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Sara Matos: “Acredito em príncipes encantados, sei que existem”

A CARAS esteve à conversa com a atriz, que aos poucos foi revelando um pouco mais de si. Sara não gosta de expor a sua vida pessoal, mas aqui fala dos pais, de amor e de trabalho. 

Inês Neves
24 de janeiro de 2015, 10:00
Chegou sem maquilhagem, de óculos e ténis. Uma Sara Matos bem diferente daquela que vemos nas novelas ou nos eventos. E foi precisamente esta Sara, de 25 anos, descontraída e simples, que ficámos a conhecer melhor. A atriz não gosta de falar sobre a sua vida pessoal, mas aos poucos – e com alguma insistência – foi revelando um pouco mais de si.
– Chegou com uma imagem diferente da que costumamos ver: descontraída, sem maquilhagem, de óculos...
Sara Matos – Sou muito simples no meu dia-a-dia. Quando chego a algum lado para fazer um trabalho como este, uma sessão fotográfica, noto que as pessoas ficam um pouco surpreendidas. Até mesmo na rua, as pessoas não me reconhecem muito. Como uso óculos, ando sem maquilhagem e tão descontraída... Muitas vezes reconhecem-me pela voz. 
– Mas ultimamente tornou-se muito mediática. Como é que isso aconteceu?
Não há nenhum truque. Acho que o meu salto em termos mediáticos se deu quando ganhei o concurso Dança com as Estrelas. Tenho vários colegas que têm uma carreira muito mais longa que a minha e com trabalhos muito melhores que eu. Eu, ao lado deles, acho que ainda não sei nada, e no entanto não são tão mediáticos. Portanto, acho que essa questão do mediatismo não tem tanto a ver com a qualidade do trabalho, apesar de estar confortável com tudo o que fiz até agora, mas sim com a exposição.
– Estava preparada para esse mediatismo, sendo tão nova?
É muito importante ter uma boa base familiar. Antes de as pessoas começarem a fazer televisão, deveriam falar com a família sobre isso, avaliar as consequências.
– E fê-lo?
Sim. Fui conversando com as pessoas que me rodeiam, como faço em relação a qualquer assunto. Sempre fui muito acompanhada nesse sentido. Percebi logo que a minha vida ia mudar a partir do momento em que fosse conhecida. E mudou radicalmente. Não mudei a minha maneira de ser, mas passei a ter consciência de que estava mais exposta.
– Mas o mediatismo teve de provocar alguma alteração em si... 
Não tenho grande consciência disso. Estamos sempre a mudar e a evoluir, por isso não sei se teve a ver com isso ou com o facto de ter simplesmente crescido, de ter conhecido mais pessoas, de terem passado cinco anos desde que comecei... 
– O peso da responsabilidade por certo aumentou...
Responsabilidade, talvez, até porque sou perfeccionista. Senti isso quando ganhei o Globo de Ouro, por exemplo. Por outro lado, não tenho medo de arriscar, confio que vou falhar e quero falhar. Tenho consciência de que nada sei e gosto de aprender. Não tenho medo de falhar, teria é medo de recear arriscar. Quero falhar para poder gozar as minhas vitórias.
– Também é costume dizer-se que quanto mais alta a subida, maior é a queda...
A vida é assim, temos de cair para nos podermos levantar. Vivo com a consciência de que isso me vai acontecer. Vivo o presente e não faço grandes planos. Acho que é por isso que as coisas funcionam, quanto mais vivermos o presente, mais construímos o nosso futuro.
– Depois da novela e dos dois filmes que fez, está de férias. O que vai fazer?
Vou fazer a operação da minha vida: sou míope e vou ser operada aos olhos. Estou tão feliz! Também tenho aproveitado para ter aulas de inglês e francês. Voltei um bocadinho às danças e quero ter tempo para me formar em termos de expressão corporal. Quero muito viajar e talvez fazer workshops pequenos fora do país. 
– Está a pensar em apostar numa carreira no estrangeiro?
– Não, gosto de aprender e de estudar, o intuito não é ir lá para fora. Sinto-me feliz com as oportunidades que me têm dado cá. Quero é aprender, saber como posso vir a ser melhor. Tenho um grande sonho: gostava de um dia ser uma grande atriz. Mas para isso tenho de trabalhar e é o que faço.
– Isso é modéstia ou insegu­rança?
Ser uma grande atriz não tem a ver com a idade, mas sim com a experiência. Ainda tenho muito para viver e experimentar. Sei que ainda não tenho muitas ferramentas para fazer muitas coisas, as poucas que tenho sei usá-las, mas falta-me muita coisa. Adoro fazer televisão, mas falta-me fazer mais teatro, mais cinema, viajar...
– De onde vem a paixão pela representação?
Não sei. Lembro-me de que­rer ser atriz desde os meus dez anos, quando pedi à minha mãe para fazer um curso de expressão dramática. Ela aceitou tranquilamente e foi assim que tudo começou. 
– A sua mãe sempre lhe ali­mentou os sonhos?
Eu não tinha grandes sonhos. Facilmente sorrio e estou bem, gosto de comer, passear, de viver... Sou uma pessoa que naturalmente está bem. Por isso, não tive grandes sonhos. Tinha este, e a minha mãe apoiou-me, mas nunca o alimentou muito. Eu, sim, sabia o que queria, sempre soube muito bem que era isto que queria, e é isto que quero!
– Estamos no Natal. E com esse sorriso dá para perceber que adora a época...
É verdade. Adoro sair à rua e ver as luzes, adoro ter a casa mega decorada. Gosto do Natal não pela parte comercial dos presentes, mas pela reunião familiar, os filmes tradicionais da época, as torradinhas feitas pela avó... A partilha e a união, para mim, isso é fabuloso. 
– É filha de pais separados. Teve de alternar a noite e o dia de Natal entre o pai e a mãe?
Não me lembro dos meus pais juntos, sempre foram sepa­rados, por isso... sempre foi o 24 com a mãe e o 25 com o pai.
– A separação dos seus pais impediu-a de acreditar num amor que dure para sempre?
Não. Isso varia de pessoa para pessoa. Acredito que possa haver amor para sempre, assim como acredito no contrário. Tudo existe. Sempre conheci os meus pais separados, é a minha realidade, e sempre me dei muito bem com os meus pais, sou muito próxima tanto de um como de outro.
– Não acredita em príncipes encantados?
Acredito mesmo, até porque eles existem. E leio nos livros e vejo, acredito, sem dúvida.
– Acredita que um dia também vai encontrar o seu?
Eu sou muito de viver o presente. Neste momento estou muito focada na vida profissional. Acho que as oportunidades vão surgindo consoante se está virado para elas. Ainda sou muito nova e estou a aprender com a vida e com o que vou recebendo.
– A Sara e o Lourenço [Or­tigão] foram juntos a um evento. Voltaram a namorar?
Damo-nos muito bem, como sempre nos demos.
– Especula-se muito sobre a sua vida nas revistas. Já aprendeu a lidar com isso?
Não podemos agradar a toda a gente. O meu trabalho é reconhecido, mas não agrado a toda a gente, nem isso vai acontecer. Se uma pessoa é mediática, é natural que se fale sobre ela. Lidar com isso... Eu leio muito, mas livros que me suscitem interesse e que trabalhem a minha parte profissional e intelectual. E foco-me muito isso.
Produção: Gabriela Pinheiro
Maquilhagem: Carina Quintilhiano
Cabelos: Joana Oliveira
Agradecemos a colaboração  de: By Malene Birger, Loja das Meias e Mango

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