Nas Bancas

Matilde Breyner fala do seu percurso: “Tudo o que aconteceu teve uma razão e agora é o meu momento”

Apaixonada pela representação desde que se lembra de existir, a atriz vive agora o seu primeiro grande papel ao interpretar a vilã Mitó na novela da TVI “Única Mulher”.

Andreia Cardinali
20 de junho de 2015, 10:00

Ainda em criança, Matilde Breyner já sabia que a representação seria o seu futuro. Com um caminho longo, feito passo a passo, e depois de ter participado em várias peças de teatro e alguns projetos televisivos, só agora, aos 31 anos, a atriz teve a sua primeira grande oportunidade. Feliz com a perso­nagem Mitó da novela Única Mulher, Matilde acredita que este projeto surgiu na altura certa. De lado fica, para já, a sua vida amorosa, já que, como nos confessou, pretende dedicar-se de corpo e alma à sua carreira.
– Este é o seu primeiro traba­lho com visibilidade...
Matilde Breyner – Sim, mas eu sempre quis tanto isto que encarei todas as oportunidades anteriores que tive, por mínimas que fossem, como se fossem as da minha vida. Fiz teatro para salas vazias, com duas pessoas – os meus pais – e sentia-me como se estivesse na Broadway [risos]. Sempre levei todos os trabalhos muito a sério. Esta é a minha paixão.
– Nunca houve momentos em que achasse que poderia estar a insistir demasiado?
Não. As coisas nem sempre foram fáceis, já comecei há algum tempo, mas acredito que a vida é feita de timings e consigo perceber que todas as alturas menos boas era porque não era aquilo, não tinha de ser nesse momento. Ouvi muitos ‘nãos’, fiquei revoltada, mas hoje percebo que tudo o que aconteceu teve uma razão de ser e que agora sim, é o meu momento.
– Esses ‘nãos’ tornaram-na mais forte ou frágil?
Muito mais forte. Hoje já não levo nada disso a peito. É difícil lidar com a recusa, mas também acho que tem a ver com a fase da vida. Era uma miúda, queria mui­to isto e quando me diziam que não, achava que tinha um defeito, que não era suficientemente boa e hoje em dia sei que sou boa no que faço, porque estudo para isso, sou profissional, preparo-me... Agora tenho outra maturidade e, digam o que disserem, vou continuar [risos].
– O seu percurso tem sido feito passo a passo...
Sim, sinto que tenho tido um percurso coerente e consistente por isso mesmo. Acho que se me tivesse acontecido tudo à primeira não lhe teria dado o valor que dou hoje. Acho que estou a caminhar para a construção de um futuro profissional e para isso é muito importante ter os pés bem assentes na terra. Vejo-me a trabalhar nisto para o resto da minha vida e graças a Deus nada me caiu nas mãos, tudo veio do meu esforço e dedicação.
– Este primeiro grande papel tem tudo o que um ator deseja, já que é uma vilã com um lado cómico...
Sim e sinto que esta é uma grande oportunidade de mostrar outra faceta. Estou a adorar. Se me dessem a escolher entre todas as personagens da novela, teria sem dúvida escolhido a Mitó. Está a dar-me um gozo enorme.
– Calculo que agora seja reconhecida na rua. Como se lida com esse lado?
É muito estranho. Sabia que isso iria acontecer e é bom sinal que assim seja. É estranho, mas é muito engraçado o tipo de pessoas que me abordam: há de todo o tipo e é disso que gosto. Se ser conhecido traz alguma coisa de bom é a possibilidade de se ‘estudar’ os vários tipos de pessoas. Guardo isso na minha memória e já serve de bagagem para criar outras personagens.
– Esse é o lado enraizado da representação, em que tudo serve de estudo?
Completamente. Tudo mes­mo. Nesta profissão podemos usar tudo como laboratório, como ferramenta de trabalho, e eu adoro esse lado.
– Prefere fazer teatro?
Eu gosto de representar, ponto. Mas preciso das tábuas para me sentir atriz. Gosto de televisão, quero fazer cinema, mas o teatro chama sempre por mim.
– Fez 31 anos recentemente. Como foi a entrada nos 30?
Custou-me muito entrar nos 30, revoltei-me, porque achei que me iria trazer muita responsabilidade e a verdade é que agora, aos 31, estou a adorar. Sinto outra serenidade, outra confiança. Já aceitei tudo e sei que daqui para a frente serão só coisas boas.
– Essa serenidade terá a ver com a fase profissional que vive?
Sempre dei muita importância a esse lado, à minha independência, e sempre sofri muito por estar numa profissão instável. A minha profissão para mim é tudo e levo isto muito a sério. Claro que trabalhar me ajuda a estar mais serena, mas acho que tenho cami­nhado nesse sentido. Acho que é da idade.
– Com um foco tão grande na vida profissional, onde fi­ca o lado pes­so­al? Há tempo para namoros?
– Fica para quando a vida quiser e para quando tiver de ser [risos]. Há tempo para tudo, mas para me entregar a alguém tenho de estar bem profissionalmente... Por outro lado, quando o estou, não quero mais nada [risos].
– Os 30 não trazem essa ansiedade?
Aos 20 anos imaginava uma vida familiar aos 30, mas agora que já cá cheguei não sinto nada. O meu relógio biológico ainda nem deu sinal... [risos]. Um dia acontecerá tudo, a vida é certa. Com esta profissão e instabilidade aprendi que apesar de todos os planos a vida troca-nos sempre as voltas. Por isso, não peço nada à vida, só agradeço. Sei que tudo acontecerá quando tiver de ser. A vida é sábia, temos é de confiar.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras