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Cristina Ferreira: “O meu filho já sabe ler, começa a fazer perguntas e a sofrer com isso na escola”

Em Cannes, a apresentadora disse à CARAS que já aprendeu a lidar com o que é publicado sobre ela, mas que teme a reação de Tiago, de sete anos.

Cláudia Alegria
5 de julho de 2015, 12:00

A semana passada, Cristina Ferreira vol­tou a ver a sua imagem e o seu nome em vários jornais e revistas. O ex-marido, António Casinhas, foi acusado de violência doméstica pela antiga namorada, Alexandra Roque, e logo na primeira sessão do julgamento, que decorre no Tribunal de Oeiras, o empresário admitiu ter mantido uma relação amorosa com Alexandra quando ainda vivia com Cristina. Sem se alongar em comentários sobre o assunto, a apresentadora disse, ainda assim, à CARAS, que apesar de haver “momentos muito difíceis de digerir” já aprendeu a lidar com eles e a seguir em frente.
– Mesmo nas horas de descontração, está atenta a tudo o que se passa à sua volta...
Cristina Ferreira – É verdade. Não sei se é vício profissional, mas estou atenta a todos os pormenores, sou muito crítica em relação a tudo aquilo que faço e exijo o mesmo das pessoas com quem trabalho.
– Acha que a televisão a tornou vaidosa?
– Sempre fui muito tímida, o que é um contrassenso para quem fez da televisão o seu palco, mas a verdade é que, quando as luzes se ligam, me transformo. É uma profissão de egos, como é óbvio, e a partir de determinado momento isto é quase viciante, tornamo-nos dependentes, não da fama, mas do trabalho em si e daquilo que podemos concretizar. E também sempre fui muito vaidosa [risos]! Lembro-me de que em miúda desenhava os vestidos que queria levar aos casamentos, porque detestava ir igual às outras. Gostava de ser o centro das atenções. E acho que isso continua a acontecer, é impossível não ser vai­dosa numa profissão como esta. Adoro chegar a uma sala e ouvir dizer que estou linda!
– E existe um lado negro da fama?
– É muito complicado ter um país inteiro a falar da tua vida, muitas vezes de coisas que não correspondem à verdade. Ficas sempre sem saber como lidar com a situação, como gerir os telefonemas dos amigos que querem saber o que se passa... Além disso, o meu filho já sabe ler e a partir de agora vai começar a fazer perguntas e a sofrer com isso na escola. Sei que ser filho da Cristina Ferreira é um ónus na vida dele... Acho que o amor que lhe dou diariamente o ajuda a tornar-se forte ao ponto de saber aguentar tudo e mais alguma coisa, mas não vou conseguir gerir tudo. Fala-se muito de bullying e de agressividade por parte dos mais jovens... Se pessoas mais velhas não têm qualquer tipo de pudor em chamar-me o quer que seja no Facebook, porque é que os mais pequenos irão tê-lo para com o meu filho? E eu não estou lá para o defender...
– Lê tudo o que vem escrito sobre si? Consegue abstrair-se das críticas?
– Tenho que ver o que sai diariamente na imprensa, faz parte do meu trabalho. Durante muito tempo, lia tudo e martirizava-me. Agora, quando percebo que é para me deitar abaixo, nem leio.
– Qual é a sua maior extravagância?
– Talvez sejam os sapatos. Se vir uns sapatos daqueles que chamam por mim, aí é muito complicado...
– E há muitos a chamar por si?
– Não muitos, porque continuo a ser pou­pada. Claro que tenho um nível de vida muito superior ao da maioria das pessoas. Hoje posso comprar uns sapatos que não poderia comprar quando comecei a trabalhar em televisão, muitas vezes gasto nuns sapatos aquilo que muita gente demora muito tempo a ganhar, mas há pessoas com ordenados muito superiores ao meu que têm outro estilo de vida. Eu continuo a ser muito poupada e faço as coisas de maneira a que, se um dia isto tudo acabar, não haja problema nenhum. Até lá, vou ajudando quem está à minha volta, porque não trabalho só para mim, trabalho para todos os meus.
– Quem são “os seus”?
– Primos, familiares mais chegados com quem tenho o prazer de partilhar viagens, por exemplo. Fico muito feliz por poder proporcionar-lhes uma vida que não teriam de outra forma.
Se pudesse mudar alguma coisa em si, o que mudaria?
– Talvez este meu lado tão perfeccionista e crítico. Ainda hoje sou capaz de chegar a casa e ir ver os programas que fiz para tentar corrigir erros. O Manuel [Luís Goucha] já não faz isso há anos! Por um lado, acho que é uma qualidade, por outro, ser tão exigente com tudo pode tornar-se um bocadinho massacrante. 
– Como filha única, gostaria que o seu filho tivesse irmãos?
– Curiosamente, nunca quis ter mais filhos, nunca tive o sonho de ser mãe. O Tiago apareceu, eu apaixonei-me por ele e acho que sou uma mãe de coração. Acho que lhe dou o mais importante de tudo, que é o afeto. De resto, deixo-o descobrir o seu próprio caminho, pois é dessa forma que ele deve crescer, tomando as suas decisões. Adorei ser filha única, devo confessar, porque não fui uma filha única sozinha, sempre tive muitos primos à minha volta que considerava irmãos.
– E o seu filho tem esses primos?
– Tem, não de forma tão intensa como eu tinha, porque as vidas são mais complica­das, mas sim, tem esses primos. Quando o amiguinho mais próximo que tem na escola teve um mano, ele ainda me perguntou duas vezes por um irmão, mas eu tirei-lhe logo essa ideia da cabeça [risos]! Não sei o que a vida me reserva, mas não tenho de todo previstos mais filhos na minha vida.
– Quando e onde foi mais feliz?
– Na minha infância. E é tão forte essa minha felicidade que acho que me vai marcar a vida toda. Sempre que preciso, volto lá para ir buscar a energia que preciso. Acho que tive a infância que toda a gente devia ter: uma liberdade enorme, meti as mãos na terra, apanhei batatas, ia com a minha avó para a horta, andei de trator com o meu pai. É disso que tenho saudades, desse ar que não se volta a respirar depois, de não termos qualquer tipo de problema na vida.
– O seu filho tem passado pelas mesmas experiências?
– Tem. Por isso fiz questão de continuar a viver na Malveira. Quero que ele cresça neste ambiente.
– O que é que lhe rouba o sorriso?
– Pouca coisa. Mesmo quando choro, o sorriso vem logo a seguir. Aliás, tenho a certeza absoluta de que a minha grande arma é o meu sorriso.
– Não sente falta de ter alguém o seu lado com quem partilhar angústias e alegrias?
– A Simone [de Oliveira] disse-me em tempos uma coisa que me marcou muito: “Nós em palco temos tudo, mas, quando entramos em casa, fechamos a porta e não está lá ninguém para nos receber... E esse era o aplauso que nos fazia mais falta!” Há dias em que me faz muita falta, há outros em que me chegam as pessoas que tenho à minha volta.
– Foi frustrante ter de retirar o seu nome do cargo de diretora na ficha técnica da sua revista?
– Nada, eu continuo a dirigir a revista. Aliás, deixei de ser diretora da Cristina para ser diretora da Massemba, portanto é-me indiferente. Acontece que para ser diretora de conteúdos tinha que ter Carteira Profissional de Jornalista e eu, apesar de ter tirado o curso de Jornalismo, por ser apresentadora e fazer publicidade, não posso ter a carteira.

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