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Leonor e Mariana Romba: Mãe e filha unidas na paixão pela decoração

A família Romba convidou-nos para um lanche e explicou como funciona a dinâmica familiar.

Inês Neves
17 de janeiro de 2015, 16:00
Leonor e Mariana Romba convidaram-nos para um ‘chá das cinco’ no seu ateliê. Mãe e filha, ambas arquitetas e designers de interiores, prepararam para a ocasião uma mesa de Natal que nos deixou com ‘água na boca’ assim que entrámos. Explicaram-nos de onde veio a inspiração e garantiram que foi uma decisão consensual, tal como em tudo o que fazem. Há quatro anos que trabalham juntas e sentem que fazem uma boa equipa. Nesta produção também participaram Maria Inês, a outra filha de Leonor, e Henrique Manuel Romba, o seu marido e pai das suas filhas, que preferiram ficar de fora da conversa.
– Deve ser um orgulho ver a sua filha seguir-lhe as pisadas...
Leonor – É muito bom. O facto de ela estar ao meu lado 
dá-me mais vontade de continuar a trabalhar, é um incentivo.
– Quando decidiram começar a trabalhar juntas?
Mariana – Durante o meu curso, fui sempre ajudando a minha mãe. Depois saí para fazer o meu último ano de mestrado em Milão e quando regressei integrei a empresa com a minha mãe e fizemos equipa. Desde pequena que quis ser arquiteta. A minha mãe dizia-me para ponderar bem, porque não iria ser fácil, mas eu nunca pus outra hipótese. Acho que esta paixão nasceu mesmo comigo e o convívio com a minha mãe deu-me mais aptidão. 
Leonor – Em pequena ela já opinava muito. Sempre gostou muito da parte da decoração, de conjugar as coisas, ajudar a criar ambientes, e tinha jeito para trabalhos manuais, foi sempre muito criativa.
– É fácil trabalharem as duas? Não há muita discussão?
Mariana – Acontece muitas vezes haver um choque, mas consideramos isso positivo. A troca de ideias e opiniões, mesmo quando não estamos em sintonia à partida, facilmente chegamos a um consenso, e dessa forma achamos que vamos agradar a dois mundos. 
Leonor – A Mariana é jovem, tem uma energia e inovação nas suas ideias que, em conjunto com a minha experiência e alguma sabedoria, resultam num melhor trabalho. 
Mariana – Já lá vão quatro anos que trabalhamos juntas, fazemos uma boa equipa. A minha mãe aceita as minhas ideias mais audazes e arriscadas, pega nelas e tenta fazer com que resultem.
– É mais exigente com a Ma­riana por ser sua filha?
Leonor – Talvez. Penso que ela tem menos desculpa para falhar porque tem uma professora sempre por perto.
Mariana – Mesmo no decorrer do meu curso, senti sempre que a minha mãe apostava muito em mim. Como sabia que os meus colegas ou professores iriam saber que eu tinha uma mãe arquiteta, queria sair-me bem. 
– Estou a ver que a Leonor é muito exigente...
Leonor – Um bocadinho. Na verdade há uma responsabilidade maior quando um filho segue os nossos passos, tira o mesmo curso, sentimos aquele peso extra de que temos de dar algum apoio e há sempre o objetivo de que as coisas corram ainda melhor, porque podemos dar uma ajuda, ensinar alguma coisa com a experiência e aquilo que sabemos. Mas eu fiquei bastante admirada por ela seguir o mesmo caminho que eu. A Mariana sempre viu a minha vida de esforço e de muito trabalho, achei sempre que escolheria outra vida. 
Mariana – Mas eu encarei essa responsabilidade de maneira positiva. Pensar que a empresa é minha, que um dia mais tarde a minha mãe vai querer acalmar a parte profissional e eu seguirei sozinha com a empresa... Portan­to, quis logo de início agarrar isto como sendo meu e esforçar-me o máximo possível. Estou muito motivada. 
– E como ficou a vossa relação de mãe e filha?
Leonor – Acho que ficámos mais próximas, mais cúmplices. Temos a responsabilidade dividida entre as duas e isso aproximou-nos bastante.
Mariana – Há uma partilha diária, tanto em assuntos profissionais como pessoais, pois acabam por se cruzar. Não conseguimos separar o trabalho da vida pessoal.
Leonor – O facto de estarmos próximas facilita o trabalho, abrevia as tarefas e torna tudo mais rápido. Às vezes a Mariana quase adivinha aquilo que vou dizer ou o que é preciso fazer e, muitas vezes, estamos em casa à noite a adiantar as coisas do dia seguinte. Logo aí há uma poupança de tempo.
Mariana – Às vezes, uma ida ao cinema em conjunto ou o folhear de uma revista permite logo ali uma partilha de ideias e comunicação que facilitam os timings do trabalho.
– A sua outra filha, Maria Inês, não seguiu arquitetura, mas também trabalha convosco. Arranjou forma de ter as duas a trabalharem juntinho a si...
Leonor – Foi sem querer [risos]. A Inês colabora connosco na parte da comunicação. Ela doutorou-se em Ciências da Comunicação, é responsável pelo gabinete de Marketing e Comunicação da Faculda­de de Ciências Humanas da Universidade Católica. Foi uma escolha delas, mas para mim tem sido uma alegria. E assim tenho uma vontade ainda maior de trabalhar e de continuar, é um incentivo ter descendência profissional. 
– Como é a vossa casa? Cos­tuma dizer-se que em casa de ferreiro, espeto de pau!
Gosto de ter a minha casa decorada, mas vivida. Portanto, sempre foi uma casa que vai mudando com as viagens que fazemos, é uma casa em que as pessoas estão à vontade, é funcional, pois para mim sempre foi importante, além da parte estética, a parte funcional dos ambientes. O conforto está em primeiro lugar. Mas gosto de uma casa bonita e empenho-me nisso.
– Falem-me desta mesa que prepararam para nós.
Mariana – Quis trazer para esta mesa um bocadinho da experiência que tive recentemente em Londres, onde estive durante seis meses em dois estúdios de design de interiores de luxo. E isso deu-me a inspiração para fazer um ‘chá das cinco’, daí as sandes pequenas, os scones, os bolinhos, todo um conjunto que é muito familiar para os ingleses.
Leonor – E também porque gostamos de festejar esta época com os nossos colaboradores. É habitual na empresa irmos todos almoçar ou lanchar e, desta vez, pensámos num chá à maneira dos ingleses. 
Maquilhagem: Alda Salavisa
Agradecemos a colaboração de: Horto do Campo Grande, Vista Alegre, Pastelaria Garrett Estoril e 8 & 80.

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