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Sónia Balacó: “O caminho é aceitar e revelar cada vez mais aquilo que eu sou”

Tímida e discreta, a atriz de ‘Água de Mar’ tem trilhado um caminho que pretende atingir o autoconhecimento.

Andreia Cardinali
10 de janeiro de 2015, 10:00

Começou como manequim, mas foi a representação que a conquistou e aos 12 anos já sabia o caminho que queria percorrer. Hoje, Sónia Balacó, de 30 anos, continua a apostar no seu sonho e depois de uma temporada em Londres decidiu regressar a Lisboa. “Estarei onde houver trabalho e agora é aqui que estão a surgir as oportunidades”, explicou a atriz, que atualmente faz parte do elenco da novela da RTP Água de Mar. No final de uma manhã de gravações, Sónia passeou pela Baixa lisboeta para antecipar a compra de alguns presentes de Natal e visitou a loja Intimissimi, marca da qual é embaixadora.
– Depois de cinco anos em Londres, a vida passou novamente a fazer mais sentido em Lisboa...
Sónia Balacó – Sim, agora, por causa do trabalho, fui ‘desemigrando’ e estou cá. Estou com vários projetos e super feliz, porque estou a fazer só coisas que adoro. Está a bater tudo certo.
– Continua a manter casa lá?
Casa não, mas continuo a ter coisas que tenho de ir buscar, nomeadamente discos e livros, que ficaram em casa de amigos.
– A ideia é, então, ficar cá?
A ideia é estar onde fizer sentido. Nos últimos dois anos o trabalho em Portugal tem estado a acontecer de uma forma muito intensa e acho que sou bastante intuitiva nisso. Sei escutar o que a vida me está a dizer e se me está a abrir uma porta, vou aceitá-la. A verdade é que, estando em Portugal, tenho estado a trabalhar mais para fora do que quando estava cá como atriz. Participei numa série espanhola, noutra inglesa, numa curta-metragem em Itália... A vida em todo o mundo está a acontecer-me mais a partir daqui. O que me interessa é trabalhar, crescer e fazer coisas de que me orgulhe, independentemente do local.
– A experiência em Londres tornou-a uma atriz diferente?
Claro, não só pelo que aprendi enquanto estudei, mas pelo que vivi. Ter ido sozinha para outro país e ter conquistado tudo sem conhecer ninguém foi uma luta e uma prova de que consigo fazer as coisas sozinha. E isso dá uma segurança tremenda que depois se transporta para o trabalho e para o resto da vida. Agora sinto que estou a crescer para me tornar uma mulher cada vez mais confiante e verdadeira e também uma melhor atriz.
– Começou a trabalhar em moda. Ainda hoje é uma área que lhe interessa?
A moda nunca foi a coisa de que mais gostava. Deu-me imenso prazer e diverti-me imenso... Foi um momento muito especial, mas não tive muita dificuldade em dizer que não queria mais ser modelo e que sou só atriz. Contudo, sei que sou geneticamente abençoada e isso também me dá a possibilidade de fazer algumas coisas que me dão prazer, como esta relação que tenho com a Intimissimi. É um trabalho relacionado com uma marca, mais ligado à imagem e à moda, mas que me dá imenso gozo.
– Esta ligação à moda ajudou a criar uma identidade em termos estéticos?
Acho que não. Acho que a moda faz o inverso, porque como modelo temos de estar ao serviço de uma imagem.
Diria até que a minha força individual cruzou a moda sem se abalar, porque já era forte por si.
– Mas tem um estilo muito próprio...
Sim, sou eu. E o meu caminho é mesmo esse. Aceitar e revelar cada vez mais aquilo que eu sou. A verdade é que não gosto de me fechar em definições. Umas vezes sou mais descontraída, outras gosto de ser mais sexy. Gosto de ir experimentando várias coisas, como atriz, como pessoa, na vida... Não gosto de ter de me fechar numa caixa e isso estende-se a todas as vertentes da minha vida.
– Fez 30 anos em 2014. Sentiu alguma mudança?
Completamente e tem sido um crescimento inacreditável, porque com sete anos senti-me mais velha do que me sinto agora [risos]. Eu era uma miúda muito tímida, introvertida e agarrada aos livros e o meu caminho tem sido no sentido de me libertar dessas coisas. A chegada aos 30 só confirma isso, sinto que o meu caminho é no sentido da liberdade e a passagem do tempo não me angustia de maneira nenhuma. A ideia de quantos mais anos tiver mais livre serei, mais consciente do que sou e do que quero, faz-me achar que estou a caminhar para um sítio espetacular [risos]. 

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