e romântico, dedica este livro à mulher, Bárbara, com quem se casou em maio, e que é a primeira a ler as suas obras.
Queres Casar Comigo Todos os Dias? sucede a um dos livros mais vendidos do ano passado em Portugal, Prometo Falhar. Tem a expectativa de superar os 100 mil exemplares que vendeu?
Pedro Chagas Freitas – É verdade que é uma responsabilidade maior, mas tento abstrair-me dos números e escrever o que me apetece. No entanto, este livro não foi escrito no seguimento do Prometo Falhar, já o tinha comigo e já esteve para ser editado antes. Mas, à semelhança do anterior, o Queres Casar também foi escrito na ‘lamechalância’, é uma história de amor.
O Pedro diz não ter bloqueios de escritor e escreve com regularidade. Tem muitos livros em carteira?
– Tenho sempre de escrever qualquer coisa, seja uma crónica ou um livro. O problema é que quando começo uma obra fico obcecado e tenho de a acabar. Comigo as editoras não têm se preocupar com os prazos, tenho cerca de 50 livros prontos que gostava de editar.
O Prometo Falhar foi um fenómeno de vendas e o Pedro tornou-se um escritor famoso com ele, mas a verdade é que já edita há dez anos...
– É engraçado, porque há pessoas que acham que o Prometo Falhar é o meu livro de estreia, quando é a minha 20.ª obra publicada. O êxito do livro é o somatório de uma série de coisas que aconteceram ao longo destes dez anos, como por exemplo o facto de ter 100 mil seguidores no Facebook. No entanto, até agora, as pessoas procuravam os meus livros, mas não era fácil encontrá-los nas livrarias. Com o Prometo Falhar a distribuição pelas lojas foi massiva. Claro que a temática também é importante, as pessoas identificaram-se com uma história sentimental e emocional.
Ao longo do seu percurso realizou uma série de iniciativas originais no âmbito da escrita criativa e abraçou as novas tecnologias usando-as a seu favor...
– Acho que a separação entre o autor e o leitor se está a perder, e é preciso desmistificar algumas ideias pré-concebidas. Para mim é indiscutível que temos de usar as redes sociais para divulgar o nosso trabalho. Se Fernando Pessoa fosse vivo tinha um perfil no Facebook para cada um dos heterónimos. Quero chamar os leitores ao processo de criação e é muito bom poder contactar diretamente com quem me segue. É importante perceberem que nós, gajos que escrevemos cenas/escritores, somos pessoas normais. Temos o ofício de escrever como as outras pessoas têm outro ofício qualquer. Eu faço o que me apetece e era feliz quando vendia 500 exemplares como sou feliz agora que vendo 100 mil. Sou a mesma pessoa, não vou mudar.
Dada a temática dos seus livros, concorda que grande parte dos seus leitores são mulheres?
– Isso é um mito. A maioria podem ser mulheres, mas também recebo muitas mensagens de homens a dizer quão importantes foram as minhas palavras neste ou naquele momento. Estou a tentar desconstruir essa ideia. Se o Prometo Falhar tivesse sido escrito por uma mulher, era uma coisa normalíssima, mas como foi um homem, e por norma os homens são brutamontes, gerou-se mais alarido. A verdade é que os homens não são brutamontes, sentem muito e são bastante emocionais, mas têm dificuldades em demonstrá-lo, porque a sociedade ainda tem a ideia de que os homens não choram.

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