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Patrícia e Pedro Madeira Rodrigues: “Fazemos uma equipa unida”

Rita Ferro entrevista o secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. 

Rita Ferro
9 de fevereiro de 2015, 10:30

Namoravam-se há três anos, queriam casar-se, precisavam de reforçar economias para a grande família que sonhavam constituir e, aproveitando o advento das televisões privadas, ha­bilitaram-se a todos os concursos que puderam. Ágeis, competitivos e com alguma sorte à mistura, arrebanharam tudo: carros, viagens e até financiamento para a primeira casa. Depois, já com a família a crescer, abraçaram novos desafios, nomeadamente na área do espectáculo. As duas filhas mais velhas entraram no espectáculo de Filipe La Féria Música no Coração e um dos rapazes participou no musical Miss Saigão e no espectáculo 1906 – O Nosso Grande Amor. Conhecer o casal Costa Félix Madeira Rodrigues foi um choque para toda a equipa da CARAS: parecem demasiado jovens para o que já construíram, os cinco filhos que têm, e, sobretudo, um casamento de 19 anos, sólido e feliz, que tem sabido superar to­­das as dificuldades. Ela chama-se Patrícia, tem 45 anos e é professora de História no Colégio de São Tomás, em Lisboa; ele, um ano mais novo, chama-se Pedro, tirou um MBA pela Universidade Nova de Lisboa, passou pelos recursos humanos de várias empresas e por gabinetes governamentais, e é hoje secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. Foi a ele que pedimos para partilhar connosco esta aventura e para falar do seu novo e ambicioso projecto.
Rita Ferro – Pedro, reparei que marido e mulher têm exacta­mente os mesmos apelidos...
Pedro Madeira Rodrigues – Quis imitar o meu pai e fui buscar a minha mulher à mesma família onde ele encontrou a dele. Acho que tivemos a sorte de casar os dois com duas grandes mulheres, nas quais destacava um grande coração e entrega aos outros.
– Além do retorno material dos desafios, nota-se no casal uma vocação especial para testarem capacidades. De onde vem esse nervo?
– A Patrícia sempre foi uma mulher generosa, bem responsável e ponderada, e eu tenho um forte espírito competitivo, sempre com vontade de dar o meu melhor em tudo o que faço. Acho que juntámos estas duas formas de ser e, complementando-nos, fazemos uma equipa unida e nunca acomodada.
– Como mãe, achei sempre difícil incluir os filhos nas minhas iniciativas lúdicas ou profissionais. Normalmente, não tinham pachorra para se associar aos “cotas”. Como conseguem entusiasmá-los?
– Desde cedo quisemos envol­vê-los no que gostamos de fazer, dando espaço para aquilo que os entusiasma, com a noção, por exemplo, da importância da cultura e das artes para o seu desenvolvimento saudável. Sempre os levámos ao teatro, desde bem pequenos, e foi um “bichinho” que lá ficou. Por outro lado, acho que nunca nos viram como “cotas”. OK, as adolescentes talvez um bocado [risos]. O facto de nos termos casado e tido filhos mais cedo do que é habitual hoje em dia terá ajudado. Outro elemento importante aqui tem sido a quantidade de jovens de grupos diferentes com os quais estamos comprometidos, e que acredito nos têm permitido conhecer melhor a realidade deles. O convívio com eles acaba por nos rejuvenescer.
– Educar cinco filhos sem prescindir de uma carreira não deve ser fácil ao casal; é possível disciplinar sem se gritar a tempo inteiro?
– Temos de facto prescindido de outras carreiras mais exigentes em termos de horários; nomeadamente eu, que passei pela consultoria e saí dela rapidamente. A profissão de professora da Patrícia é das mais equilibradas para uma mãe, e eu, felizmente, tenho tido a sorte e o gosto de trabalhar com chefes que prezam muito a vida familiar e que não gostam quando passamos horas a mais a trabalhar. A disciplina e gestão de prioridades têm sido fundamentais nas nossas vidas. Para nós, tudo começa com o tempo e a atenção que damos
um ao outro, sabendo que é a base de uma família fecunda e feliz. Depois, estarmos com os filhos, aproveitando bem o tempo que passamos juntos, e ajudando-os a crescer com confiança neles, vontade de serem boas pessoas e atentos aos que estão à sua volta. Gosto muito também de dar atenção individual a cada um. De uns amigos nossos tirei a ideia de almoçar fora uma vez por semana só com um deles. Nessas alturas aproveitamos para falar de tudo. Gritos para disciplinar fazem parte de uma educação normal, até porque às vezes somos traídos pelo cansaço e, às vezes, infelizmente, só lá chegamos levantando a voz. Agradecemos muito a Deus os filhos que temos, todos diferentes entre si e a passar também por fases diferentes da vida, com os quais temos aprendido muito. Sabemos que não são nossos e só os queremos ajudar a voar um dia por si, e a desenvolver os seus talentos sem medo de arriscar, sabendo que sempre que quiserem têm aqui este ninho.
– O Pedro já escreveu dois guiões para musicais; de onde vem essa paixão pelas grandes produções cantadas? Alguma o impressionou em criança?
– Esta paixão só começou quando tinha uns 20 anos (mais ou menos quando comecei o namoro com a Patrícia e bem depois do início da minha paixão pelo futebol), quando comecei a ver musicais em Londres, que normalmente conseguiam mexer muito comigo. Em Lisboa, fui comprando e ouvindo CD de musicais e não perdia um dos do Filipe La Féria. Quando os três filhos mais velhos entraram em grandes produções, fiquei a conhecer mais de perto este mundo fascinante. Um dia vi a antestreia do filme Mamma Mia, em Londres – em mais um concurso – e saí de lá a pensar que teria escrito uma história melhor. Daí até meter mãos à obra foi um pulinho. O meu musical preferido é Os Miseráveis, que já vi várias vezes, talvez seguido do Godspell.
– Presumo que marido e mulher trabalhem em equipa nestes desafios; como distribuem as tarefas?
– A Patrícia corrige sempre os meus textos, até porque estudei em inglês e ainda faço erros na construção das frases. Além disso, ela dá-me sempre aquela visão feminina que complementa a minha e ajuda-me a organizar ideias que às vezes aparecem meio dispersas. Em relação à produção, é uma espécie de controller, que vai vigiando as contas e me desafia a poupar aqui e ali.
– Para terminar, a grande sur­presa que o Pedro nos reserva: a adaptação e a produção do God­spell, para um regresso ao Teatro Tivoli em Março deste ano, 43 anos depois da sua estreia na Broadway. Quer falar-nos disso?
– Vi o Godspell em 1998 numa versão para crianças do Filipe La Feria. Foi um musical que me tocou muito, tanto o guião do John-Michael Tebelak, baseado no evangelho de São Mateus, como as músicas inolvidáveis como o Day by Day, escritas pelo Stephen Schwartz, vencedor de grammys e óscares pela sua música. Curiosamente, a junção do autor do guião e das músicas fez-se
no dia 7 de Março de 1971, exactamente um dia antes de eu nascer. Há três anos assisti à nova versão na Broadway e fiquei logo cheio de vontade de a trazer para Portugal. Depois de negociações com os detentores dos direitos e, mais tarde, com o Teatro Tivoli, foi possível garantir o regresso do Godspell a Lisboa. A possibilidade de adaptar um musical que tem feito tanto sucesso em todo o mundo é por um lado um desafio e uma responsabilidade, e, por outro, um privilégio por poder ajudar a passar, de uma forma original e divertida, uma mensagem eterna de bondade, alegria e perdão. Tenho conseguido reunir uma equipa muito
talentosa desde a encenadora, director musical, coreógrafa, cenógrafa, figurinista, e ainda ao nível da adaptação das músicas, já para não falar no desenho de luz e som.
– Já começaram os castings?
– Acredito que foram seleccionados para este musical alguns dos melhores actores desta geração, que farão com que esta versão em nada fique atrás da que vi na Broadway. Os nomes ainda estão no ‘segredo dos deuses’, porque falta acertar pormenores contratuais. Temos mesmo muita gente talentosa em Portugal e só é pena não haver mais trabalho para todos.
– E o que se segue?
– Escrevi há uns anos um musical que, à nossa escala, acredito terá o mesmo sucesso do Mamma Mia, com músicas do grande compositor e bom amigo que é o José Cid, e que espero poder produzir em breve.

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