Nas Bancas

Diana de Cadaval e Charles-Philippe d'Orléans abrem as portas do seu palácio

"Esta casa representa a tradição, a herança e a história da minha família" (Diana de Cadaval)

Natalina de Almeida
25 de janeiro de 2015, 10:00
Entramos pela porta de um dos salões do Palácio Cadaval, em Évora, e somos surpreendidos por Diana de Cadaval, de 36 anos, sentada no chão, de pés descalços, a desembrulhar bolas de vidro com a ajuda da filha, Isabelle, que completa três anos no dia 22 de fevereiro. É assim que prepara o Natal da família a mulher que é casada com um príncipe francês, vive num palácio e é visita assídua das famílias reais europeias. Foi educada para herdar o título de duquesa de Cadaval, tornou-se princesa pelo casamento com Charles-Phillipe d’Orléans, mas tem perfeita noção da realidade que a rodeia e de que os contos de fadas não existem. 
– Estamos habituados a vê-la nos acontecimentos sociais de maior prestígio, porém, surpreende-nos muitas vezes com a imagem de uma mulher comum. 
Diana de Cadaval – Sou, acima de tudo, esposa e mãe de família, com um quotidiano feito de coisas simples. O prazer de preparar o Natal com a minha filha faz parte desse quotidiano.
– Como é o vosso ritual de decorar a árvore de Natal?
Eu e a minha filha fazemos tudo juntas: o presépio, a árvore e a decoração da mesa. É uma festa de família muito importante que partilhamos com alegria e amor.
– O presépio nunca é esquecido?
É preciso nunca esquecer as origens desta festa, e o presépio é o símbolo mais importante. Na nossa família não há Natal sem presépio.
– O Natal ganhou novo significado desde que foram pais?
É uma etapa nova na nossa vida, mas o Natal sempre foi muito importante para nós e fazemos por transmitir à nossa filha o amor pela época que herdámos dos nossos pais. 
– O primeiro Natal da vossa filha foi passado em Espanha, com a família paterna, o segundo em Portugal, com a família materna. Como será este ano?
Será em casa da princesa Clotilde [irmã mais velha de Charles-Philippe], que vive nos Estados Unidos. A Isabelle reencontrará todos os primos, que ela adora, e fará a sua primeira grande viagem. Está muito entusiasmada!
– Estando a preparar o Na­tal também aqui, no Palácio Cadaval, é natural que lhe venham à memória os tempos felizes que aqui viveu...
O palácio está na minha família há sete séculos. Esta casa representa a tradição, a herança e a história da minha família e tam­bém de Portugal. Os acontecimentos mais importantes da minha vida tiveram lugar aqui: o meu casamento, o batizado da minha filha... E, naturalmente, no Natal penso ainda mais nos momentos felizes que aqui vivi na minha doce infância.
– Naturalmente, gostava que o seu pai tivesse conhecido a Isabelle...
Adoraria. E sei que ele gostaria de passar tempo com ela, o meu pai seria o avô com que qualquer criança sonha: terno, afetuoso, trasbordante de amor e generosidade. 
– Ter herdado do seu pai o título de duquesa de Cadaval trouxe-lhe um grande orgulho mas também muitas responsabilidades. Como as gere?
É efetivamente um grande orgulho, pois com este título tornei-me herdeira da história da minha família e de uma parte da história de Portugal. Quanto às responsabilidade, além do património que é preciso preservar e proteger, tenho o dever de exemplaridade e de transmissão de valores. É um trabalho permanente, mas que gosto de fazer.
– Foi educada para ser duquesa?
Recebi uma educação rigorosa e internacional, mas o mais importante que recebi dos meus pais foi o respeito e o amor. Com estes dois valores posso ser o que quiser na vida, incluindo uma duquesa.
– Dá importância aos títulos?
Sim, na medida em que eles representam a história das famílias e do nosso país. Mas dou maior importância às pessoas que os merecem, às suas qualidades.
– Por isso nunca quis viver como num conto de fadas?
Os contos de fadas não existem no século XXI! Eu tenho um marido maravilhoso, uma filha excecional, uma família que me ama. Sou feliz. Além disso, tenho saúde e amo o meu trabalho e a minha casa.
– Afinal o que significa ser duquesa e princesa nos dias de hoje?
Ter o dever de lembrar e de transmitir. Este título permite-me também dar voz aos que são silenciados ou esquecidos. Ponho-me frequentemente ao serviço dos outros e gosto muito de fazê-lo.
– Vive com os pés bem assentes no chão?
Os meus pais ensinaram-me a ser pragmá­tica e realista. Tal implica ter consciência da realidade, respeitá-la e vivê-la. Sou muito terra a terra.
– Como é um dia na vida de Diana de Cadaval?
Como o de qualquer mãe que trabalha, uma corrida contrarrelógio.
– Entre a gestão do Palácio Cadaval, as ações humanitárias e a escrita, ainda tem tempo para viajar e acompanhar o seu ma­rido. É uma boa gestora do seu tempo?
Viajamos com muita regularidade, em lazer ou em ações humanitárias, mas giro o meu tempo de modo a que ninguém fique prejudicado. 
– O seu marido é o príncipe com que sonhava?
Sonhava com um príncipe encantado. O meu marido é encantador e é príncipe!
– Trata-o por príncipe?
– Não! Para mim ele é, acima de tudo, o meu marido e o pai da nossa filha.
– Como preparam o futuro da vossa filha?
Charles-Philippe d’Orléans – Com uma boa educação, religião e muito amor.
– Que influência tem na vida de Isabelle o padrinho, o rei Felipe VI de Espanha?
O rei Felipe é o seu mentor e sabemos que lhe transmitirá os valores cristãos e lhe dará amor. Podemos sempre contar com a ajuda do rei se for necessário.
– Vivem num meio muito privilegiado. Têm noção do país real, das dificuldades das pessoas, da falta de emprego?
 – Nós vivemos no mesmo país que os leitores da CARAS e estamos conscientes das dificuldades que muitos vivem. A crise é grave e no nosso quotidiano pessoal e profissional somos confrontados com ela todos os dias.
– Pessoal e profissionalmente, foi um ano feliz para ambos?
A vida não é só feita de momentos felizes. Também o ano de 2014 foi polvilhado de momentos difíceis, que felizmente tivemos a capacidade de superar.
– Que momentos foram esses?
Os comuns a todas as família... Na verdade, chegados ao final do ano, podemos dizer que o balanço de 2014 é muito positivo.
– O casamento trouxe-o ao país de exílio dos seus avós. Como tem corrido a sua adaptação?
Portugal ficou gravado no coração dos meus avós e hoje, que aqui estou instalado, sinto-me feliz ao seguir os passos deles. Reencontrei-me com amigos dos meus avós com quem partilho histórias divertidas e memórias.
– Mas imagino que continue a apanhar o avião com frequência?
Sim, viajo muito em trabalho, sobretudo na Europa, mas também para a Ásia.
– A sua mulher acompanha-o com frequência?
 – Reservamo-nos para as viagens que gostamos de fazer juntos: as de turismo, descoberta ou solidariedade. Nas deslocações profissionais prefiro viajar na companhia dos meus parceiros.
– Já fala português com a sua mulher?
Em casa falamos francês. Português falo com os meus amigos e no trabalho.
– Estão casados há seis anos. Que balanço fazem?
Foram anos de grandes aventuras, de obstáculos superados, de momentos de dor e de alegria, de amor. E ainda estão para acontecer muitas coisas boas.
– Partilham os mesmos valores...
Somos um casal muito próximo e, claro, partilhamos os valores que nos foram transmitidos pelos nossos pais e que queremos transmitir à nossa filha.
Agradecemos a colaboração  de: Carolina Herrera, Dino Gonçalves e Jardim Primavera (Sintra)

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras