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João Sousa: “Sonhava estar entre os 50 melhores e consegui”

Natural de Guimarães, vive em Barcelona e é o melhor tenista português de sempre.

Joana Brandão
29 de março de 2015, 14:00

Aos 25 anos, é o tenista portu­guês com a melhor classificação de sempre no ranking ATP. Natural de Guimarães, João Sousa vive em Barcelona desde os 15 anos, altura em que escolheu fazer do ténis a sua vida. Para trás ficaram o futebol e a medicina. Com o apoio da família, estabeleceu o objetivo de ser um dos melhores do mundo e os resultados não deixam dúvidas.
Começou por idolatrar Roger Federer e Rafael Nadal. Hoje joga com eles. “É impressionante olhar para trás e imaginar-me miú­do a vê-los jogar na televisão. São dois dos meus ídolos. Joguei com eles no ano passado e foram jogos muito equilibrados”, conta.
Maduro para a idade, João Sousa tem no treinador, Frederi­co Marques, um grande apoio, mas também na namorada, Júlia Villanueva, com quem partilha a vida em Barcelona há sete anos.
Os seus feitos são notícia em todo o mundo. Conte-nos como surgiu o ténis na sua vida.
João Sousa – O meu pai frequentava o clube de ténis de Guimarães e aos três anos comecei a ir com ele. Aos sete inscreveu-me na escola de ténis, mas nunca pensámos que chegaria a profissional, até porque também praticava natação e futebol. Aos 12 anos venci o Campeonato Nacional de Sub-12, em Lisboa, e o meu pai e o meu antigo treinador, Luís Miguel Coutinho, aperceberam-se de que poderia ser bom jogador. Aos 15 decidi ser profissional e fui para Barcelona. Como era muito bom aluno, os meus pais alinharam no meu sonho, mas sempre com a condição de eu continuar os estudos. O primeiro ano em Barcelona foi difícil, mas acabei por me adaptar. Uns meses depois mudei-me para a BTT Tennis Academy, nos arredores de Barcelona, e estou lá há nove anos.
Vive em Barcelona há dez anos. Quando pensa regressar a casa, pensa na cidade catalã?
– Viajo 137 semanas por ano, por isso, é complicado definir uma casa. Mas sim, é para lá que regresso sempre. Desde os 15 anos que vivo em Barcelona, fiz muitos amigos e o meu dia-a-dia é lá.
E é em Barcelona que tem a sua namorada. Estão juntos há sete anos, pensam casar?
– A Júlia é um dos pilares da minha carreira, dá-me muito apoio emocional e é gratificante ter alguém para quem regressar quando termino os jogos. Ela valoriza-me pelo que eu sou e não pelo que faço. Crescemos juntos e aprendemos muito um com o outro. Sou muito feliz com ela. Mas a Júlia sabe que, neste momento, o ténis é a minha prioridade. A minha carreira é curta e quero jogar pelo menos até aos 33 anos. Portanto, só daqui a oito anos pensaremos em casamento.
A Júlia costuma acompanhá-lo nos torneios?
– Quando estou a jogar tenho rotinas que gosto de cumprir e se a Julia estivesse lá não iria conseguir concentrar-me. Quando estou com ela dou-lhe toda a minha atenção.
Vive em Barcelona e viaja grande parte do ano. Sobra tempo para visitar Guimarães?
– Sempre que posso vir a Guimarães, faço-o, para estar com a minha família, como foi o caso destas férias de Natal. Sem o apoio deles nada disto teria acontecido. Quando fui para Barcelona os meus pais fizeram um grande esforço financeiro e sem a ajuda deles não teria chegado a profissional.
Já começou uma nova temporada e na semana passada subiu para 45.º no ranking mundial. Qual o balanço que faz dos últimos meses?
– Positivo, porque só estou a disputar torneios do nível ATP, onde estão os melhores jogadores. Considero-me um deles e eles também já me veem como tal.
Detém o título de melhor tenista português de sempre. Quando se chega tão longe, o que se pode esperar a seguir?
– Gostava de continuar a superar-me, de alcançar uma marca melhor. Sou perfeccionista e exigente comigo, às vezes demasiado. Mas não sou obcecado por rankings.
O ténis é um desporto emocionalmente exigente. Como se lida com os altos e baixos?
– O ténis é um desporto muito completo, a nível físico, emocional e técnico. Mas é verdade que a parte mais complicada é a emocional. Os melhores tenistas do mundo têm esse lado muito desenvolvido e conseguem controlar-se nos grandes momentos de tensão. A experiência ajuda muito e este ano foi importante em termos de aprendizagem. Tive boas experiências nos melhores estádios do mundo e espe­ro ter mais no futuro.
Em dez anos impôs-se no ténis mundial. Sente-se realizado?
– Sempre acreditei em mim e era um sonho estar entre os 50 melhores. Consegui-o e agora quero sempre chegar mais longe.

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