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Os contrastes e a cumplicidade de Marta e Catarina Lowndes

Mãe e filha formam uma dupla que concilia na perfeição aparências e atitudes perante a vida.  

Diana de Cadaval
21 de março de 2015, 14:00
Marta Lowndes é uma mulher de quatro culturas – brasileira, portuguesa, inglesa e americana. Embora a sua base seja em Portugal, nasceu, cresceu, estudou e trabalhou pelo mundo. Arquiteta, pintora, gestora e criadora de joias, Marta vive em permanência o desafio dessa identidade multicul­tural a par da convivência com duas filhas, cidadãs do mundo com personalidades e percursos muito próprios. Em exclusivo para a CARAS, em Lisboa, deixou-se fotografar com a sua filha Catarina e conversaram as duas sobre uma vivência e um atitude fora do comum – uma dupla de mãe e filha que se distinguem pelos contrastes assentes e tolerados numa base de confiança e liberdade.
– As suas origens estão mui­to para lá de Portugal...
Marta Lowndes – Não deixa de ser muito português vir de diferentes geografias, sobretudo as minhas: a minha mãe é inglesa, o meu pai é português, mais precisamente do Minho, aquele toque ‘português-extra’, e eu nasci no Rio de Janeiro. Alianças muito importantes da nossa história.
– E o seu percurso de vida também foi por esse mundo fora. Descreva-nos o roteiro geográfico da sua vida.
Tive a sorte de vir para o Porto já na segunda classe. O meu pai teve imenso cuidado em ensinar-nos tudo sobre a cultura típica e tradicional de Portugal, trajes, fado, pratos, vinho verde e costumes. Contudo, foi no Rio de Janeiro que tirei a licenciatura em Arquitetura e Planeamento Urbano. Apesar da exuberância carioca, escolhi casar com António Lucena de Faria, também português e meu vizinho do Graham, Boavista. Tirámos os dois o MBA em Minneapolis, EUA, decidimos dar uma oportunidade a Portugal e voltámos. Durante sete anos trabalhei para uma multinacional americana e reportava a Londres. A minha ida para os Estados Unidos, seguida de constantes viagens para Londres e para a América, consubstanciaram em definitivo a herança inglesa, muito fácil, muito fluida para mim. Passei a pensar com quatro léxicos culturais diferentes: o brasileiro, o português e o inglês e o americano. De cada um herdei diferentes valores, a densidade romântica portuguesa, a tole­rância brasileira, a sabedoria inglesa e o pragmatismo americano.
– Arquiteta de formação, pintora em algumas fases da sua vida, empresária de negócios em muitas outras, onde a podemos situar? 
Eu não tenho a menor dúvida de que existo para criar. Desde a poesia, minha primeira expressão artística, às formas e lugares da arquitetura, aos planaltos da expressão plástica e à materialidade de produtos, eu vivo e existo tanto no processo de criação como na sua concretização. 
– Como surge a aventura das joias Braganzia? Dum ímpeto ou dum velho sonho?
A ideia surgiu há muitos anos, desde que voltei a Portugal. O olhar estrangeirado faz com que se aprecie verdadeiramente a beleza das artes e da história portuguesa. Por outro lado, a minha mãe cultivou-nos o amor pelas joias, sobretu­do as de família, secundada pelo pai, com o enorme gosto pela ourivesaria tradicional.
– O que marca a diferença das joias que cria num universo com tanta e tão diversa oferta?
Tendo a sua raiz na nossa história, a Braganzia foi de­senhada principalmente para as mulheres modernas. 
– A Catari­na é uma jovem mulher com uma atitude diferente do comum e que, logo na aparência, contrasta com a mãe. Como viveu, e como vive, no dia-a-dia, as diferenças entre mãe e filha? 
Lindamente. Acredito na diferença, na diversidade e na expressão própria, valores emprestados das culturas que são os meus alicerces. Claro que existe algum receio em relação aos ‘novos’ caminhos que a Catarina está a escolher, mas acreditamos nos valores que lhe transmitimos. 
– Integrar a Catarina no projeto Braganzia, com a participação dela no vídeo de apresentação, é cumplicidade ou marketing? 
Ambos. Adoro a irreverência da Catarina, o cabelo turquesa e o seu estilo romântico, algo semelhante à Maria Antonieta, que combina perfeitamente com a marca. 
– Catarina, como é que reagiram os seus pais à originalidade da sua aparência e à sua vocação para a música?
Catarina Lowndes – Os meus pais reagem hoje da mesma maneira que sempre reagiram: aceitação sem hesitação. Aceitação foi sempre uma atitude importante dentro de casa. É um dos valores que realmente agradeço aos meus pais por me ensinarem, porque o mundo está repleto de pessoas únicas, com aspetos, culturas e religiões diferentes dos meus. 
– Qual é o seu ídolo e quais são as suas referências musicais?
Sem contar com a minha família, a maioria dos meus ídolos são diretores de cinema ou criadores de videojogos. Kubrick, Spielberg, Tarantino, Shigeru Miyamoto e Keiichiro Toyama. Sou uma pessoa altamente visual. Quando escrevo uma música, tenho sempre uma história a ser criada na minha cabeça, como se fosse um filme reple­to de emoções, em terras imaginárias. Para mim, a música tem de ter um toque cinematográfico.
– A Catarina canta em que idioma? 
Eu canto em inglês, aliás, todas as músicas da minha banda são em inglês. Canto para milhares de pessoas com os Lionskin. Tem sido uma viagem longa, cheia de emoções, peripécias e muita aprendizagem. 
– Onde gostaria verdadeiramente de morar e fazer carreira profissional?
É uma per­gunta complicada, porque eu ainda espe­ro viver em muitos lugares. Aprendi, contudo, que os planos não se concretizam de imediato e por isso neste momento é Portugal. Adoro este país e sou imensamente grata pelas oportunidades que me trouxe. Por estar aqui, tornei-me ‘cantora-entrevistadora’ e ‘youtuber’. 
– O cabelo numa cor fora de comum é só para marcar a diferença ou é muito mais do que isso?
Sempre adorei a cor entre o verde e o azul, cor do mar infinito e ‘transmutante’. Também é uma cor que se encaixa com o meu tom de pele, por isso decidi pintar o meu cabelo da cor do mar. Fiz isto por mim, porque acho bonito. Eu nem noto se as pessoas olham ou não. Aliás, quem nota mais é a minha mãe: quando saímos juntas acaba sempre por observar como é engraçado a quantidade de pessoas que olham. 

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