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Maria do Céu Conceição corre para tirar meninos do Bangladesh da rua

A antiga assistente de bordo deixou o emprego na Emirates para se dedicar a tempo inteiro, com o apoio do companheiro, Saul, a ajudar crianças e jovens do Bangladesh que vivem no limiar da pobreza.

CARAS
16 de maio de 2015, 12:00

Maria do Céu Conceição, uma vila-franquense de 37 anos que vive entre o Dubai e o Bangladesh é, desde fevereiro, recordista mundial de ultramaratonas: correu sete maratonas em sete países em apenas onze dias, batendo o recorde do Guinness. Isto depois de, em 2013, ter sido a primeira mulher a subir ao cume do Everest. O que move esta antiga assistente de bordo da Emirates, uma mulher simples e de origens humildes, é a recolha de fundos para a Fundação Maria Cristina, a que preside há dez anos e que auxilia crianças e jovens carenciados do Bangladesh: “O que me interessa não é bater recordes, é saber, quando passo a meta, quanto dinheiro consegui para a alimentação das crianças, para pagar a renda e os materiais de apoio à educação”, explicou à CARAS numa recente passagem por Portugal, onde já não vinha há cinco anos, para participar na Meia Maratona de Lisboa.
Maria do Céu deu à fundação o nome da pessoa que a criou, uma refugiada da Guerra Colonial viúva que sobrevivia a fazer limpezas domésticas e que, tendo já seis filhos, a adotou aos dois anos. Maria Cristina dizia amiúde que “quem dá de comer a seis, dá a sete”, e isso sempre inspirou a filha: “A fundação é uma homenagem a essa mulher que me criou com tanto esforço e carinho. Se ela, sendo mulher-a-dias, conseguiu criar sete filhos sozinha então, com boa vontade, tudo é possível!”
Hoje são já 200 as crianças e jovens dos sete aos 18 anos que tirou da rua. A ajudá-la tem o companheiro, Saul, um consultor inglês que era seu vizinho. “Ele não percebia muito bem por que entravam e saíam tantas crianças a qualquer hora do apartamento da vizinha do lado. Não descansei enquanto não tirei tudo a limpo”, explica. E assim começou a paixão.
Entretanto, Maria e Saul já adotaram sete adolescentes. Quando os levaram para o Dubai, a ideia era arranjar-lhes famílias de acolhimento que os recebessem, mas como ninguém manifestou disponibilidade, acabaram por adotá-los e hoje estão felizes com a decisão.

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