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Catarina Furtado partilha em livro as histórias que mais a marcaram

A apresentadora conta que sempre foi uma criança muito atenta ao próximo e sempre se sentiu desconfortável dom a discriminação. Características que vê também nos seus dois filhos.

Inês Neves
20 de junho de 2015, 14:00

Numa espécie de balanço, Catarina Furtado parti­lha em livro 15 anos de histórias enquanto Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e oito anos do programa Príncipes do Nada. A CARAS assistiu ao making of da sessão fotográfica para a capa do livro e conversou com a apresentadora.
– De onde vem essa vontade de ajudar o outro?
Catarina Furtado – Esta minha partilha vem desde sempre e para este livro fiz uma espécie de autoanálise para ver de onde vem esta vontade tão grande que tenho de lutar contra as discriminações e contra as desigualdades... Portanto, fiz um flashback e vi que começa na minha educação. E no livro partilho também um bocadinho da minha educação, para se saber quem sou.
– O facto de a sua mãe ter sido educadora de ensino especial influenciou-a?
– Também, mas acho que vem muito de mim, desde pequenina. Fiz um trabalho de pesquisa, perguntei aos meus pais como é que eu era em pequenina, e foi muito engraçado. Descobri coisas de que não tinha noção, coisas que eles me contaram.
– Como por exemplo?
– Disseram que eu era muito atenta, por exemplo, aos mais velhinhos, às pessoas que eram diferentes e que ficava muito incomodada quando se gozava com elas... Mas isso não faz de mim uma pessoa diferente, só sublinha o porquê deste seguimen­to da minha carreira.
– Reconhece essas caracterís­ticas nos seus filhos?
– Acho que sim, acho que eles são dois meninos muito generosos, atentos e sensíveis e isso tranquiliza-me muito, vamos ver o que dá... mas tem de estar neles. E acho também que tem de haver educação para isso, se os pais não educarem as crianças a estarem atentas aos outros, mais facilmente elas ficarão centradas em si. Eu sou muito mais de tentar agilizar, de fazer sinergias, se as pessoas estiverem mais atentas às outras, é muito mais fácil, até porque no fim vamos todos para o mesmo sítio, seja quais forem as crenças que cada um de nós tem... E há muita gente que se esquece disso.
– Qual é o objetivo deste livro?
– O objetivo essencial é completamente despretensioso do ponto de vista literário, eu não sou escritora, é, sim, uma vontade muito grande de partilhar. Aliás, a função do embaixador de boa vontade é partilhar as mensagens, é ver e transmitir à sociedade civil, aos políticos, inclusivamente, de modo a fazermos pressão sobre determinadas coisas que queremos melhorar. Depois, do ponto de vista dos “Príncipes”, o objetivo é também alertar consciências e passar mensagens que possam tocar no coração das pessoas para que tenham uma oportunidade de fazer qualquer coisa, agitar um bocadinho as consciência... Portanto, passou a fazer sentido para mim partilhar mais detalhadamente algumas dessas questões e histórias.
– Foi um livro difícil de fazer?
– Foi muito difícil arranjar tempo para o fazer. Tive de mergulhar nas dezenas de blocos de apontamentos que tenho, das viagens todas que fiz... Tudo isto exigiu um enorme esforço de memória. E tive outro problema, há detalhes que acabaram por desaparecer da minha memória, pois a mim ficam-me sobretudo as pessoas.

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