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Miguel Ribeiro Ferreira: “Ser empresário em Portugal é quase um ato heroico”

Investidor do programa “Shark Tank”, o empresário fundou uma associação de solidariedade direcionada para pessoas com deficiências, a Quinta Essência, onde foi fotografado.

André Barata
26 de abril de 2015, 10:00

Homem de negócios, empre­sário, investidor, pai de família e agora um dos cinco ‘tubarões’ do recém-estreado programa da SIC Shark Tank. A CARAS conversou com Miguel Ribeiro Ferreira, de 44 anos, chairman do grupo Fonte Viva, no espaço da associação Quinta Essência, na Abrunheira.
Para quem não conhece, o que é a Quinta Essência?
Miguel Ribeiro Ferreira –  Quinta Essência é o quociente emocional. Foi o nome escolhido para esta quinta para realçar a inteligência emocional que têm as pessoas com deficiências.
Como é que surge a sua ligação com este local?
Tenho uma irmã mais nova, de 35 anos, que é portadora de uma deficiência e foi ela a minha grande inspiração. A minha mãe toda a vida trabalhou para lhe dar uma vida boa, mas as pessoas com deficiências, quando chegam aos 18 anos, saem das escolas públicas e ficam desamparadas, por isso nasceu esta ideia. Aqui tentamos perceber as capacidades de cada um e depois desenvolvê-las.
Queremos integrar todas as pessoas que aqui estão no mercado de trabalho e, em todos os casos possíveis, dar-lhes autonomia. 
É um caso em que o investimento não dá lucro, mas dá outro tipo de retorno...
O retorno num investimento não é só dinheiro! Esta contribuição social é um enriquecimento enorme. Como empresário, gostava de fazer a diferença, é um legado que quero deixar.
– Nesta produção teve uma companhia muito especial...
É verdade... A Nina e a Nala vieram fazer-me companhia. Sempre tive cães e quando era mais novo queria ser veterinário, mas infelizmente as notas não acompanharam esse sonho [risos]. 
  Também foi através dos cães que entrou no mundo dos negócios...
–  Aos 12 anos os meus pais ofereceram-me um casal de cães Serra da Estrela e comecei a fazer criação e a vender. Depois comecei a reparar carros, a trabalhar como jardineiro, a fazer trabalhos de restauração... Nunca pedi um tostão a ninguém! Acho que o empreendedorismo é uma coisa que se tem ou não. Pode-se aprender saindo de casa e indo à luta e isso deve ser motivado. Acho que ser empresário em Portugal é quase um ato heroico!
– Isso nunca o impediu de ser um empresário de sucesso e hoje é um dos cinco investidores do programa Shark Tank, que já está gravado. Como correu essa experiência?
– Foi de grande nível, não estava à espera. Foi muito bem feito e quero dar os parabéns à equipa de produção. O programa tem tudo a ver comigo: novas ideias, discutir os casos, investir. Recebemos casos muito bons.
Dada a conjuntura atual, é importante um programa como este em Portugal?
– Tenho a certeza de que no futuro todos aqueles projetos em que investimos no programa vão criar centenas de postos de trabalho. Vão-se gerar impostos, valor, exportações. É um programa que tem todo o mérito e deve ser reconhecido.
– Com o programa vem agora o reconhecimento público...
Não estou nada preparado  [risos]. É uma grande mudança de vida. Gosto de ser invisível. Vou até ao Guincho de chinelos e T-shirt fazer corridas com os meus cães e vou continuar a fazê-lo, mas é normal que se perca alguma privacidade.
– Deixando o mundo dos negócios de lado: é casado e pai de três filhos...
Sou casado há 19 anos, a minha mulher chama-se Maria e temos dois filhos gémeos, com 12 anos, o Miguel e a Rita, e uma filha mais nova, com dez, a Luísa.
– A Maria sempre o apoiou nos seus negócios?
– Sempre! A minha mulher é uma santa [risos]. Sem ela era impossível aguentar. Mudámos de país e andou sempre comigo de um lado para o outro. Foi e é uma grande ajuda. Contribuiu decisivamente para o meu sucesso e não tenho a menor das dúvidas que sem ela era muito difícil ter feito tudo o que fiz e continuo a fazer. É uma pessoa muito importante para mim.
E os seus filhos, têm o chamado ADN de empreendedor?
– Um deles tem, mas não vou dizer qual, para não os chatear [risos]. Já fazem muitas perguntas! Ouvem desde pequenos conversas sobre negócios e isso pode despertar-lhes o interesse pela área. Sou um homem de sorte! Tenho uma mulher fantástica, três filhos magníficos e a vida profissional corre-me bem.

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