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Bernardo Pinto Coelho: “Esta doença fez-me valorizar tudo que tenho na vida”

A vida do DJ mudou há seis anos, com o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica.

Andreia Cardinali
16 de agosto de 2015, 12:00

Bernardo Pinto Coelho tornou-se conhecido quando Cristiano Ronaldo publicou um vídeo em que o agora DJ dava a conhecer de uma forma otimista a doença que o afeta há seis anos: a esclerose lateral amio­trófica. Hoje, Bernardo é um exemplo de força e determinação e é com orgulho que defende que a forma positiva como tem encarado a vida o tem ajudado nesta batalha.
Dias antes de lançar o livro O que eu Aprendi com E.L.A., o DJ abriu as portas de casa do seu pai, o médico Manuel Pinto Coelho, onde mora, juntamente com a mulher deste, Daiana Pinto Coelho.
– Como lhe foi diagnosticada a esclerose lateral amiotrófica?
Bernardo Pinto Coelho –
Eu tinha falta de força na mão direita. Falei com o meu pai, que me disse para ir ter com o professor Lobo Antunes, que me recomendou o Dr. Mamede Carvalho no Hospital de Santa Maria. Fiz mil exames e depois de uma punção lombar soube a notícia. Isto foi em junho de 2009. Esta doença é considerada degenerativa e sem cura e a esperança de vida em média é de dois a três anos. São muito raros os casos de pessoas como eu que se mantêm em pé e eu já ultrapassei a estatística médica.
– Como reagiu quando soube?
Os três primeiros anos e meio estive em negação e só depois percebi que tinha de mudar a forma como encarava a vida. Sempre fui uma pessoa bem disposta, mas interiormente estava muito revoltado com a minha doença. Agora eu sei qual a estratégia para sermos felizes. Primeiro, temos de acei­tar o que nos acontece, que é de longe o mais difícil, mas o mais importante. Depois, devemos ser mais gratos e pensar de forma positiva. No meu livro eu digo que semelhante atrai semelhante e eu acredito nisso com todas as minhas forças. Se uma pessoa está revoltada e amargurada só atrai coisas más e quando é mais grata e pensa de forma positiva só atrai coisas boas e é isso que me tem acontecido. Esta doença fez-me valorizar tudo o que tenho na vida.
– Esse otimismo fá-lo acreditar na cura?
Completa­mente. Passei a perceber que as melhores coisas da vida são de graça: a saúde, o amor, a família e os amigos. Tenho tudo isso menos a saúde e quando ficar curado tenho a certeza de que vou ser a pessoa mais feliz do mundo.
– Não deve ser fácil conseguir fazer tudo o que faz para evitar a progressão da doença...
Claro que não. É preciso muita dedicação. Eu estou a fazer um plano cria­do pelo meu pai há um ano, que ele já indicou a outras pessoas e do qual elas desistiram, porque é preciso muita disciplina. Não estou a dizer que sou o maior, mas é preciso ter espírito de sacrifício. Há um ano que batalho e que faço o oposto do que a medicina tradicional diz e estou a ter resultados. Faço elasticidade, musculação, sigo uma dieta paleolítica e se tivesse parado, o corpo iria atrofiar e possivelmente estava numa cadeira de rodas ou até no céu. Todos os dias luto, faço muitos sacrifícios... ainda ontem levei 15 injeções para regenerar as minhas células e acredito que um dia as mensagens chegarão ao meu corpo.
– E como é que faz nos dias em que não lhe apetecia fazer nada disso?
É nesses dias que eu vou fazer a diferença. As pessoas destacam-se pela sua atitude e eu sei que é isso que me vai trazer a cura.
– A relação com o seu pai, já que ele é também seu médico tornou-se ainda mais próxima?
Sempre fomos como irmãos, somos muito parecidos. Mas obvia­mente que viver com o meu pai e com a Daiana nos tornou ainda mais próximos. Ele ajuda-me em alguns detalhes diários e agora conhecemo-nos ainda melhor.
– No meio de todo este processo, apaixonou-se...
Nunca pensei que isso fosse possível, pois as mulheres querem alguém forte e que lhes dê segurança e eu pensei que com a minha doença não havia hipótese [risos]. A Joana [Horta e Costa] apareceu na altura em que eu já me sentia bem comigo próprio e tudo fluiu naturalmente. Ela foi a melhor coisa que me aconteceu e sinto-me muito feliz por a ter ao meu lado.

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