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Nuno Baltazar: “Gostava de deixar o meu nome na história da moda portuguesa”

O estilista faz um balanço dos últimos anos e revela um pouco da pessoa que é em privado.

CARAS
8 de fevereiro de 2015, 18:00

Com 15 anos de trabalho, es­tá mais do que habituado a sessões fotográficas, embora nunca se sinta verdadeiramente à vontade quando tem de sorrir para uma objetiva... Falamos de Nuno Baltazar, que aos 39 anos é um nome forte da moda portuguesa. Depois da sessão fotográfica, conversámos com o estilista, embaixador da Seat, que nos contou como tudo começou e revelou um pouco mais sobre si próprio.
De onde vem este gosto pela criação de moda?
Nuno Baltazar – Aconteceu por acaso... Estava de férias com a minha avó e encontrei umas revistas de moda. Na altura os editoriais eram feitos com desenhos e achei-os fantásticos. Sem ter consciência do que estava a fazer, comecei a fazer desenhos iguais. Até que um professor de desenho os viu por acaso, tinha eu 13 anos, e, sem me dizer muito, começou a direcionar-me. Só mais tarde me explicou que o que eu fazia poderia tornar-se uma profissão! [risos] Nunca mais me imaginei a fazer outra coisa! Agradeço muito a esse meu professor, António Brandão, sem ele talvez nada disto tivesse acontecido.
Onde procura inspiração?
Primeiro, é preciso ‘ter mun­do’, e isso consegue-se através de várias formas: viagens, leitura, exposições, cinema, teatro, concertos... É preciso viver, não estar fechado. Isso vai criando aquilo a que chamo universo criativo, que obviamente é diferente de criador para criador, porque é uma leitura pessoal.
– Qual é a parte mais difícil de todo o processo?
A véspera do desfile! [risos] Quando percebo que já não posso fazer nada. Inevitavelmente, na semana anterior atinge-se o pico da adrenalina, mas depois há uma questão de tempo, em que já não é possível fazer mais nada e essa é a parte pior! E a semana a seguir ao desfile é péssima! A des­compressão. Chamo-lhe, em tom de brincadeira, a minha depressão pós-parto. Preciso mesmo de me desligar, não vejo vídeos nem fotografias do desfile! Afasto-me, para limpar a cabeça e olhar com sentido crítico.
– Quem é o Nuno fora do mundo da moda?
Tenho um sentido de humor muito corrosivo, negro [risos]. Gosto muito de estar com os meus amigos, os de sempre, aqueles que me chamam Tiago, que é o meu segundo nome.
– É difícil conjugar a sua vi­da pessoal com a profissional?
Consigo fazer tudo. Os meus amigos já sabem que no mês anterior ao desfile desapareço, mas de resto tenho sempre tempo para estar com eles, ir a um espetáculo... Não sou muito de sair à noite, prefiro jantar com os amigos até às tantas, a beber um bom vinho. É uma terapia! 
– Que balanço faz da sua vida?
O balanço é fundamental, pergunto-me constantemente o que sou e o que estou aqui a fazer, de onde venho e para onde quero ir, se estou no percurso correto. Ter objetivos profissionais e pessoais. Um dos meus grandes objetivos é ser uma pessoa mais calma, ter mais paciência para os erros dos outros. Sinto que há imensas coisas que queria ter feito de maneira diferente, porém, sinto-me orgulhoso, porque ser designer de moda em Portugal não é para qualquer um. Luto todos os dias, não dou nada por garantido. O balanço serve também para projetar o futuro e eu gostava de deixar uma marca, o meu nome inscrito na história da moda portuguesa. E no dia em que eu deixar de ser o melhor para a minha marca, o que é inevitável, quero ter construído uma estrutura para que alguém possa continuar! A coisa de que mais gosto é quando alguém olha para uma mulher que está vestida por mim e diz que aquilo é Nuno Baltazar!
– Esse é o seu sonho enquan­to Nuno... E qual é o sonho enquanto Tiago?
Continuar a ser merecedor do carinho dos meus amigos, família e continuar a cuidar das pessoas que amo. Enquanto Tia­go, é isso que quero. Se conseguir isto, vou ser uma pessoa feliz.
Sente que atravessa um bom momento?
Não estou num momento em que esteja tudo a correr bem... A fase que o país atravessa não o permite, mas sinto ganas de dar a volta! Às vezes a dificuldade dá-me mais força para resistir. Desistir é uma questão de lucidez, mas só devemos desistir quando isso é o melhor. Já senti isso!
– Alguma vez pensou desistir da moda?
Já, mas percebi que tinha de tomar medidas para que não acontecesse. Às vezes é quase como ser treinador de futebol! Quando a equipa não funciona, não significa que tenhamos de mudar todos os jogadores, temos é de perceber onde estão os elementos destabilizadores, trocá-los e ir à luta!

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