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Rita Ribeiro aos 60 anos: “Sinto que ainda me falta fazer tudo”

A atriz e as filhas, Maria e Joana, desfrutaram de um fim de semana dedicado ao bem-estar, em Óbidos.

Marta Mesquita
17 de maio de 2015, 10:00

Para Rita Ribeiro, que está a comemorar o seu 60.º aniversário, a idade não é um peso, nem tão-pouco um obstáculo para os sonhos que ainda quer realizar. Feliz com o caminho de autodescoberta que tem feito, a atriz e produtora continua a sentir-se surpreendida pela vida, trabalhando muito as suas emoções.
Apaixonada pelos palcos, que pisa há 40 anos, Rita não vive de nostalgias, admitindo, com entusiasmo e humildade genuína, que “ainda me falta fazer tudo.”
Para assinalar o seu aniversário, a atriz e as filhas, Maria, de 18 anos, e Joana, de 39, desfrutaram de um fim de semana relaxante no Óbidos Lagoon Wellness Retreat. E foi precisamente durante esta escapadela dedicada ao bem-estar que Rita conversou com a CARAS sobre o caminho que tem percorrido e que lhe permitiu ser uma mulher equilibrada e serena, que vive, inteira, o momento presente.
– Como se sente por fazer 60 anos?
Rita Ribeiro – Sinto-me bem por fazer 60 anos, mas na verdade não me revejo nessa idade. Ao longo dos anos tenho feito um trabalho para regressar à minha criança, que é algo que quero viver também no meu presente. Acho que a infância é a altura em que somos mais puros e autênticos, porque ainda não fomos moldados pela sociedade. Tento não levar as coisas muito a sério.
– A idade é mais do que um número no bilhete de identidade...
– Sim, mas na verdade o cor­po pode, por vezes, atraiçoar-nos.
Mas eu trato muito bem de mim. Tenho uma alimentação saudável, faço caminhadas e massagens. Também faço meditação e tomo muito cuidado com as minhas emoções, porque elas podem ficar retidas no nosso corpo. É muito importante reconhecer os sentimentos que nos podem controlar. Evito ao máximo viver em piloto automático. O que procuro na vida é o equilíbrio e o bem-estar a todos os níveis, físico, mental, emocional e espiritual. E procuro o silêncio, porque é ele que nos guia.
– E a verdade é que esta for­ma de estar na vida permitiu que uma ‘nova’ Rita surgisse...
– Sim, mas nós estamos permanentemente a mudar. Aprendi que temos de ser flexíveis connosco próprios. Hoje sinto-me muito mais tranquila e serena com a minha vida. Antes era muito mais reativa. E essa tranquilidade que adquiri tem sido boa para mim e para todos os que me rodeiam.
– É, portanto, uma mulher feliz e realizada...
– Tenho momentos de felicidade, aqueles momentos de plenitude que não se baseiam em nada de concreto. Penso que a minha felicidade se deve a um profundo sentimento de gratidão e a uma enorme vontade de viver. Sou muito grata por tudo o que tenho.
– Também celebra 40 anos de carreira...
– Sim, mas sinto que ainda me falta fazer tudo! Tenho uma necessidade muito grande de estar sempre a criar.
– Como assim? Não está satisfeita com o seu percurso profissional?
– Não é nada por aí. Olho para trás com muito amor, sinto uma enorme gratidão por todo o caminho que já percorri e encaro com alegria o que ainda me falta percorrer. Faço realmente aquilo de que gosto. Se me saísse o Euromilhões, continuaria a representar, porque é mesmo o que amo fazer! Não é algo que faça só para ganhar a vida. Só estando a criar é que me sinto unida a tudo o que me rodeia. Gosto de perceber que as pessoas se reconhecem nas emoções que lhes transmito e é isso que me emociona e me leva a continuar.
– Mas não sente um pouco de vaidade ou de orgulho?
– Olho para o meu percurso com espanto, mas tudo me causa espanto, até porque é isso que procuro ao tentar manter a criança que há em mim. É um espanto ter 40 anos de carreira e fazer 60 anos. Sou uma entusiasmada pela vida.
– E há alguma coisa que gostasse particularmente de fazer?
– Gostava de fazer mais televisão, mas os convites não têm surgido... Continuo a trabalhar no Mundos em Nós, um projeto que produzi e onde atuo com a minha filha Maria, e já estou a preparar um novo espetáculo, Entre Tanto, que vai estrear no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço a 21 de maio. É uma peça escrita pela Sandra José, que vai atuar comigo, e que foca muito a questão do amor e do medo. No final de cada atuação iremos ter uma pequena palestra para debater questões sobre o tema com um psicólogo ou um terapeuta da área.
– O espetáculo musical Mundos em Nós assinala os seus 40 anos de carreira e serve de rampa de lançamento da sua filha Maria. Como foi trabalhar em algo tão pessoal?
– Foi bom, mas muito trabalhoso, até porque fui eu que produzi tudo. Neste espetáculo quis enaltecer os momentos chave do meu percurso, as coisas que foram mais marcantes e conseguidas. Quis também transmitir à minha filha uma palavra de esperança. Quando há em nós uma vocação, temos de manter a determinação, com a certeza de que tudo vai correr bem. Quando na nossa estrada não nos focamos nos obstáculos e sim no que queremos alcançar, as coisas acontecem.
– E já consegue olhar para a Maria como atriz e cantora?
– Olho para ela como a minha querida filha mais nova, a minha bebé. Foi tão importante ter tido a coragem de ser novamente mãe aos 42 anos! Hoje vejo-a como a minha maior obra de arte, uma menina cheia de luz e de criatividade. E quero continuar a ampará-la nos seus sonhos. Ela gosta de teatro e de música e fico muito agradecida por ela ser como é. Tenho duas filhas, mas esta é a minha companheira, amiga... Reconhecemo-nos nos olhos uma da outra. Portanto, partilhamos a nossa vida e os nossos sonhos. Mas não olho para ela como uma atriz, nem nada que se pareça! Nem para mim olho assim! A Joana é mais crescida, foi educada de outra maneira, mas amo as duas incondicionalmente! As minhas filhas têm sido duas professoras na minha vida.
– Tem muitos sonhos por realizar?
– Tenho alguns. Gostava muito de fazer do meu monte no Alto Alentejo um espaço de turismo rural e espiritual. Gostava de conciliar as duas realidades. Adorava criar lá um projeto em que pudesse oferecer algo diferenciador. Será um sonho para realizar quando for possível, mas nunca abandonando a representação. A minha prioridade é sempre a vida profissional.
– A Rita é filha, mãe, avó e bisavó. Como concilia todos esses papéis?
– Tenho de conciliá-los. Às vezes sinto-me como a mulher sanduíche, estando ali entre a mãe e as filhas. Mas é o que tem de ser e não me sinto sobrecarregada com isso. Durante alguns anos a minha mãe viveu comigo, mas quando começou a precisar de cuidados permanentes, há aproximadamente um ano e meio, tive de a pôr numa residência. Custou-me muito e se pudesse ser de outra maneira não o faria. Já houve uma altura em que senti que tinha pouco espaço para mim, mas agora não. E sinto-me bem por perceber que sou útil para quem me rodeia.
– Há vários anos que assume estar solteira. Não tem receio de se habituar demasiado ao estar sozinha?
– Sim, mas isso é um risco que qualquer pessoa, quando não está com ninguém há algum tempo, corre. Mas sei que vou encontrar a pessoa certa para mim. É mesmo uma certeza que tenho na vida. Mas isso não se planeia e vai acontecer quando tiver de ser. Vai ser alguém que esteja em sintonia comigo e com a minha forma de estar na vida.
– Para terminar, como correu este fim de semana em família?
– Foi maravilhoso. Adorei o espaço! É um sítio deslumbrante que tem muito a ver com a minha forma de estar na vida. Adoro sentir-me rodeada de beleza. Foi um fim de semana para descontrair.

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