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Cinco anos após a morte do pai, Bárbara Feio apresenta a sua família

A filha mais velha de António Feio posou para a CARAS ao lado do companheiro, Ricardo Afonso, e do filho, Dinis, de cinco anos. Naturalmente, o ator foi um dos temas centrais da conversa.

Marta Mesquita
5 de setembro de 2015, 16:00

António Feio morreu no dia 29 de julho de 2010, depois de uma luta de cerca de um ano e meio contra um cancro do pâncreas. Nesse mesmo dia, 33 anos antes, tinha nascido a sua filha mais velha, Bárbara Feio. Nos últimos cinco anos, a estilista teve de aprender a lidar com esta coincidência que mais parece uma ‘partida’ do destino, pois traz ao de cima a alegria da vida, por um lado, e a dor e as saudades, por outro. Aliás, esta dicotomia de emoções parece mesmo pautar a vida de Bárbara, já que dois meses e meio antes da morte do ator, foi mãe de Dinis, “um doce que a vida me deu no meio daquela fase muito difícil”, como confidencia.
Durante uma tarde de brincadeiras partilhada com o seu companheiro, o gestor Ricardo Afonso, e com o filho de ambos, Bárbara conversou com a CARAS sobre o presente e o passado, sobre a felicidade que é ser mãe e as saudades que tem do pai.
– Bárbara, há cinco anos nasceu o seu filho e perdeu o seu pai. Como geriu este misto de emoções?
Bárbara Feio
– Foi complicado... O Dinis acabou por ser um escape à morte do meu pai. Ser mãe muda a nossa vida e fiquei muito ocupada, porque tinha muita coisa para fazer com o bebé. Acabou por ser mais fácil para mim lidar com a partida do meu pai, porque tinha o Dinis. Contudo, nunca senti que as saudades ou a dor diminuíssem. Mas a vida deu-me um doce no meio daquela fase muito difícil.
– E consegue, de alguma maneira, transmitir ao Dinis quem era o avô?
– O Dinis reconhece o avô nas fotos e na televisão. À medida que ele vai crescendo, vou-lhe explicando quem era o avô. O meu pai era tão importante para mim que me faz confusão o meu filho não o ter na sua vida. Para ele, o meu pai é uma estrelinha que está no céu, que olha por nós e que está sempre presente. Foi a versão poética que encontrei para lhe explicar a presença que o avô pode continuar a ter na sua vida. E eu sinto mesmo a presença do meu pai, não sei explicar, mas sinto. O Dinis era uma grande paixão do avô e tenho como missão perpetuar esse laço que o meu pai criou com o neto. Quero transmitir-lhe, dentro do possível, todo o amor e carinho que o meu pai sentia por ele.
– Hoje, que é mãe, deve perceber ainda melhor o seu pai. O que aprendeu com ele que agora gostaria de transmitir ao seu filho?
– Desde que fui mãe compreendo melhor as ausências do meu pai durante a nossa infância. Percebi que o amor nunca se mede na quantidade e sim na qualidade. Os filhos invadem-nos o coração, quer possamos estar com eles uma hora por dia ou 24. Quando já era adulta, fui viver com o meu pai e foi aí que nos conhecemos melhor. Sempre fui a sua menina, até porque sou muito cuidadora e ele gostava de ser cuidado, muito antes da doença. Criámos um laço muito ternurento. Identifico-me imenso com o meu pai, porque tenho uma maneira muito leve de ver o dia-a-dia. Aconteceu, resolve-se. Também sou generosa, como o meu pai era.
– Sente que é mais fácil lidar com as saudades tendo sido o seu pai uma figura pública?
– Isso ajuda-me, sim. A fase mais difícil para mim foi a da doença, mais do que a da sua morte. Tinha muito medo da maneira como ele poderia sofrer com a sua exposição pública. Nessa altura, desejei que ele não fosse conhecido e nem queria que ninguém soubesse que eu era sua filha, porque não sabia lidar com isso! Mas quando me apercebi que as pessoas lhe davam muita força e lhe transmitiam, a ele e a nós, muita positividade, foi uma grande ajuda. E é um prazer para mim fazer um zapping pela televisão e ver na RTP Memória o meu pai a trabalhar. A minha saudade é muito interior e não é influenciada pelas manifestações públicas. Tenho fotografias dele espalhadas pela minha casa. O meu pai será sempre parte integrante daquilo que os meus irmãos e eu somos.
– Tem medo que, com o passar dos anos, as pessoas se esqueçam do seu pai?
– Sim, mas a verdade é que continuo a ter as mesmas manifestações de carinho por parte das pessoas. O meu pai tinha uma grande ligação com o público, foi uma personalidade que marcou a cultura e merece ser recordada. Daí a nossa luta em criar o espaço António Feio. Sei que um dia esse espaço vai existir e aí as coisas deles serão entregues a quem mais as merece: o público. O meu pai era um ser humano extraordinário, e as pessoas perceberam bem isso na fase final da sua vida.
– A Bárbara, tal como seu pai, optou por uma profissão criativa, o design de moda. Como é que surgiu essa paixão na sua vida?
– Surgiu muito cedo. Comecei a fazer modelos com mais ou menos sete anos. Entretanto, entrei em Arquitetura, tal como o meu pai, mas nem ele nem eu chegámos a terminar o curso. Mudei para o curso de Design de Moda, que era a minha paixão. Quando estava no 4.º ano do curso, o meu pai propôs-me fazer os figurinos para uma peça e foi assim que comecei a trabalhar. Criei o meu ateliê e comecei a fazer roupas para as minhas amigas. Agora continuo a fazer figurinos e dedico-me a modelos exclusivos com a minha marca, Bmounti. Adoro vestir as pessoas, fazer parte das suas histórias. É isso que mais valorizo.
– E por falar em histórias, como é que o Ricardo entra na sua vida?
– Os pais dele também são de Lourenço Marques, como o meu pai, e houve uma grande convivência entre eles. Depois, quando regressaram a Portugal, esse convívio desvaneceu-se, mas nunca se perdeu na totalidade. Contudo, o Ricardo e eu nunca nos tínhamos cruzado. Foi há apenas sete anos que nos conhecemos. E ele diz que quando me viu foi amor à primeira vista. O Ricardo foi um grande apoio para mim e para o meu pai. É muito dedicado ao nosso núcleo familiar e nunca me falha no dia-a-dia. Temos feitios opostos, o Ricardo é mais reservado, mas é uma pessoa com quem partilho muitas coisas.
– E gostavam de ter mais filhos?
– O Ricardo gostava, mas eu estou bem assim. Não digo que não venha a ter mais, mas neste momento estou muito ocupada com o meu trabalho e continuo muito dedicada ao Dinis. É uma criança muito tranquila, aliás, o avô chamava-o de Dinis, o Sereno, mas exige muita atenção. E não quero falhar com ele.

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