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Francisco Lufinha fala do seu recorde de 48 horas em ‘kitesurf’

O atleta, de 31 anos, bateu o recorde mundial da maior viagem de ‘kitesurf’ sem paragens, a travessia Lisboa/Madeira, num total de 874 quilómetros.

Cláudia Alegria
15 de agosto de 2015, 16:10

Tinha 15 dias quando entrou pela primeira vez num barco e, desde então, o mar nunca deixou de fazer parte da sua vida. “O meu pai começou por ter uma traineira, depois passou para os barcos à vela e chegou a participar numa prova nos Jogos Olímpicos de Montreal, na Classe 470. Tenho duas irmãs mais velhas e, quando nasci, já eram muito comuns as férias no barco”, contou Francisco Lufinha à CARAS, dez dias depois de ter batido o recorde mundial da maior travessia em kitesurf sem pa­ragens, percorrendo os 874 quilómetros de Atlântico que separam Lisboa da Madeira.
Ainda a recuperar das lesões provocadas pela exposição à água salgada, ao sol e ao esforço físico durante as 48 horas mais longas da sua vida, o atleta recorda alguns episódios que marcaram esta sua epopeia marítima.
– Como surgiu a ideia desta travessia?
Francisco Lufinha – Gosto de me desafiar. Sou aquele chato que, no grupo de amigos, quer sempre qualquer coisa com mais ação, mais divertida, mais arrojada. E este desafio era perfeito: fazer uma coisa que nunca ninguém no mundo tinha feito e que, ainda por cima, era no mar, que as pessoas gostam. Como costumo dizer em palestras de motivação, se acreditarmos, o impossível acaba por acontecer. E aconteceu.
– E não tem medo do mar?
– Tenho medo e respeito, porque já apanhei vários sustos. Por outro lado, se estiver com algum problema, ir para o mar ajuda-me muito. Como exige concentração e esforço físico, acaba por nos distrair, o que é muito bom. Duas horas a fazer kitesurf fazem milagres.
– Já esteve em perigo de vida?
– É muito fácil estar em perigo de vida, basta cair mal numa onda e uma das linhas prender no kite que acabamos por ser arrastados debaixo de água durante não sei quanto tempo. Isso já me aconteceu no Guincho, por exemplo. E em aventuras como esta da Madeira esse perigo aumenta de uma maneira louca.
– Teve momentos muito duros, inclusive alucinações...
Sim, as alucinações começaram na segunda noite. É uma coisa fora de série, uma mistura de medos com fantasias, em que comecei por ver uma ponte no reflexo dos óculos de sol, mais tarde já via algas a mexer, as cristas das ondas pareciam-me bichos a sair da água, via golfinhos com tentáculos, que é uma coisa meio sinistra, baleias brancas gigantes e cacilheiros, enfim... o cansaço estava a revelar-se e, depois de um susto em que fiquei preso ao motor do barco de apoio, decidimos que era melhor dar por terminada a aventura. Adoro mar, mas agora não estou com saudades, tive uma dose bastante intensa.

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