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Maria Borges conquistou as mais desejadas ‘passerelles’ do mundo

A manequim, de 22 anos, conta como passou de uma menina humilde de Luanda para um anjo da Victoria’s Secret.

Inês Neves
29 de março de 2015, 10:00

Maria Borges está a viver um sonho. Em pouco mais de quatro anos, a jovem que tinha uma vida humilde nos arredores de Luanda, em Angola, tornou-se um anjo da Victoria’s Secret e uma das mais desejadas manequins nas passerelles internacionais. Aos 17 anos ficou em segundo lugar no concurso Elite Model Look de Angola, hoje, aos 22, trabalha com os mais prestigiados nomes da moda, entre os quais Dior, Givenchy, Tom Ford, Versace ou Marc Jacobs. Maria diz que o que lhe aconteceu é “uma bênção”.
– Porque é que diz que o que lhe aconteceu é uma bênção? 
Maria Borges – Tenho mesmo de dar graças a Deus por tudo o que me está a acontecer, está tudo a acon­tecer no momento certo. Sou uma abençoada. Não tive uma infância fácil... Fui criada pela minha irmã mais velha e pelo meu irmão. Aliás, a minha irmã, que hoje tem 26 anos, é que tem feito o papel de mãe e pai ao mesmo tempo, e fá-lo desde os meus 11 anos, desde que a minha mãe nos deixou. Mas sinto que a minha mãe me tem acompanhado, sei que ela, onde quer que esteja, me tem abençoado bastante e sinto a sua presença, sinto que tenho um anjo a acompanhar-me em todos os lugares que vou. E isso faz-me sentir segura.
– A sua irmã tem sido mesmo uma mãe para si. Foi ela que não a deixou seguir este seu sonho mais cedo, não é verdade?
– Sim. A minha irmã dizia-me que eu era muito nova e que tinha era de estudar, por isso, até ao concurso Elite Model Look, só sonhava em ser modelo. Mas quando estava quase a terminar a 10.ª classe, ela disse-me que eu podia tentar, mas que só poderia viajar depois de terminar o ano. E assim fiz, no princípio de 2011 vim para Portugal, onde fiz o Portugal Fashion. Depois, em 2012, fui pela primeira vez a Nova Iorque, apenas na condição de fazer um teste, para ver se me enquadrava nesse mercado. Graças a Deus fiz logo 17 desfiles na minha primeira temporada da Fashion Week e tive destaque na Forbes África como uma das mulheres negras a fazer mais desfiles. Fiquei super feliz, quase que não acreditava, porque na Semana da Moda há tantas outras modelos e de repente eu estava na lista número 1.
– Há sonhos que se concretizam...
– É verdade. Estou mesmo feliz. Nova Iorque tem-me recebido muito bem. Já desfilei para Marc Jacobs, Oscar de la Renta, Dior, Givenchy, Tom Ford, Versace... Já desfilei também em Paris, Milão, Londres, onde estive a fazer Victoria’s Secret pela segunda vez consecutiva. E desta vez tive um grande destaque com dois looks. Antes do desfile pedi a uma amiga para me beliscar porque não acreditava que podia ser verdade. Isto só pode mesmo ser um sonho. Já cheguei a um patamar da minha carreira de ter de preservar mais a minha imagem, de não poder fazer, por exemplo, 17 desfiles numa temporada e fazer só 7, com os melhores.
– Quando era nova era o típico patinho feio, com quem os colegas da escola brincavam?
– Sim, era uma das mais altas da turma e também a mais magra. Passavam por mim e diziam: “Ela não come, é muito magrinha.” Mas eu comia, sou magra por natureza. Às vezes ia a umas festas e não me levantava, para não ouvir os tais comentários. Cresci muito tímida, houve uma altura em que me senti mal, porque as outras meninas gozavam comigo. Mas nunca me deixei ir muito abaixo, os rapazes diziam: “És magra, mas és bonita.”
– A sua carreira parece uma bofetada de luva branca aos seus colegas de escola...
– De certa forma... Tenho os meus colegas como amigos no Face­book e só me dizem:  “Uau, no colégio só se dizia que eras muito magra, agora és uma star.”
– A Maria vem de uma família humilde. Não se deixou deslumbrar com tudo isso?
– Foi uma grande mudança, é verdade, e é fácil deslumbrarmo-nos. É preciso muita concentração, saber o que queres e relembrar porque é que estás ali. E se estás ali com um objetivo, tens de o cumprir, não podes fazer coisas que te desviem desse caminho. Eu estou lá para trabalhar, para ter um futuro melhor, não para o estragar.
– A sua família não teve receio da sua mudança para Nova Iorque?
– A minha irmã teve muito me­do, mas garanti-lhe que iria comportar-me e que voltava a estudar para terminar a faculdade, de forma a alcançar outros patamares no mundo da moda. Ainda agora comecei, tenho muitos passos para dar, mas quando estiver firme vou continuar os meus estudos.
– E tem-se portado bem?
– Sim, tenho. Não vou muito a discotecas nem festas. E desde que apresentei o Perikles, ficaram mais descansados, pois sabem que tenho alguém lá em Nova Iorque a cuidar de mim e que me protege. Ele às vezes liga à minha irmã a dizer que eu estou bem e segura e que me tenho portado bem.
– Como conheceu o Perikles?
– Conhecemo-nos em Nova Ior­que, no café de um amigo meu, e namoramos há quase dois anos. Estamos muitos apaixonados e super felizes. Foi muito bom encontrar alguém que fala a minha língua. Mas quando nos conhecemos ele praticamente já tinha esquecido o português e eu estava a começar a aprender o inglês, foi um bocadinho difícil e engraçado. Ensinámo-nos um ao outro.

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