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Realizada, Margarida Vila-Nova diz: “Sou feliz nas escolhas que faço”

Depois de três anos em Macau, o regresso a Portugal, onde protagoniza a novela “Mar Salgado”, deu-lhe novo fôlego.

Joana Brandão
21 de março de 2015, 10:00
Com apenas cinco anos estreou-se como atriz e, desde então, tornou-se uma das mais respeitadas profissionais da sua geração. Passados 25 anos, muito mudou na vida de Margarida Vila-Nova. Da televisão ao cinema, sem esquecer o teatro, a atriz construiu uma carreira consistente, e depois de três anos afastada da ficção nacional o seu regresso é bastante revelador. No papel de  Leonor Trigo, em  Mar Salgado, Margarida dá provas de maturidade naquele que é um dos maiores desafios da sua carreira. 
Deixar Macau, onde vive há três anos com o marido, Ivo Ferreira, e os filhos, Martim, de seis anos, e Dinis, de três, foi uma decisão tomada em família e, diz à CARAS, só em família a vida faz sentido. Em Portugal até ao verão, altura em que terminam as gravações de Mar Salgado, Margarida aproveita todos os momentos para passear e armazenar memórias do nosso país para levar consigo no regresso a casa. Foi num desses momentos, um fim de semana descontraído no Porto, que conversámos com a atriz da SIC.
– Como protagonista, o seu papel é muito exigente e as horas de gravações intensas. Gosta de aproveitar os tempos livres para passear e sair de Lisboa?
Margarida Vila-Nova – É extremamente importante conseguir desligar da novela ao longo do processo, porque é a única forma de eu me reinventar, de pensar em novas formas de encarar a minha Leonor. Por exemplo, durante a semana preciso de ir ao teatro, ao cinema ou jantar fora. Mas sempre que posso aproveito para visitar Portugal, como desta vez. Vim ao Porto como turista, passear de máquina fotográfica na mão. Não há nada como viajar, nem que seja dentro do meu país. 
– O Porto foi eleito pelo segundo ano consecutivo o Melhor Destino Europeu. O que lhe pareceu a cidade?
O Porto está um luxo! Tem uma nova movida cultural, é uma cidade cosmopolita, bonita e luminosa. O turismo trouxe muito dinamismo e as pessoas andam alegres na rua. No Porto eu reencontro-me. Sou uma apaixonada pelo meu país e, depois da minha Lisboa, o Porto é, sem dúvida, a minha cidade de eleição.
– Vive em Macau há três anos. A distância aproximou-a de Portugal? 
Quando estamos fora, e acho que este ponto é comum a todos os emigrantes, a relação com o país fica mais estreita, a nossa portugalidade vem ao de cima. Por isso, quando estou cá tento usufruir e desfrutar de tudo ao máximo. As recordações tornam-nos mais ricos e esta é a nossa identidade. É verdade que a minha relação com Portugal é melhor desde que me mudei para Macau.
– A representação apareceu na sua vida muito cedo. Alguma vez tinha sonhado ter uma mercearia?
Eu e o Ivo queríamos ter um negócio paralelo que nos tornasse mais livres nas nossas opções profissionais. Precisamos de liberdade para escolher os projetos que sejam realmente importantes. A nossa profissão é muito instável, de freelancer, por isso queríamos um projeto contínuo, que nos desse alguma estabilidade, mas teria de ser algo em que acreditássemos. E assim criámos a Mercearia Portuguesa. Há muitos anos que o Ivo trabalha para Macau, até chegou a viver lá, por isso este regresso, e a ponte entre Macau e Lisboa, foi natural.
– Sente-se realizada também como empresária?
Sim, porque consigo reinventar-me todos os dias. Sou uma pessoa livre, gosto de adormecer com uma ideia e concretizá-la quando acordo. Gosto de estar em permanente alerta, tem a ver com a minha natureza, e acredito que para ser uma boa empresária tenho de ser uma boa atriz, uma boa mãe e uma boa mulher. O ano em que fomos para Macau foi um ano sabático, em que precisei de parar, respirar, marcar novos objetivos na minha cabeça. A maior liberdade que podemos ter é poder partir quando quisermos. 
– Essa liberdade fica um bocadinho condicionada quando tem duas empresas para gerir. O facto de ter negócios em Macau prende-a lá?
Quando decidimos arrancar com este negócio a longo prazo, fizemo-lo conscientemente, mas não posso dizer se será para toda a vida, ninguém sabe o dia de amanhã. De forma a não criar frustrações, prefiro deixar em aberto essas decisões definitivas e radicais. É preciso saber entregar ao tempo estas decisões. Para já, as coisas estão a correr bem e sou feliz com este modo de vida. 
– Imagino que durante o passeio pelo Porto tenha sido reconhecida na rua. Já se habituou a ser anónima em Macau?
Ser reconhecido na rua é fruto do trabalho que fazemos e resultado do investimento que fiz nesta Leonor. Atravessei o mundo para fazer este papel, queria muito que resultasse e fico feliz com as reações das pessoas. Mas, respondendo à tua pergunta, em Macau a minha vida é muito discreta e tranquila nesse sentido. Lá sou a Margarida da Mercearia, e confesso que gosto. Sou muito descontraída, não me levo muito a sério nem me tenho muito em conta. O importante é estar rodeada das pessoas certas, viver o momento e ser feliz nas escolhas. 
– O seu filho mais velho tem seis anos. Está a frequentar o primeiro ano em Portugal?
A minha família acompanhou-me neste projeto e o que era para durar seis meses vai durar um ano. Tal só seria possível se tivesse a minha família comigo. Por isso o Martim está na escola portuguesa cá e na escola chinesa em Macau. Em casa falamos português e inglês e na escola eles falam cantonês.
– Atriz, empresária, mulher e mãe. Qual é o seu papel principal?
Se não me sentir feliz no meu trabalho, chego a casa triste. Mas quem me conhece sabe que não dispenso a família. O importante é haver um equilíbrio. Gosto de ir trabalhar porque sei que vou chegar a casa; gosto de estar em casa porque sei que no dia seguinte vou sair para trabalhar. Sou muito feliz nas escolhas que faço.
– Tem 31 anos, uma relação de oito anos e dois filhos. É importante a estabilidade emocional para ser bem sucedida no dia a dia?
É muito importante ter estabilidade emocional e familiar, porque mesmo quando estou a trabalhar continuo a ser eu por trás das minhas personagens. Embora eu coloque sempre o trabalho à minha frente e ache que os meus papéis são mais importantes que eu, a minha experiência de vida, a relação com os meus pais, com os meus filhos e com o marido é a bagagem emocional que eu tenho para interpretar cada personagem.
– Já tem planos para o regresso a Macau?
Eu e o Ivo vamos fazer um filme, financiado pelo Governo de Macau, que conta a história de uma portuguesa emigrada há muitos anos. É uma personagem forte e muito rica, diferente do que é feito hoje em cinema. Ele costuma dizer que o papel da Maria foi escrito para mim. A ideia é filmar até ao final do ano, para estrear em 2016. Antes ainda vou fazer uma pequena participação no filme que o Ivo vai começar a filmar entretanto, As Cartas da Guerra, uma adaptação de um livro de António Lobo Antunes. Basicamente, este ano vou filmar com o Ivo, o meu realizador de eleição. 
– Como é ser dirigida pelo seu marido?
Trabalhamos bem juntos, temos um grande respeito e admiração profissional um pelo outro e respeitamos o papel de cada um. Ele é o realizador, eu sou a atriz. Estas relações profissionais só podem trazer frutos positivos ao trabalho.

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