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Maria Caetano Couceiro, uma mulher ‘do campo’ apaixonada por cavalos

A cavaleira de ‘dressage’ posou na Herdade das Esquilas, em Monforte, onde treina todos os dias com o pai, o cavaleiro tauromáquico, criador de cavalos lusitanos e treinador de equitação Paulo Caetano. 

Marta Mesquita
28 de junho de 2015, 12:00

Já  passava das três da tarde quando a equipa da CARAS chegou à Herdade das Esquilas, em Monforte. O campo, pintado em tons de creme e verde, e o horizonte que se perde de vista foram o cenário para uma tarde passada sem pressas ou horas marcadas. Mal ouvem o barulho do carro, Paulo Caetano e a filha, Maria Caetano Couceiro, diri­gem-se à porta. Afáveis e calorosos nos cumprimentos, espelham a simpatia e a arte de bem receber tão comuns no Alentejo.
Habituado aos holofotes, o cavaleiro tauromáquico, que celebra este ano 35 anos de alternativa, some-se no cenário. Afinal de contas, a “estrela” hoje é a filha, cavaleira de dressa­ge. E, justiça seja feita, Maria, de 28 anos, é protagonista por mérito próprio, como prova o seu currículo: campeã nacional de seniores em 2008, 2013 e 2014, ganhou ainda por duas vezes o campeonato de jovens cavaleiros. Já integrou por seis vezes a equipa portuguesa no Campeonato da Europa e por outras duas no Campeonato do Mundo.
Casada com o empresário agrícola Fernando Couceiro, Maria assume-se como uma verdadeira “mulher do campo”, que tem pelos cavalos uma paixão que vem do berço e que, assegura, durará para sempre.
– Apaixonar-se pelo mundo equestre era quase inevitável...
Maria Caetano Couceiro – Era mesmo inevitável, apesar de achar que a paixão pelos ca­valos já nasce connosco. É algo que está nos genes, não nos é imposto pelo dia-a-dia familiar. A paixão que sinto pelos cavalos faz mesmo parte de mim.
– Começou a andar a cavalo, ao colo do seu pai, com apenas três anos. O que mais recorda da sua infância?
– Tudo na minha infância me remete para os cavalos. Abdiquei de várias coisas para poder montar.
– É cavaleira por vocação e gosto, mas a verdade é que para ser bem sucedida nesta profissão é preciso muito mais do que paixão, nomeadamente disciplina...
– Sim, exige uma dedicação total. Enquanto estudei sempre consegui conciliar tudo, apesar de ter tirado Gestão na Universidade Católica, que é uma instituição muito exigente. Depois, quando comecei a trabalhar, tive a sorte de estar em empresas que compreendiam a dedicação que os cavalos exigem, mas só conseguia montar ao final do dia ou de manhã muito cedo. Tive de optar e decidi deixar a gestão para me dedicar em exclusivo aos cavalos. Nunca viajei em lazer nem desfrutei de umas férias. Conheço a Europa inteira, mas sempre com o saco das botas atrás.
– Portanto, ser cavaleira é um estilo de vida...
– Sim, é isso mesmo! Quando me levanto de manhã e vou montar não consigo pensar que vou trabalhar. Não vejo tudo isto como uma profissão.
– Quando, há três anos, decidiu dedicar-se em exclusivo aos cavalos e tornar-se cavaleira profissional, optou por deixar Lisboa e regressar ao campo. Gosta desta quietude, ou por vezes sente a falta da cidade?
– Viver no campo dá-nos uma perspetiva maior da vida. Aqui vivemos do que se produz, sabemos para que servem os animais, que respeitamos ao máximo. Sentimo-nos mais próximos da natureza. E temos uma paz e uma tranquilidade fantásticas. Mas também gostei muito dos nove anos que vivi em Lisboa!
– E o seu marido, como empresário agrícola, também é um homem habituado ao campo...
– Sim, é verdade. Ele também monta a cavalo diariamente e compreende muito bem aquilo que faço. O meu marido percebe o meu estilo de vida e não se queixa por não podermos ir de férias, por exemplo. Nos dias que antecederam o nosso casamento eu nem sequer estava em Portugal e foi ele que teve de tratar de alguns pormenores. É mesmo um companheiro.
– E a Maria está a adiar a maternidade por causa das suas competições?
– Tenho muita vontade de ter filhos e acho que estou na idade certa, mas tudo depende se me qualifico ou não para os Jogos Olímpicos.
– Quando está a competir sente o peso e a responsabilidade de ser filha do cavaleiro tauromáquico Paulo Caetano?
– Já senti esse peso. Quando comecei a entrar em provas, as pessoas diziam que só tinha ganho por ser filha do Paulo Caetano. Mas nunca me incomodou, acho que sempre lidei bem com isso. E, mais do que um peso, é uma grande alegria, porque tenho um treinador fantástico que também é o meu pai.
– Quando estão a treinar é fácil distinguir o pai do treinador?
– Sim. Para mim é uma sorte tê-lo como treinador, porque assim tenho-o ao pé de mim todos os dias. E ele pode ralhar-me à vontade, porque no final do dia continuamos a ser pai e filha.
– E como é o seu pai como treinador?
– Como treinador o meu pai ensinou-me a ter respeito pelos cavalos e pelas pessoas. Incutiu-me o gosto pela vitória, mas alcan­çando-a sempre de forma justa.
– Os seus pais vivem a poucos minutos da sua casa. Gosta dessa proximidade?
– Sim, gosto muito! Passo o dia inteiro a trabalhar com o meu pai, almoço com ele e com a minha mãe e, dia sim dia não, eles ligam-me a perguntar se jantamos na minha casa ou na deles! [risos]
– E é a menina do papá?
– Sou, sem dúvida.

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