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Bárbara Guimarães: Revelados detalhes dos episódios de violência doméstica

A acusação do Ministério Público contra Manuel Maria Carrilho foi consultada pela CARAS. A descrição da violência verbal e física que o ex-ministro e professor terá exercido sobre a apresentadora revela pormenores chocantes. Em cima, a última ida de ambos a tribunal, já este mês.

CARAS
31 de janeiro de 2015, 14:00

A leitura da acusação do Mi­nistério Público contra Ma­nuel Maria Carrilho, a que a CARAS teve acesso, chega a ser chocante, dada a violência dos atos e das palavras atribuídos ao antigo ministro da Cultura contra a ex-mulher, Bárbara Guimarães, que terá agredido várias vezes ao longo dos últimos dois anos de casamento (até lá, a violência terá sido verbal). O despacho de acusação inclui oito fotos que mostram diversas nódoas negras nos braços e pernas da apresentadora, uma delas exibe um tornozelo ensanguentado e com cortes, e descreve as várias situações em que terá sido humilhada e agredida.
A fase pior terá começado em finais de 2012, com discussões quase diárias. Descreve-se no processo que sempre que Bár­bara falava no divórcio como solução, o marido ameaçava tirar-lhe os filhos, Dinis, agora com dez anos, e Carlota, de quatro. “Primeiro dás-me os cheques que me deves, depois tens que me dar os filhos e só a seguir é que me disponho a falar desse assunto, toma cuidado comigo porque tu não sabes daquilo que sou capaz, nunca perdi uma guerra, nunca mais vais ver os teus filhos.”
A festa dos 40 anos de Bár­bara, dia 20 de abril de 2013, comemorada num restaurante em Lisboa, foi um exemplo de como o ambiente entre o casal estava tenso. Duas amigas da apresentadora resolveram oferecer-lhe uma cadela, dado que a anterior morrera atropelada dois anos antes, e Carrilho reagiu com agressividade, como se descreve no processo: “O arguido, ao ver a cadela, transfigurou-se, empalideceu e num tom imperativo e zangado disse, perante todos os convidados que ali se encontravam, ‘esse cão não entra lá em casa, se o cão entra saio eu’ e, referindo-se às amigas da assistente, ‘suas estúpidas, que ideia mais estúpida, acabaram com o meu casamento, o que é que vos passou pela cabeça?’. Depois, o arguido sentou-se sozinho, num banco corrido, e não voltou a conviver com os convidados. (...) Por volta das 02h00, quando um amigo da assistente sugeriu aos que restavam que fossem ao seu bar, Jamaica, dançar um bocado, o arguido agarrou a assistente pelo braço, com força, dizendo-lhe ‘a festa acabou, eu vou para casa e tu vens comigo’.”
São também descritas, por exemplo, as reações violentas que Carrilho terá tido em vésperas de Bárbara partir de férias para o Brasil com os filhos, em agosto de 2013: “No âmbito de uma discussão que entretanto se gerou, o arguido foi ao quarto da filha, pegou nela ao colo, levou-a à cozinha e, pondo-a de frente para a assistente, disse: ‘vês, Carlota, vês, a mãe quer destruir a nossa família, quer-nos separar’, o que deixou a criança assustada e a chorar. Na mesma noite, o arguido agarrou a assistente pelos braços e empurrou-a contra uma porta por esta querer acabar com a discussão, o que lhe provocou dores e nódoas negras nos braços e na perna direita.” No regresso da mesma viagem, o comportamento ter-se-á repetido: “(...) a assistente saiu da cozinha e quando se encontrava no corredor, junto ao quarto, o arguido alcançou-a e desferiu-lhe socos e pontapés pela cabeça e pelo corpo.” Na sequência deste episódio, Bárbara saiu de casa e telefonou à cunhada, irmã do marido, a quem contou o sucedido. Esta aconselhou-a a passar a noite em casa de uma amiga, mas a apresentadora regressou a casa, com receio de que Carrilho aproveitasse para afastá-la dos filhos. “Quando entrou em casa, o arguido, que estava à sua espera, disse-lhe de imediato, ‘então, já foste fornicar?’, retomando assim a discussão com a assistente, que reiterou a sua vontade de se divorciar.” Depois, o ex-ministro foi buscar a filha e com esta ao colo ter-lhe-á dito: “‘Olha, Car­lota, queres ficar com esta mãe maluca?’, o que deixou a criança assustada e a chorar. Para acalmar a filha, a assistente pegou-lhe ao colo e, enquanto a mantinha junto a si, o arguido pegou numa faca de cozinha com cerca de 30 cm de comprimento, apontou-a na sua direção e disse, em tom sério, ‘se me deixas vai haver muito sangue, mato-te a ti, mato os nossos filhos e depois mato-me a mim.’ Como consequência direta e necessária deste comportamento do arguido, a assistente sofreu dores, um hematoma na zona da virilha, diversas nódoas negras pelo corpo e pernas, em especial na zona do peito, do lado direito, onde ficou um inchaço e no interior da perna direita, acima e abaixo do joelho. Tais lesões determinaram à assistente 9 dias de doença.”
A descrição de situações do mesmo género repete-se ao longo das várias páginas do processo, assim como os episódios que as intercalavam e nos quais o antigo ministro pedia desculpa à mulher e prometia que tudo ficaria bem. Salta à vista uma situação passada em outubro de 2013: “No dia 5 de outubro de 2013, de manhã, na sequência de uma discussão na noite anterior, o arguido entrou na casa de banho, onde a assistente estava a tomar banho, nua, e, observando-a, disse-lhe: ‘Estás uma velha. Já ninguém te quer’. Perante o pedi­do da assistente para que saísse da casa de banho, o arguido respondeu-lhe: ‘Estás muito enganada, eu saio quando eu quiser.’ Como a assistente insistiu, dizendo-lhe: ‘Sai daqui para fora e se precisas vai mas é ver sites pornográficos’, o arguido saiu e voltou alguns instantes depois, munido de uma máquina fotográfica com a qual tirou várias fotografias à assistente ao mesmo tempo que lhe dizia ‘Quem vai para os sites pornográficos és tu! Já foste apanhada!” Seguiu-se novo episódio de agressões, que resultaram num ferimento no pé, além de nódoas negras nas pernas e nos braços da apresentadora.
Dias depois, Carrilho viajou para Paris e foi então que Bárbara tomou a decisão que se conhece: mudar a fechadura de casa, impedindo-o de entrar no dia em que regressou, 18 de outubro. Desde então, Manuel Maria referir-se-á a essa data em mensagens de telefone ameaçadoras que estão descritas no processo: “Operação verdade 18/10 em curso, em breve fotos da bêbeda ensanguentada, mas antes, talvez hoje, haja mais surpresas no ar...”, terá escrito dia 29 de outubro. A 1 de dezembro de 2013: “Tudo tem consequências, não é? Agora sim, vais começar a perceber o que isso é e a pagar caro o que fizeste, multiplicado por mil. Agora sim, tem medo, muito medo, não escaparás. (...) Agora é que vamos ver se gostas mesmo de surpresas... O teu 18 de outubro aproxima-se e já nada o poderá deter.”
O processo inclui ainda, por exemplo, uma mensagem telefónica escrita de Manuel Maria Carrilho para o pai de Bárbara, enviada, no dia 2 de janeiro de 2014: “Ó meu monte de esterco ainda não percebeste que os teus netos têm nojo de ti? Que têm asco de te ver andar de cuecas e avental pela casa? Que és um monte de merda ambulante que só sabes fazer desgraças, filhas histérico-taradas e filhos esquizofrénicos? Vê se te enxergas, bêbado dos infernos!”
Por todas as agressões e humilhações que diz ter sofrido, Bárbara Guimarães pede uma indemnização de valor não inferior a 600 mil euros. Por sua vez, Carrilho, que também acusa a ex-mulher de violência doméstica por ter sido impedido de entrar em sua casa, pede o pagamento de dez mil euros por danos não patrimoniais, e estima um pedido de cinco mil euros por danos patrimoniais, cujo valor não está ainda totalmente documentado.
Entretanto, Carrilho reagiu ao facto de terem sido tornadas públicas as acusações que constam deste processo e declarou à CARAS: “Infelizmente, o Ministério Público decidiu dar crédito indicialmente, sem nenhuma prova, a declarações da minha ex-mulher tão falsas como escabrosas. Espero ansiosamente pelo julgamento, onde se perceberá a verdade, como até já começa a acontecer com a acusação de Bárbara Guimarães pela prática de um crime de violência doméstica contra mim. A verdade pode tardar, mas acabará por vingar. Lamento que a minha ex-mulher coloque os nossos filhos nestas situações tão brutais a partir de mentiras sórdidas de que nunca a julguei capaz.”
O julgamento ainda não tem data, mas deverá começar nos próximos meses.

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