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Elisabete Jacinto garante: “Vivo bem com a decisão de não ter tido filhos”

A piloto posou ao lado do marido, Jorge Gil, e explicou os motivos que a levaram a fazer da carreira a sua prioridade.

Marta Mesquita
12 de setembro de 2015, 16:00

Foi em 1992 que Elisabete Ja­cinto, agora com 51 anos, se iniciou nas competições de mota de todo o terreno. O que era apenas um hobby tornou-se uma verdadeira paixão, que a fez mudar de vida para se dedicar de corpo e alma aos ralis. Onze anos mais tarde, a piloto estreou-se nas competições ao volante de um camião, categoria na qual tem somado sucessos, dando provas de à-vontade e confiança num universo dominado pelos homens. Ao seu lado em todos os desafios tem estado o marido, Jorge Gil, seu gestor de equipa. Juntos há quase 30 anos, a piloto e o marido formam uma dupla ‘todo o terreno’, preparada para se manter unida perante qualquer dificuldade.
Desfrutando de um fim de tarde no Algarve, Elisabete revelou-nos o ‘preço’ a pagar para conseguir ser um dos pilotos femininos com mais sucesso mundial.
– Veio ao Al­gar­ve mas não está de férias. No meio das competições, tem tempo para descansar?
Elisabete Jacinto
– Durante muitos anos não tivemos férias. Quando competia de mota, achava sempre que tinha de treinar diariamente, porque se parasse 15 dias isso poria em causa a minha boa forma física. Mas, à medida que os anos foram passando, fomos sentindo mais o stresse e o cansaço, e aí começámos a ter férias. Foi então que tirámos um curso de mergulho. Hoje as nossas férias são passadas a mergulhar. É ótimo passar uns dias num mundo tão diferente.
– Ficar sem férias durante vários anos e treinar diariamente revela que o seu sucesso foi construído com muito sacrifício e disciplina...
– Sim, exigiu grandes sacrifícios e muito trabalho. Também é necessário ter uma grande capacidade de dedicação. Sem estes três aspetos seria impossível ter feito da competição a minha vida. O desporto fez de mim uma pessoa melhor, mais segura, apta e capaz. Aprendi a estabelecer prioridades e a distinguir o que é importante do que é acessório.
– Ter filhos era um ‘acessório’ no meio de tudo isto?
– Não, de todo! Houve uma altura em que balancei um bocadinho, até porque via a minha idade a avançar, mas acabei por tomar a minha decisão com base no desperdício que seria deixar de rentabilizar aquilo que aprendi durante anos. Ser mãe é algo muito importante, e não concebia viver esse papel em part-time. Só seria mãe se o pudesse ser de corpo inteiro e nunca consegui ver espaço para isso na minha agenda. Também sempre pensei na possibilidade de adotar uma criança. Mas vivo bem com a decisão de não ter tido filhos.
– E contou sempre com o apoio do seu marido...
– Sim. Se o meu marido não partilhasse esta paixão pela competição comigo, já tinha parado há muito tempo ou então não teria feito nada de especial. A compreensão que existe entre nós permitiu-nos vencer todas as dificuldades que fomos vivendo. Partilhamos todos os momentos, os bons e os maus, o que nos une bastante como casal.

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