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Fátima Lopes festeja 50 anos em Paris: “Não tenho de provar nada a ninguém”

A zona da Ópera foi o cenário destas fotografias, no dia do 50.º aniversário da estilista. Na véspera, apresentara uma coleção na Torre Eiffel.

Cristiana Rodrigues
12 de abril de 2015, 10:00
Domingo, 8 de março. A tarde em Paris estava soalheira. Fátima Lopes fazia 50 anos e a CARAS desafiou-a a dar um passeio até à Ópera de Paris. Na véspera tinha desfilado as suas propostas para o próximo outono/inverno. A Torre Eiffel serviu de cenário para a apresentação “mágica e simbólica” e a estilista não poderia sentir-se mais feliz.  
– Estar em Paris a fazer o que mais gosta é a melhor maneira para entrar nos 50? 
Fátima Lopes – Sem dúvida. Tanto que fui eu que escolhi a data. Este desfile foi o melhor presente que poderia ter tido. Acho que os 50 anos são para festejar. Costumo dizer que antes dos 100 ninguém me leva e agora tenho mais 50 pela frente. [risos]
– Parece não ter problemas com a idade...
Nunca tive, nunca escondi a minha idade e acho que não faz sentido alguém fa­zê-lo. Todos os anos são importantes quando vivemos bem, quando gostamos de nós. 
– Convive bem com as rugas?
Muito bem, pelo menos até agora. Daqui para a frente não sei o que pode acontecer, mas hoje sinto-me bem. No dia em que isso não acontecer, farei alguma coisa para mudar. Temos de nos olhar ao espelho e gostar do que vemos. E, por enquanto, gosto de mim assim. 
– Como se costuma dizer, não há milagres!
Isso mesmo. Já cuido de mim há muitos anos. Uso um bom creme, tenho cuidado com a alimentação, embora não ande a contar calorias, e quando posso faço ginástica. E faço isto desde os 20 anos, por isso, não é um milagre chegar aos 50 e dizer que gosto de mim. Não fumo, não bebo álcool, a não ser socialmente, e não faço noitadas. 
– Nunca cometeu excessos? 
Não. Tinha 13 anos quando experimentei fumar, soube-me mal e nunca mais peguei num cigarro. Depois, sempre passei ao lado das drogas, nunca me atraíram, nunca tive curiosidade. Gosto de me divertir, gosto de sair para dançar, gosto de beber um copo e faço isto tudo sem excessos. 
– Os 50 são uma boa idade para se voltar a apaixonar?
Quem sabe... mas gosto de viver sozinha. Gosto de ter a minha vida organizada. E, no fundo, estive grande parte da minha vida casada. Comecei a namorar aos 16 e essa relação durou mais de cinco anos, depois estive casada dez anos com o meu primeiro marido e o meu segundo casamento durou quase nove anos...
– Mas faz-lhe falta ter esse lado sentimental preenchido?
Sou muito próxima da minha família. Somos cinco irmãos, tenho oito sobrinhos e a minha mãe. O meu pai, infelizmente, já morreu. Eles estão longe, mas sempre que posso viajo para junto deles. Estive na Madeira no Natal e vou voltar na Páscoa. E em Lisboa tenho outra família de coração, que são os meus colaboradores que estiveram aqui e que estão ao meu lado todos os dias há mais de 20 anos. Por isso nunca me senti sozinha, mas também não tenho feitio para me isolar. 
– Mas não é a mesma coisa do que ter alguém para partilhar a vida... 
Evidente que não, mas para isso tenho de encontrar a pessoa certa. Nunca fez parte do meu feitio estar com alguém só por estar. Mas cada vez estou mais prudente, para não fazer asneiras [risos] e agora também estou mais exigente. Não tem de ser um príncipe perfeito, mas tem de ter alguns requisitos...
– Que são...
Tem de ser um homem muito seguro de si próprio. Eu sei que intimido, que a minha vida intimida. Não é fácil para um homem ser ‘o namorado de’ ou ‘o marido de’ alguém. As mulheres não se importam de ser ‘a mulher de’, mas os homens importam-se, portanto, tem de ser uma pessoa segura, bem resolvida. Depois, tem de ser inteligente, não pode ser arrogante nem pretensioso...
– Portanto, está mesmo a querer ficar sozinha... [risos]
[risos] A beleza não me interessa nada, e nem tem de ser uma pessoa que esteja muito bem na vida... Acho que não é pedir muito. [risos] Sei que não é fácil, mas também não estou à procura. Na minha vida foi sempre acontecendo. Não tenho pressa e acredito que vá aparecer alguém.  
– Há pouco tempo foi tornado público o facto de ter um processo de revitalização pa­ra salvar uma empresa. Agora está em Paris a apresentar mais uma coleção. Há quem se questione como é que se consegue...
A marca Fátima Lopes não é uma empresa, são várias, e a marca nunca esteve em risco. Eu reestruturei uma empresa porque tinha de ser. A moda de autor nunca foi uma prioridade para ninguém e com a crise que atravessamos, era lógico que as vendas caíssem em Portugal. Mas não é um drama. A marca nunca esteve em risco, repito. Inclusivamente, criei mais uma sociedade com a Joia da Europa, com quem estou a trabalhar nas minhas duas linhas de calçado, uma casual e outra sofisticada, que foram apresentadas aqui ontem.
– Deixar de integrar o calendário principal da semana da moda teve a ver com isso?
Não, de todo, foi opção minha. Nas úl­timas vezes tive de fazer desfiles às nove da manhã, antes da Chanel, e estou cansada, já não preciso. Durante anos foi importante fazer parte do calendário oficial, quando ninguém me conhecia. Agora tenho o meu público e tenho imprensa. São muitos anos, são 33 desfiles seguidos em Paris. 
– Quanto custa desfilar em Paris?
Muito dinheiro, mas quem paga é o Portugal Fashion. 
– Ainda tem alguma coisa para provar a alguém?
Já não tenho de provar nada a ninguém. Quando saí da Madeira, há 30 anos, alguma vez me passava pela cabeça chegar a Paris? Fazer 33 desfiles seguidos aqui? Nem em so­nhos. Tenho feito muitas conquistas e sinto uma tranquilidade enorme.
 

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