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Bárbara Norton de Matos: “Poderia ter tido outro percurso profissional, mas não seria tão feliz”

A atriz voltou às novelas com ‘Mar Salgado’, na SIC, num papel que lhe permite ser mãe quase a tempo inteiro. Bárbara conta que a partir do momento em que Luz entrou na sua vida, não aceitou mais papéis de protagonista, pois a filha é prioritária em relação ao trabalho.

Inês Neves
14 de fevereiro de 2015, 10:00

Numa espécie de balanço, Bárbara Nor­ton de Matos conta como abdicou de uma carreira de maior sucesso ou destaque pela filha, Luz, de oito anos. Para a atriz, ser mãe é a sua prioridade. “O final da tarde depois da escola, o jantar à mesa, ajudar no banho, levá-la à ginástica... Sentir que eu estou lá é muito importante para as bases e autoestima da Luz. Quem delega essas tarefas e vive bem com isso, ótimo, não condeno. Mas eu não conseguiria viver bem com isso, de certeza que iria sentir-me culpada mais tarde.” Bárbara confessa que gosta mesmo do papel de mãe e acredita que há de ter pelo menos mais um filho quando encontrar a pessoa certa...
– Há uns tempos queixava-se de que tinha demasiado tempo livre, agora está na novela Mar Salgado e entrou no musical Conto de Natal. Voltou à correria de que tanto sentia falta?
Bárbara N. de Matos – É verdade e ainda bem. Estou super feliz com o trabalho, estou a gostar muito da nova casa, a SIC, depois de 15 anos noutra estação. Em relação ao musical, adorei. Só fiz duas peças de teatro na minha vida, e foi por opção. Como era exclusiva da TVI e sendo mãe, era complicado conciliar as coisas. Desta vez consegui fazê-lo porque a minha personagem na SIC não tem assim tanto relevo e incidência, gravo poucas vezes por semana e consigo ser uma mãe muito presente.
– Mas sendo mãe solteira deve ser com­plicado conciliar o trabalho com esse papel de mãe...
– É preciso muita organização. Ela já tem oito anos, já tive tempo para me habituar. Ao princípio é que era mais complicado gerir tudo, era uma loucura.
– Agora já não dá em doida?
– Já não, estou muito mais calma. Tor­nei-me uma pessoa muito diferente desde
que a Luz entrou na minha vida e uma das coisas que fiz foi tornar-me mais paciente e aprender a relativizar as coisas. Por exemplo, segunda-feira não consegui dormir quase nada, mas mentalizo-me que vou recuperar no sábado. E arranjo forças, nem sei bem onde, em vez de me queixar.
– Consegue ser a típica mãe que vai para casa fazer o jantar, ajuda no banho e nos trabalhos de casa?
– Sim, tem de ser. E aí confesso que dou um bocadinho em doida, sinto-me um bocadinho frustrada, às vezes estou tão cansada que a paciência vai-se um bocadinho. Mas respiro fundo e penso que já tive a idade dela e que não vai ser à primeira nem à segunda, que vou ter de repetir dez vezes se for preciso. A terceira classe dela não tem nada a ver com a nossa, é muito mais exigente, os miúdos estão muito mais avançados na escola. Também estou eu a reaprender para poder en­siná-la e ajudá-la nos estudos. E isso é bom.
– E o resto?
– Faço tudo. O almoço para ela levar para a escola. Às vezes são sete da manhã e estou a fazer salmão no forno para ela levar de almoço para a escola [risos].
– Às vezes, seria mais fácil arranjar aju­da e delegar algumas dessas tarefas?
– Seria, mas para mim é uma prioridade acompanhar a vida da Luz. Não ponho o meu trabalho em primeiro lugar. Consegui acompanhar todas as fases da Luz e vivê-las intensamente e, por isso mesmo, muitas vezes prejudiquei-me a nível profissional. Por exemplo, não aceitei mais protagonistas de novela, só fiz uma e foi antes de ser mãe, aliás essa foi uma das minhas condições para continuar a trabalhar, não ser protagonista. A Luz é a prioridade e gosto de acompanhá-la nas coisas dela. O final da tarde depois da escola, o jantar à mesa, ajudar no banho, levá-la à ginástica... Sentir que eu estou lá é muito importante para as bases e autoestima da Luz. Quem delega essas tarefas e vive bem com isso, ótimo, não condeno. Mas eu não conseguiria viver bem com isso, de certeza que iria sentir-me culpada mais tarde. E tudo isto são coisas que gosto mesmo de fazer. Gostava de ter mais filhos, porque gosto mesmo do papel de mãe.
– Só ainda não foi mãe outra vez porque ainda não encontrou a pessoa certa, a estabilidade emocional necessária?
– Sim. Aliás, quando era mais nova dizia sempre que queria ter uma família grande. Eu tenho muitos irmãos e adoro, é ótimo. E a Luz também me pede muito um irmão. Ela agora teve um irmão da parte do pai, mas quer que a mãe também tenha filhos, pede-me sempre uma irmã. Não acredito que vá ter uma casa cheia de filhos, mas acredito que, pelo menos mais um, sim. Faz parte dos meus projetos.
– Este verão falou-se de um suposto namorado...
– Não vou falar sobre isso.
– A Bárbara e a Luz parecem ter uma relação muito cúmplice, mais de amigas do que mãe e filha...
– Às vezes tenho de lhe dizer: “Luz, eu sou tua mãe, não sou tua amiga da escola.” Temos uma cumplicidade tão grande que é muito difícil às vezes separar as coisas. Mas, graças a Deus, a Luz é muito bem-educada e querida. E basta eu dizer “Luz, já chega”, que ela percebe. Também teve de levar umas palmadas no rabo. Alguma amigas diziam-me:
“Que horror, com dois ou três anos já lhe dás palmadas no rabo?”
O que é certo é que hoje em dia não tenho que lhe dar palmadas, basta abrir-lhe os olhos e ela entende. Posso ter sido muito exigente com ela, e fui muitas vezes criticada por isso, mas agora estou a colher esses frutos. Por exemplo, quando fez uma birra num restaurante, tinha cerca de quatro anos, estragou-me o programa, mas eu também estraguei o dela. Todos os pais dizem “se não paras quieto, vamos embora”, mas nunca vão. E eu nesse dia fui mesmo e ela ficou tão triste que nunca mais me fez uma birra daquelas. Fez também uma birra num centro comercial, e eu escondi-me, apanhou o susto da vida dela. Podem parecer coisas um bocadinho agressivas, mas resultaram.
– Essa ‘mão de ferro’ parece resultar...
– Tento é seguir o meu coração. Também lhe dou muito mimo, mas tento ser muito coerente. Por exemplo, não lhe minto, sinto que os adultos às vezes pensam que os filhos são um bocado parvos. Não menti sobre a separação, não menti sobre namorados, não lhe minto. Se é namorado, é namorado, se é amigo, é amigo. Não há o amigo que depois ela apanha a dar um beijinho na boca. Falo com a Luz, sou coerente e explico-lhe as coisas de acordo com a sua idade, porque caso contrário perco a confiança dela. Tenho uma relação fabulosa com ela.
– Há arrependimentos por ter abdicado, por exemplo, de papéis de protagonista? A sua carreira poderia ter tido mais destaque?
– Poderia ter tido outro percurso profissional, mas não seria tão feliz como sou. Sou muito feliz como mulher, sinto-me muito realizada como mãe e sei que este é o caminho certo. Houve alturas em que pensei: “Se calhar dava para conciliar tudo. Terei sido muito radical?” Hoje em dia, olhando para a relação com tenho com a Luz, para a nossa família, sei que não. Isto compensa tudo, nem dá para comparar. Mas também me sinto realizada a nível profissional.
– Depois de um ano que pareceu ser bastante complicado, com o negócio do restaurante a correr mal, uma relação ter­minada e um incêndio em casa, não pensou fazer as malas e fugir daqui?
– Não sei onde fui buscar forças. Acho que as mulheres têm uma força fora do normal, talvez por sermos mães, por sermos nós também a ter os bebés, logo aí ficamos mais resistentes em relação à dor. As mulheres são lutadoras e têm mais força que aquela que pensam ter. Às vezes precisam é de um empurrãozinho para saírem das situações mais chatas. Graças a Deus tive pessoas à minha volta que me deram esse empurrãozinho e depois foi dar a volta por cima. Tento sempre tirar qualquer coisa de bom das situações, desde relações que não resultaram, dos negócios mal sucedidos... E aprendi muito, foram as minhas experiências de vida que fizeram de mim a mulher que sou e orgulho-me disso. Durmo de consciência tranquila.
– Não voltaria atrás para corrigir algumas dessas coisas?
– Não, precisei de passar por todas essas situações para chegar onde estou. Desistir não faz parte do meu vocabulário. Não posso. Se eu desistir, quem faz por mim?

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