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Luís Represas defende: “Hoje em dia não existem ideais de relações familiares”

Aos 58 anos, o artista revela-se um apaixonado pela música, pela vida e pelos quatro filhos.

Andreia Cardinali
9 de agosto de 2015, 12:00

Com 40 anos de carreira torna-se difícil uma descrição exaustiva do percurso de Luís Represas, que atravessa diferentes gerações. Desde que fundou os Trovante, em 1976, a sua voz tornou-se um ícone da música portuguesa. Com dezenas de álbuns publicados, o artista lançou recentemente Tratamento Acústico – Ao Vivo, que o tem levado às mais diversas salas do nosso país.
Sereno e feliz com o seu caminho profissional e pessoal, o artista falou do seu amor à música e da sua relação com os quatro filhos, João, Carolina, Nuno e José.
– Foi difícil escolher os sucessos para este álbum?
Luís Represas –
Se fosse um álbum retrospetivo, teria sido, como se trata de um álbum que sai de um concerto que veio de um disco de originais intitulado Cores, foi mais fácil. Naquele concerto, além desses originais cantei ainda canções que não toco há muito tempo e também as mais conhecidas. Mas claro que as canções foram escolhidas de forma a que me atingissem emocionalmente e fizessem o mesmo ao público.
– Este tratamento acústico fez a diferença nas músicas que já existiam?
Fez toda a diferença. Desta vez adotei uma prática invulgar, pois peguei nas canções, despi-as e coloquei-as com um piano acústico, um contrabaixo e quatro vozes. As canções saíram da sua zona de conforto e eu também. As canções passaram a respirar mais e isso exigiu outro cuidado de mim e dos músicos. Tornou-me mais exposto e isso deu-me um prazer enorme.
– Subir a um palco 40 anos depois do início de tudo é igual?
Igual não, mas é semelhante. Há uma tensão que julgo saudável, as borboletas no estômago que devem ser acarinhadas, um sentido de responsabilidade que não é temeroso e uma vontade enorme de começar o concerto.
– E como consegue manter a mesma paixão quando a música é muitas vezes mal amada?
Isso é problema de quem não a ama. Essas pessoas é que estão enganadas, não a música e nós continuamos a fazê-la com o mesmo prazer do início.
– Como têm sido estes 40 anos de carreira?
Fazer balanços cheira-me logo a livros fechados. Não consigo fazer isso, porque ainda tudo está a acontecer. Prezo muito o presente. O que sei é que continuo a fazer o que quero, o que gosto e com as pessoas em quem confio. Sinto uma enorme felicidade e realização em relação ao percurso que tenho feito.
– Com a promoção deste álbum, há menos tempo para os filhos?
Sempre foi assim e eles sabem. Mas as coisas são geridas com tranquilidade. É preciso é que quando o tempo existe seja de qualidade, que haja conforto quando estamos juntos, que nos sintamos próximos e estejamos à mão de semear de um carinho e de um beijo.
– Estar separado da Margarida [Pinto Correia] trouxe-lhe uma relação diferente com os seus filhos mais novos?
Não. Já aconteceu com os meus filhos mais velhos também. É um padrão normal e os mais novos já tinham aprendido a viver isso com os mais velhos. Hoje em dia não existem ideais de relações familiares. As relações familiares são ideais quando existe um profundo amor entre os pais, os filhos e os irmãos.
– Mesmo que esses pais não estejam juntos...
Com certeza. O amor é uma coisa universal. O amor que tenho pelos meus filhos é tão natural como o bater do meu coração e isso é o fundamental.
– Como tem sido o regresso à vida de solteiro?
Não é nada de anormal. Sempre tive uma relação muito boa com a minha casa e com o tratamento doméstico. Vivo com o meu filho mais velho, o que é fantástico e temos uma relação super equilibrada.
– Morar com o seu filho não atrapalhará a sua vida amorosa?
[risos]. O tempo é um mestre extraordinário, outro é o respeito e outro ainda o amor. Penso que não há nenhum filho que não queira ver o seu pai feliz e o tempo encarrega-se e faz com que esse equilíbrio surja e as coisas aconteçam. Também quero muito que os meus filhos sejam felizes, mas a verdade é que também se pode ser feliz sozinho.
– E já refez a sua vida?
A minha vida amorosa é uma coisa extraordinária [risos]. Viver para mim é um ato de amor constante, do qual não abdico, tenha ou não uma companheira ao meu lado.

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