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Cláudio Ramos: “Não havia ninguém em Portugal que pudesse fazer o programa”

O apresentador diz que coordenar e apresentar o programa ‘Contra Capa’ foi merecido, pois é fruto e mérito do seu trabalho.

Inês Neves
19 de julho de 2015, 12:00

Depois de 15 anos consecutivos a trabalhar em televisão, Cláudio Ramos tem agora, pela primeira vez, um programa só seu, Contra Capa, exibido nas noites de sábado na SIC Caras. E sem falsas modéstias, o apresentador afirma que não há ninguém em Portugal que o pudesse fazer.
– Este programa é a concretização de um sonho?
– Não, há dez anos teria sido um sonho, hoje é a realização de um objetivo, que acho merecido, pois é fruto de muito trabalho. E não havia ninguém em Portugal que o pudesse fazer ou o conseguisse fazer da mesma maneira que eu – não sou modesto nessas coisas, sou muito claro e consciente. Quer gostem ou odeiem, o que consegui ao longo destes 15 anos de trabalho foi que as pessoas olhassem me reconhecessem algum mérito, concordando ou não com o que digo. Por isso, não sou modesto. Acho que o programa chegou tarde, mas mais vale tarde do que nunca, e não agradeço a Deus, é fruto do meu trabalho, agradeço, sim, a confiança que as pessoas depositam em mim, mas é merecido. Trabalho todos os dias muitas horas, acordo muito cedo e deito-me muito tarde para viver bem.
– É um programa feito à sua medida?
– Sim, porque foi estudado por mim. Lá fora já se faz isto há muito tempo, aqui em Portugal temos pudor em falar abertamente dos famosos. Acho que ser famoso é uma profissão e tem de ser tratada como tal e agora há um espaço para isso, é uma espécie de montra. As pessoas estão saturadas de lhe darmos sempre as mesmas coisas e o público também já não é tão tonto e já começa a perceber como é que isto dos famosos funciona: já ninguém acredita que eu acordo maquilhado e penteado, que a roupa é minha, já ninguém acredita que a Rita Pereira não sabe que é fotografada na rua.
– Qual das profissões é a sua? Famoso ou apresentador de televisão?
– Ambas. Se não fosse famoso, não tra­balhava, e ser famoso é um reflexo do trabalho. Ou seja, todos nós que trabalhamos em televisão temos de perceber que a fama é uma quota a pagar, como o IRS, por exempl­o. Quem quer trabalhar na televisão sabe perfeitamente como é que isto funciona, não acredito quando dizem que não sabem ao que vinham, tal como não acredito nas pessoas que dizem que não gostam de ser famosas ou que não o querem ser. Não me faz diferença nenhuma ser uma pessoa conhecida, gosto, se isso me começar a inco­modar, fico uns tempos sem fazer TV e as pessoas vão esquecer-se de mim. Irrita-me o jogo do gato e do rato com a imprensa, do género: namoro, depois já não namoro, quero ser fotografado, mas só ali ao longe. Se não gostas de ser chateado, não te metes no [Centro Comercial] Colombo num domingo à tarde. Não queres ser fotografado, não te metes na praia da Morena. Vamos assumir as coisas como são: há muita hipocrisia, os famosos são muito mentirosos. Está na altura de Portugal e de os famosos perceberem como é que isto funciona e que isto é uma troca, um negócio, eu preciso de ti e tu de mim.
– Ambicionava ser famoso? É óbvio que gosta...
– Sempre quis trabalhar em TV, sempre soube que era inerente à minha profissão ser famoso e nunca achei isso um problema.
– As coisas misturam-se um bocadinho, ou não? O Cláudio famoso, o Cláudio apresentador...
– Se me perguntar se estou sempre bem disposto, não, não estou. Quando vou ao supermercado, não gosto de estar a responder às pessoas sobre os famosos, não gosto disso fora do trabalho, aí estou a borrifar-me para a vida deles, quero é fazer a minha vida normal. É o síndrome do comediante, que a qualquer momento tem de contar uma anedota.

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