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‘Chef’ Rui Paula ao leme de espaço emblemático: “Sinto-me abençoado”

Construída sobre as rochas em 1958, a Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, é uma das obras emblemáticas de Siza Vieira, classificada como Monumento Nacional.

Joana Brandão
15 de fevereiro de 2015, 14:00

Há 56 anos, Álvaro Siza Vieira, então colaborador de Fernando Távora, surpreendeu com a Casa de Chá da Boa Nova. Classificada como Monumento Nacional em 2011, esta emblemática obra reabriu em julho como restaurante pela mão de Rui Paula e as expectativas são enormes. Em conversa com a CARAS, o chef portuense, de 47 anos, mostra-se à altura do desafio, talvez o maior em duas décadas de carreira. O próprio Siza Vieira já se sentou à mesa do chef e aprovou a comida, uma experiência que muitos querem ter, já que a lista de espera é considerável.
Com o apoio da mulher, Cristina Canelas, e dos filhos, Mafalda, de 17 anos, e Francisco, de 11, o chef diz ter reunidas todas as condições para vingar e fazer justiça ao espaço especial e único que tem o privilégio de ocupar, em Leça da Palmeira. 
No ano em que comemora duas décadas de carreira, assu­me esta responsabilidade. Como surgiu a oportunidade?
Rui Paula – Fui convidado pelo presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, para abraçar este projeto e quan­do entrei aqui apaixonei-me. Na verdade não estava nos meus horizontes abrir outro restaurante, mas não resisti, porque isto é mágico e belo. Falámos pela primeira vez sobre este assunto há dois anos e desde então andamos em obras. Fiz um investimento grande na recuperação e adaptação do espaço. Tudo o que está aqui é especial, porque este é um espaço único que o merece. Foi um grande esforço, mas confiamos no resultado.
E o que tem de tão especial a Casa de Chá da Boa Nova?
– Tudo. O local é especial, a arqui­tetura dispensa adjetivos, a vista é magnífica, o serviço e a comida são diferenciados. Mais do que vir a um restaurante, quem nos visita procura viver uma experiên­cia. Quero que as pessoas saiam daqui preenchidas de felicidade.
A ligação com a arquitetu­ra é constante na sua carreira.  No Douro tem um restaurante moderno em cima do rio; na Baixa do Porto está no histórico Palácio das Artes; e aqui ocupa um monumento nacional...
– As carreiras têm de ser feitas com sustentabilidade e na hora de escolher o local para um restaurante tenho essa preocupação. Procuro locais ímpares e com glamour que nos ajudem a atingir os objetivos. Sinto-me abençoado.
– Está a chegar uma nova edição do concurso Masterchef, no qual é jurado. Está na moda ser chef, mas não basta saber cozinhar...
– É verdade que está na moda e é bom para todos, mas também é uma faca de dois gumes, porque não podem todos ser chefs. As carreiras constroem-se e os degraus têm de se subir um a um. Não é por acaso que em Portugal há poucos chefs, porque implica ser um bom gestor e comunicador, saber cozinhar e liderar as equipas. Não é fácil, por isso tenho receio que se banalize a profissão. Tudo o que tenho e construí até hoje fi-lo por mim, a pulso. Não tenho sócios, só a minha mulher e o meu irmão.
– Diz a sabedoria popular que atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher. O seu caso é exceção?
– Não, a minha mulher é uma guerreira. Apesar de ser formada em Marketing, optou por se juntar a mim no Cêpa Torta e, como eu, entregou-se à restauração. Ela é responsável pelo serviço de sala do DOC e uma referência. Quem por lá passa não esquece a forma como é recebido. Ela não falha e só tenho a agradecer tudo o que ela tem feito. Aliás, se não a tivesse ao meu lado nunca teria chegado tão longe.
Como se conheceram?
– Estudávamos no Porto e cruzámo-nos em algumas festas. Depois de oito anos de namoro casámos, já lá vão 17 anos. Temos dois filhos e são eles que padecem mais com a nossa profissão.
Para chegar aqui fazemos muitos sacrifícios, mas eles compreendem, porque sabem que se não for assim os resultados não aparecem.

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