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Inês Castel-Branco: “Uma separação é difícil para todas as partes”

Dois anos depois de se ter separado do pai do seu filho, a atriz falou das consequências deste processo.

CARAS
11 de janeiro de 2015, 10:00

Dona de uma personalida­de cativante e de um estilo muito próprio, Inês Castel-Bran­co é um ‘camaleão’ da representação. As suas personagens já lhe deram diversas cores e cortes de cabelo, tudo o que possa “ser essencial para a construção de um projeto.”
Com o cabelo rapado de lado para dar vida à peixeira Tina, da novela Mar Salgado, a atriz criou uma tendência de moda já seguida por muitas jovens, o que acha “bastante agradável, embora ache que não fui eu, pois já se estava a usar bastante”.
Conversadora e muito expressiva, Inês fala de si com o à-vontade com que encara uma câmara, mas protege a sua vida amorosa com determinação. Por isso a sua relação atual com o humorista César Mourão ficou fora desta conversa, mas não o fim do seu relacionamento com Filipe Pinto, há dois anos, pai do seu filho, Simão, e que a levou a procurar o apoio de um psicanalista.
– Está a gravar a novela Mar Salgado. A Tina tem sido um belo presente?
Inês Castel-Branco –
Sim, mas eu acho sempre que só o facto de ter trabalho já é um belo presente. É um sonho fazer uma personagem que é o oposto da que fiz antes.
– A Tina tem um lado muito cómico que lhe encaixa na perfeição. Fazer papéis de comédia dá-lhe prazer?
– Adoro, não só porque é muito difícil de fazer, mas também porque vou mesmo pa­ra casa mais bem-disposta do que se passasse o dia a chorar e a trabalhar com as emoções. A mim sempre me disseram que fazer comédia era muito mais difícil do que fazer drama, e, como atriz, também acho isso. Acho que não é qualquer ator que faz comédia, que consegue fazer rir, e tem muito a ver com os tempos. O texto pode ser muito engraçado, mas sem o tempo certo não se tem piada a dizê-lo e esses tempos ou se têm ou não.
– Qual seria o seu maior desafio como atriz?
– Gostava de fazer uma lon­ga-metragem, mas também não se faz muito cinema em Portugal e o que se faz não procura muito atrizes de novela. E gostava de fazer musicais, infantis, para o meu filho perceber o que eu faço... Há muita coisa que eu gostava de fazer, e ainda bem. [Risos]
– É uma das atrizes mais camaleónicas do meio. A mudan­ça de visual ajuda na construção de um personagem?
– Há toda uma equipa que decide isso e acho que a equipa de caracterização até gostava que houvesse mais atrizes a fazer isto; o problema é que não há. Acho que às vezes há que perder um bocadinho a vaidade. Mas claro que pode correr mal... Passei um ano com uma crista que odiava, mas a verdade é que ainda hoje me falam dessa personagem. Para mim, faz sentido, na criação do personagem, mudar o visual e encaixar-me nisso mesmo. Acho que isso é o princípio da representação, sentirmo-nos como aquela pessoa se sente.
– Começou a trabalhar como manequim e tem um estilo mui­to próprio. Foi fácil identificá-lo?
Tem sido um processo. Eu era muito maria-rapaz e nunca me preocupei muito. Quando comecei a trabalhar em moda, até achava um bocadinho ridículo a importância que as pessoas da moda davam a coisas que eu achava fúteis. Depois cresci, tornei-me atriz, e hoje em dia já consigo olhar para a moda como arte, e gosto muito. Agrada-me muito ter uma estética como artista. Agora tenho uma maior preocupação em apresentar alguma coisa quando não estou a representar, quero ter uma estética, não quero ser só uma miúda gira que faz telenovelas.
– Já assumiu várias vezes que a representação é a sua paixão, mas tenta sempre encontrar outras formas de sustentabilidade...
É verdade, privilegio imenso o empreendedorismo e adoro pessoas assim. Quero ser atriz, mas também quero fazer alguma coisa pelo meu país, que ele evolua e que eu faça parte disso. E é uma forma de ter um plano B em relação à instabilidade da minha profissão. Este espaço, o Village Underground, foi um projeto que uma amiga trouxe de Londres. Achei logo que queria fazer parte dele e surgiu a possibilidade de ser sócia desta cafetaria onde estamos.
– Sempre preservou muito a sua vida pessoal, em especial desde que se separou do Filipe...
Acho que só quando namorei com o [modelo] Joaquim Gaspar é que me expus um bocadinho. Estávamos os dois a trabalhar em moda, era mais miúda, ele também era uma figura pública... Mas depois comecei a querer preservar mais esse lado, até porque há que respeitar o que as pessoas que estão ao nosso lado querem. Eu respeito e até gosto que uma pessoa que não é famosa não o queira ser.
– É uma forma de se proteger a si e à sua família?
Claro, mas também por­que acho que as pessoas não têm nada a ver com isso, é a minha vida pessoal. Com quem durmo, danço ou viajo não é da conta de ninguém.
– Mesmo assim, continua a falar-se da sua vida amorosa, em especial com o César Mourão...
– Eu vejo revistas de televisão que fazem notícias para eu reagir. Uma vez vi escrito que estávamos no Rock in Rio aos beijos, que depois discutimos e deixámos de nos falar. Ora eu nem sequer o vi lá. [Risos] É mesmo para eu reagir e eu não cedo. Podem especular, não me incomoda.
– Então, falar da sua relação com o César...
– Está fora de questão! [Risos] Com o César ou com quem for, as minhas relações amorosas são para mim.
– Há mulheres a quem a maternidade muda por completo. Há uma Inês antes e depois do Simão?
Claro que sim, é universal, muda tudo. Tenho muito mais responsabilidade em todas as escolhas, e no fundo é aquilo que sinto quando faço terapia e descubro que a minha mãe tem culpa de muita coisa. [Risos] E depois, como mãe, também tenho medo disso e penso: “Coitado, todos os traumas que ele vai ter vão ser infligidos por mim.” [Risos] Mas depois há o outro lado que compensa isto tudo, este amor incondicional que eu nem sabia que existia, que me faz perceber que ele pode fazer o que ele qui­ser que irei sempre amá-lo.
– Referiu que faz terapia. Foi uma necessidade pessoal?
Sem dúvida, foi uma decisão ótima que tomei e aconselho a toda a gente, nem que seja por ser uma hora que estou concentrada em mim e me faz verbalizar tudo. Mas isso também tem a ver com o que cada um quer para si... Há pessoas que não se querem encarar a elas próprias. Gosto de conhecer as camadas que há em mim e às vezes encontro coisas que odeio.
– É algo recente?
Há uns dois anos.
– E é algo constante ou a que recorre quando acha que necessita?
É constante. Mudar de vi­da... Uma separação é uma coisa muito difícil para todas as partes envolvidas. Há filhos, família, amigos... é horrível. Acho que temos de nos proteger e, quando passamos por partes da vida mais difíceis, devemos recorrer a ajuda. Se não, enlouquecemos. Somos todos frágeis... Ninguém consegue passar por coisas tão difíceis sozinho. Há pessoas que se agarram a outras coisas, outras que não se agarram a nada e conseguem, e eu resolvi pedir ajuda a terapeutas.
– E tem surtido efeito?
– Consigo pelo menos perceber o que está a acontecer. Consigo autoavaliar-me e avaliar a situação sem entrar em pânico.

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