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Aos 42 anos, Henrique Feist vê os seus desejos tornados realidade

O artista está radiante e empolgado por ter sob a sua responsabilidade a programação do renovado Auditório do Casino Estoril, que volta a abrir portas no dia 28 de maio com ‘Rapazes Nus a Cantar’.

Inês Neves
16 de maio de 2015, 10:00

Desde 1993 que Henrique Feist tinha o sonho de ter um espaço seu onde pudesse oferecer espetáculos de qualidade ao público. Agora, o artista vê os seus desejos tornarem-se realida­de ao tornar-se responsável pela programação do Auditório do Casino Estoril. A CARAS foi conhecer este renovado espaço e conversar com Henrique.
– Aos 42, anos viu finalmen­te o seu sonho tornado realidade...
Henrique Feist –
É verdade. Como fui educado e cresci a ver teatro, fui ganhando um bichinho daquilo que gostaria de fazer, do que gostava de mudar ou de que espetáculos gostava de criar. E nunca tive um espaço meu onde pudesse fazer isso, onde pudesse programar as coisas como eu gostaria enquanto público, aquilo que gostaria de ver, até agora. Estou muito feliz por ter à minha responsabilidade este auditório e muito agradecido por acreditarem em mim e me darem essa res­ponsabilidade. Da maneira como está o país no que respeita ao apoio à cultura, alguém investir na renovação e dinamização deste espaço é fantástico.
– É uma grande responsabilidade...
– Não me assusta essa responsabilidade e esse desafio, até me dá mais estímulo e faz-me querer ir mais à luta. Agora sou responsável por um espaço, por trazer cá pessoas e entretê-las e quero que saiam daqui a dizer que gostaram do que viram, agradadas. E é isso que vou fazer!
– Mas há sempre um grande risco...
– Eu parto sempre do princípio de que tudo é um risco. A partir do minuto em que abres uma casa e tens de vender bilhetes, é um risco, ponha eu o que puser aqui em cena. Tomando isso como facto garantido, não me vou preocupar mais com isso. Vou-me preocupar com aquilo que o público possa gostar, tendo sempre a noção de que nunca vou poder agradar a todos. Por isso é que se criam diferentes públicos. O que eu não quero criar são nichos do teatro intelectual, isso odeio.
– Parece uma criança no dia de Natal...
– Estou radiante e a minha cabeça não pára com tantas ideias, agora é só ordená-las.  Mas já temos uma base, de quinta a domingo é sempre apresentado o espetáculo que faz a temporada, de segunda a quarta há espetáculos avulso. Posso considerar-me um privilegiado por estar a trabalhar desde 1982 sempre naquilo de que mais gosto. É um luxo. E nunca me deslumbrei, acho que é por isso que tenho conseguido construir a minha carreira, que já conta com 33 anos. Não estou no topo, não faço capas de revista, mas também não estagnei.
– Além de talento, é preciso também persistência e teimosia para fazer 33 anos de carreira?
– É, porque não consigo visualizar-me a fazer outra coisa. Depois, há outra coisa que me tem ajudado: como canto, danço, represento e enceno, tem sido mais fácil acomodar projetos. E gosto de fazer tudo. Tanto gosto de estar em cima do palco como a encenar e a ser duro e dizer: “Não é isto que visualizo, mudem!”
– É um bocadinho chato... ou exigente, parece-me!
– Posso parecer chato por causa do perfeccionismo. Gosto de assumir o que faço, se errar, fui eu que errei, se acertar, fui eu também. Posso ouvir muitas opiniões, mas a decisão final é sempre minha. E tem de ser assim, porque quando o público se senta está a ver aquilo que eu idealizei e não um espetáculo híbrido com diferentes pontos de vista.
– O Auditório abre as portas com o espetáculo ‘Rapazes Nus a Cantar’. Porquê?
– Precisávamos de um projeto de arranque que suscitasse curiosidade. E os Rapazes Nus é um truque de marketing válido, até porque tem um título sugestivo. Quando o fizemos, há seis anos, estávamos sempre esgota­dos. É um espetáculo que está há 17 anos em cena na Broadway e não é só pelo nu, é porque enquanto musical é muito bom. Quando as pessoas começam a ver o espetáculo, e verificamos isso há seis anos, dez minutos depois esquecem-se do nu, e centram-se na história.

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