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Fátima Lopes comenta risco de falência da sua empresa

A criadora e empresária confirma que a empresa com o seu nome atravessa um momento muito difícil e que, em vez de pedir a insolvência, decidiu optar por um plano de revitalização para salvar o negócio da sua vida. Esclarece ainda que a dívida é inferior a um terço dos cerca de 1,7 milhões de euros referidos em notícias recentes.

CARAS
15 de março de 2015, 10:00

Na semana em que foi tornado público o risco de falência que atravessa a empresa de moda que criou há mais de 20 anos, Fátima Lopes conta, em entrevista exclusiva, como tem lutado para salvar o negócio que também é a sua vida e explica os motivos que levaram o comendador Joe Berardo a não reclamar uma dívida de 616 mil euros.
– Como está a lidar com o risco de falência de uma empresa em que investiu tanto de si?
Fátima Lopes – Não escolhendo o caminho fácil de muitos empresários, que preferiram declarar a insolvência das suas empresas com as consequências que se conhecem. Nós optámos por nos incluir num processo de revitalização para salvar a empresa. A empresa foi considerada viável e vai continuar. O Plano Especial de Revitalização foi negociado nos últimos meses e está aprovado e homologado.
– É por ter tanto de si investido na Fátima Lopes, Lda. que decidiu avançar para o processo de revitalização?
– Esta foi a minha primeira empresa, faz parte da história da minha vida e quero salvá-la. As crises não são eternas e acredito no futuro.
– Joe Berardo decidiu não reclamar o crédito de 616 mil euros. Como explica isso? Qual é sua relação com o comendador?
– Joe Berardo é sócio da Fátima Lopes, Lda. em 50 por cento. Foi nessa qualidade que decidiu perdoar os suprimentos que fez, tal como eu perdoei os que fiz no valor de 296 mil euros.
– Esse perdão foi uma decisão pacífica para ambos?
– A decisão de perdoar os suprimentos para salvar a empresa foi a de dois empresários responsáveis, que assumem os seus compromissos.
– A Fátima e o comendador Joe Berardo são os únicos sócios da empresa?
– A Fátima Lopes, Lda. pertence aos dois sócios, tendo cada um 50 por cento das quotas.
– A empresa tem uma dívida superior a 1,7 milhões de euros?
– Não, essa notícia não é verda­deira. Esse valor foi o inicial e incluía os suprimentos dos sócios e os valores que entretanto foram sendo pagos. Neste momento o valor real das dívidas da empresa é de menos de um terço desse valor, com planos de pagamento assumidos e aprovados.
– De todas as dívidas que tem, qual é a que mais a preocupa?
– Todas as empresas têm dívidas, sobretudo em alturas de crise. Preocupam-me todas por igual, serão todas pagas de acordo com os planos já assumidos.
– Que motivos aponta para a crise e o acumular de dívidas? Pergunta-se muitas vezes o que terá corrido mal?
– A crise é real e atingiu o país inteiro nos últimos anos, não me parece que a minha empresa pudesse ser exceção. Não é surpresa para ninguém o facto de a moda de autor não ser uma prioridade neste momento para os portugueses, quando a maior parte das pessoas luta pela sobrevivência. Exceto o comércio da Avenida da Liberdade, que tem como clientes os turistas ricos, o resto do comércio de luxo atravessa dificuldades.
– Este período difícil fez-lhe alguma vez sentir o medo da derrota?
– Os últimos anos foram difíceis, mas eu sou uma lutadora e apaixonada pela minha profissão, por isso dificilmente as dificuldades me deitam abaixo, pelo contrário, as adversidades sempre me deram mais força.
– Desistir de um sonho que já tem mais de 20 anos nunca foi uma opção para si?
– A minha vida é a moda, desistir nunca seria opção. A vida é feita de fases, umas boas, outras menos boas, mas eu nunca tive nada fácil e por isso também estou habituada a lutar pelo que acredito.
– Decidiu não ter filhos, continua solteira, admite que relegou a sua vida pessoal para segundo plano... Nunca se arre­pendeu de ter investido tanto de si no seu trabalho?
– Sempre pus o meu trabalho em primeiro plano, nunca me arrependi, porque nunca fiz sacrifícios, sempre foi a minha paixão. Apesar das dificuldades, sou abençoada, não me queixo e agradeço a vida que tenho. 
– Continua a não se arrepender de não ter sido mãe?
– Não me arrependo de não ter sido mãe, até porque tenho oito sobrinhos. Acho que supor­to todas as adversidades porque não tenho filhos, se os tivesse, dificilmente conseguiria ter a força que tenho, provavelmente a minha prioridade seriam eles...
– Nos momentos difíceis, junto de quem é que vai buscar apoio? Faz-lhe falta um companheiro?
– Tenho muitos amigos e uma família maravilhosa, que são o meu apoio para os bons e os maus momentos. Não ter um companheiro neste momento, é uma opção minha, precisava de um tempo para mim. Não tenho feitio de
solitária, mas acredito que as coisas acontecerão naturalmente quando eu estiver preparada, neste momento ainda não estou...
– É feliz?
– Eu acho que tenho muitos momentos de felicidade, porque sou uma pessoa muito positiva. Além de gostar muito do que faço, tenho a sorte de ter pessoas maravilhosas perto de mim. Acho que posso dizer que sou feliz.
– É difícil idealizar a próxima coleção tendo questões financeiras por resolver?
– Nunca tinha pensado nisso, mas, curiosamente, tenho consciência de que as minhas melhores coleções foram feitas em momentos de grandes difi­culdades, talvez seja a recompensa que o meu cérebro me dá...
– Sei que já está a trabalhar na coleção que vai apresentar na Se­mana de Moda de Paris.
– Estou a trabalhar na nova coleção há algum tempo e estou muito entusiasmada, eu sou realmente criadora de corpo e alma, nada me dá mais prazer do que criar.
– Desistir de apresentar as suas criações em Paris nunca foi uma opção quan­do viveu dias mais complicados?
– Não, nunca. Sou muito otimista, penso sempre como atingir o bem.
– Tem um grande carinho por Paris, não tem?
– Estou em Paris há 16 anos, são 32 desfiles seguidos. Paris faz parte da minha vida.
– Já criou um perfume, joias, uma linha de porcelanas... O que é que ainda lhe falta concretizar no mundo da moda?
– Falta sempre muita coisa, porque a imaginação é o limite. De seis em seis meses falta sempre começar do zero e fazer uma nova coleção, nunca é monótono. É difícil, mas a adrenalina é irresistível.

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