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Filipa Areosa: “Não há espaço para tantos egos em Portugal”

Devido ao seu papel em ‘Mar Salgado’, Filipa Areosa já começa a ser abordada na rua. Embora o encare com normalidade, a atriz considera que por vezes as pessoas não distinguem a ficção da realidade.

CARAS
7 de março de 2015, 10:00

Aos 15 anos, Filipa Areosa tinha a certeza de que o Cartaxo, cidade onde cresceu com os sete irmãos, era pequeno demais para ela. Por isso, saiu de casa dos pais e decidiu aventurar-se por Lisboa, onde tem lutado pela sua paixão: a representação. Hoje, com 24 anos, sente-se feliz com o percurso que já trilhou e é uma das atrizes mais promissoras da sua geração. Reservada, adora estar sozinha e dispensa entrevistas. Na verdade, não gosta muito de falar si, mas abriu esta exceção para a CARAS.  
– Estreou-se em horário nobre com esta novela, Mar Sal­gado. Como tem sido dar vida a Madalena?
Filipa Areosa – Tem sido muito bom. A Madalena é uma miúda normal, com a minha idade, e tem muita coisa pareci­da comigo. Mas depois tem uma relação com um homem mais velho, o que provoca atritos com a família. Acho que todas as pessoas da minha idade se relacionariam com esta personagem, tirando talvez a parte de ser homem muito mais velho, que é o choque maior.
– Imagina-se a viver um amor semelhante na vida real?
– Não, muito dificilmente. Não tem nada a ver comigo.  Mas acho ótimo falar-se destes temas numa novela da noite. O preconceito que ainda existe em Portugal não tem razão de ser. É uma coisa perfeitamente normal, não tem que haver tabus. Além disso, ouvi dizer que os homens só atingem a maturidade aos 50, por isso acaba por fazer sentido. [risos]
– No amor não há espaço para preconceitos nem tabus?
– Claro que não. Acima de tudo, tem que haver respeito. É a base de tudo. Temos que pensar primeiro nos outros e depois em nós. É aquele velho cliché, não devemos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam a nós, por isso o respeito tem que estar sempre presente.
– Apesar de jovem, já tem vários projetos no seu currícu­lo. Gostava de tentar a sorte no estrangeiro?
– Sim, gostava muito de conhecer outras formas de trabalhar. Quero ver outras pessoas, outras realidades e outras maneiras de pensar. Acho que é muito importante os atores irem para fora. Temos vários exemplos em Portugal de pessoas que tentaram e estão a ter sucesso, porque são focadas e empenhadas. E isso não acontece mais porque, de uma maneira geral, as pessoas não são focadas o suficiente.
– E a Filipa, é?
– Não sei, ainda não me pus à prova. Mas gostava muito de tentar. Ultimamente as coisas têm acontecido e eu tenho tentado não fazer do que me acontece e do que me é proposto um bicho de sete cabeças, porque não lido muito bem com stresse.
– Essa também é uma forma de não se deslumbrar?
– Sim, é. Acho que em Por­tugal é muito fácil as pessoas deslumbrarem-se, mas nós somos muito pequeninos e parece-me que não existe espaço para tantos egos. Somos todos normais, andamos todos para o mesmo e, sinceramente, não percebo. Mas cada um é como cada qual...
– Essa forma de estar na vida é fruto dos valores que os seus pais lhe passaram?
– Claro que sim. A educação é a base de tudo. Os meus pais sempre nos incutiram o gosto pelo trabalho e a ideia de que se não dá de uma forma, dá de outra. Tem é de se lutar. Mas também é normal, com tantos filhos... Somos muito aventureiros e isso faz parte de nós, do que nos foi passado, e acho que é bom. Não temos medo de ir à luta, de sair da nossa zona de conforto, de ir para outro país. Somos todos assim.
– A Filipa tem sete irmãos. Como é que é crescer numa família tão grande?
– É bom, neste momento vou para o décimo sobrinho e adoro. Ainda bem que os meus irmãos existem para me darem os meus sobrinhos. Apesar de ser muita confusão, é muito bom e eu gosto. É estranho, porque somos todos muito diferentes. Temos todos ideais e ideias diferentes e tivemos todos a mesma educação.
– Os seus sobrinhos trazem ao de cima o seu lado maternal?
– Sim. Adoro crianças e acho que tenho imenso jeito para lidar com elas.
– E gostava de, um dia mais tarde, ter a sua própria família numerosa?
– Não! Acho que todas as mulheres têm aquela vontade de ser mães, mas neste momento não penso muito nisso. Não tenho namorado sequer... Gostava de adotar, por exemplo, e assim também não tenho de estar à espera de um homem para ser mãe. À parte isso, acho que é muito importante adotar, iria sentir-me realizada como pessoa. Há sempre o medo de falhar, seja em que situação for, e eu tenho muito esse medo. Tenho medo de falhar enquanto mãe ou tia, sou muito perfeccionista, mas no dia em que decidir que vou ser mãe, serei mãe. Tenho essa responsabilidade para com outro ser humano e não posso apenas decidir ser mãe por motivos egoístas. Para ter filhos é preciso ter alguém ao meu lado de quem goste muito. E como estou solteira, e sem planos para ter uma relação nos próximos tempos, acho que adotar será a melhor opção.

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