Nas Bancas

Orgulhoso da sua vida, Júlio Isidro diz que a família é o seu porto de abrigo

O apresentador falou do seu percurso e da forma como o apoio da mulher, Sandra, e das filhas tem sido fundamental.

Andreia Cardinali
14 de junho de 2015, 12:00

Com mais de 50 anos de carreira, Júlio Isidro, de 70 anos, é um nome incontornável da televisão portuguesa. Habituado a nem sempre ter o reconhecimento merecido, foi com a elegância que lhe é característica que o apresentador contou como contorna essas situações, sempre com o apoio da mulher, Sandra Barros, de 43 anos, e das filhas de ambos, Mariana, de 16 anos, e Francisca, de 11.
– Fizeram recentemente 17 anos de casados. Como tem sido?
Sandra Barros –
Tem sido ótimo, fantástico. Como em todos os casamentos, há momentos menos bons, mas a maioria são bons e é a esses que vamos buscar forças para ultrapassar as ocasiões piores.
Júlio Isidro – Há que realçar que os momentos menos bons não são na nossa relação, são momentos colaterais que vivemos enquanto casal devido a causas exteriores. De resto, acho que descobri a solução para ser casado até ao final dos meus dias.
– Esses efeitos colaterais têm a ver sobretudo com o seu lado profissional?
Neste momento estou a viver a chamada onda alta, mas como nunca me deixei levar por ela, estou a saber navegar tranquilamente. A verdade é que também tivemos ambos, já que tudo é vivido em família. Há que saber navegar com o chamado mar chão, quando não há vento e as velas não permitem avançar.
– Essa onda deve-se a ter ‘salvo’ o programa da manhã da RTP num dia em que o José Pedro Vasconcelos estava de férias e a Tânia Ribas de Oliveira adoeceu?
Não só, mas também. De­ve-se a uma série de circunstâncias. De repente, há uns cliques mínimos que fazem com que as pessoas sejam olhadas de outra forma. Não sou melhor profissional do que era e muito menos pior do que isso, não tenho mais nem menos gracinha, aconteceram coisas que fizeram com que o meu estatuto se alterasse neste momento. Mas eu acho que é mesmo assim, a vida das pessoas, como das empresas e dos países, tem essas nuances. Naturalmente, com tudo o que já vivi, houve momentos em que eu estava em casa indignado, outros, triste, momentos em que as nossas filhas pensavam que estávamos zangados porque estávamos a gritar um com o outro, mas para terceiros [risos]. Claro que o nosso incómodo era muitas vezes partilhado em diálogo de travesseiro com a luz apagada, em que pensávamos como é que íamos dar a volta à situação, já que não era justo.
– Mas não é suposto uma pessoa com 55 anos de carrei­ra ter de dar provas...
[risos]. Isso era o que eu gritava em casa com a minha mulher... E não era só isso... Havia milhares de pessoas que se cruzavam comigo na rua e me perguntavam: “Porquê?” Mas eu nunca fiz essa pergunta a ninguém na RTP. Nunca! Sabiam que eu existia, tenho uma carreira cheia de grandes êxitos e aqui há uns cinco anos surgiu um conceito de uma grelha pop light, eu não era light nem pop e devo ter ficado de fora.
– Porque é que nunca fez essa pergunta?
Por uma questão de pudor e provavelmente até também de humanidade. Não vou perguntar uma coisa a que alguém não vai saber responder ou não vai ter a coragem de dizer: “Só não o queremos.” Porque não havia mais nenhuma razão...
– A sua relação com a RTP parece como aquelas uniões com 55 anos que nunca avançam para o casamento...
[risos]. É mesmo isso. Eu vivo em estado de mancebia com a RTP e nesta altura já nem quero outro. É uma união de facto com muitos filhos [risos]. Talvez a minha vida tenha sido pautada por um enorme defeito. É que hoje em dia, e de há um tempo para cá, as pessoas confundem elegância com fragilidade. Aquilo que posso garantir é que hoje em dia, se quiser sair, saio, mas como queria, pela porta grande.
– A Sandra consegue aceitar tudo isso com ligeireza?
Sandra – Primeiro porque antes de ser mulher do Júlio já trabalhava com ele e fui-me habi­tuando, mas às vezes tenho vontade de dizer certas coisas que não digo porque carrego um apelido. Muitas vezes penso que bom seria se eu pudesse dizer algumas coisas a determinadas pessoas... mas também não são muitas.
– Traba­lham bem juntos?
Muito bem. Podemos não concordar com esta ou aquela solução, mas encontramos sempre alternativa, não há discussões. Respeitamos a individualidade de cada um e gostamos muito de estar juntos.
Júlio – Nunca nos zangámos enquanto marido e mulher e então enquanto autor e produtora, muito menos.
– Júlio, há pouco referiu que agora sairia pela ‘porta grande’. Pensa nisso?
Houve momentos em que já pensei nisso, mas nunca quando as coisas estão a correr mal. Agora que estão bem poderia ser encarado, mas tenho duas censoras, que são as minhas filhas e elas acham que eu tenho de continuar. Mas nunca pensei que estava na hora de parar para gozar a vida.
– Essa elegância e leveza com que encaram a vida é também uma forma de educação para as vossas filhas?
O que digo muitas vezes é que não educo nada as minhas filhas nem preciso, elas só têm de nos ver. Elas fazem como nós. Aliás, elas são sempre muito queridas e elegantes comigo, talvez até por eu ser o mais velho dos pais das amigas. Elas usam isso a favor delas e dizem que assim aprendem mais coisas... É generoso da parte delas [risos].
– Esta paternidade tardia fá-lo pensar que poderá perder ocasiões na vida das suas filhas?
Eu não tento esquecer isso, mas a Sandra ralha comigo nes­sas ocasiões. Estou sempre a fazer contas, porque há coisas que planeio poder viver. Gostaria de as ver formadas e depois tudo o que vier é um extra.
Sandra – Acho que não temos de viver com essa preocupação porque mais do que viver muito, o importante é viver bem. E o importante é que sejamos felizes, independentemente do tempo que teremos pela frente.
Júlio – Acho que as pessoas que estão muito envolvidas em projetos e sonhos conseguem fazer com o que tempo pare [risos]. Não há tempo para envelhecer.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras